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Bispo Dom Mariano envia orientações ao clero e ao povo de Deus a respeito da Semana Santa


  








Orientações ao clero e ao povo de Deus
Em tempo de Covid-19
31 de maço de 2020

1.       Os encontros diocesanos permanecem  suspensos até que se tenha novas orientações por parte das autoridades sanitárias.
2.       A agenda do bispo continua indefinida, incluindo as datas das ordenações presbiterais, também no mesmo aguardo.
3.       Com a anuência da equipe que coordena o SORTEIO em prol da ampliação do Mosteiro das Clarissas em Mossoró, decidimos ADIAR A DATA da sua realização. Manteremos os mesmos bilhetes, e em breve anunciaremos uma nova data do sorteio.
4.       Quanto ao retiro anual do clero. Visando diminuir os custos vamos manter a data prevista (11 a 14 de agosto), realizaremos em Tibau, usando a estrutura que se monta anualmente pra Semana de Estudos do Clero.
5.       
           Quanto às celebrações da Semana Santa:
    Seguir atentamente o decreto publicado pela Congregação do Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos (Prot. N. 153/20), assim como as sugestões que a CNBB vem apresentando;
.       As celebrações devem, na medida do possível, ser transmitidas pelos meios eletrônicos de comunicação e com participação, o mais restrita possível, somente da equipe que vai servir;
    
   DOMINGO DE RAMOS: Incentivar as famílias a “colocar no portão ou na porta de casa (em lugar bem visível)  alguns ramos. Marcar a casa é uma característica do povo de Deus” (CNBB).  A recordação da entrada do Senhor em Jerusalém seja celebrada na igreja Catedral, seguindo a segunda formula prevista no Missal Romano e, nas igrejas matrizes, adote-se o terceiro modo;
   
    MISSA DO CRISMA: A nova data será fixada e informada tão logo seja superado o tempo de pandemia do coronavírus;

.       QUINTA-FEIRA SANTA: O lava-pés seja omitido, podendo colocar 12 cadeiras vazias, com o nome em destaque de profissionais da área da saúde conhecidos da comunidade. No término da Missa, omite-se a procissão e o Santíssimo sacramento seja conservado no sacrário. Motivar as famílias para fazerem uma refeição todos juntos, precedida de uma oração.


       SEXTA-FEIRA SANTA: Motivar as famílias para colocar a CRUZ em destaque dentro de casa. Na Catedral e nas igrejas matrizes, o Bispo e o pároco, respectivamente, celebrem a Paixão do Senhor. O rito de adoração da Cruz, mediante o beijo, seja restrito ao presidente da celebração, que também pode, sozinho, conduzir a Cruz ate a frente da igreja para um rápido momento de oração, retornando para prosseguir a celebração. À Oração universal, devemos acrescentar a seguinte oração:

XI. Pelas vítimas da pandemia.
Oremos por todas as vitimas do novo coronavirus, sobretudo os mais vulneráveis, afim de que sejam livres de suas consequências, sejam consolados os que perderam seus entes queridos e logo se encontre a cura para a COVID-19.
Deus eterno e todo-poderoso, autor da vida, ouvi as súplicas de vosso povo que implora o fim dessa nefasta pandemia. Protegei os mais vulneráveis, especialmente os idosos; sejam eles amparados por seus familiares e assistidos pelo Sistema de Saúde. Abençoai os esforços para encontrar a cura e uni, pelos laços da solidariedade, a humanidade inteira. Por Cristo, nosso Senhor.

       
VIGILIA PASCAL: Motivar as famílias para que acendam,  às 19h, uma vela numa janela ou na porta principal da casa. A celebração será apenas na igreja catedral e nas igrejas matrizes. Omite-se o acender e a bênção do fogo. O círio seja aceso de modo simples: no presbitério, numa credencia, estará o círio pascal com os cravos numa bandeja; faz o rito conforme o missal romano, e, após acender o círio EM SILÊNCIO, abençoa o fogo do círio. Coloca, então o círio no pedestal e canta o Exultet. Não se usa incenso para nada. Na liturgia da Palavra bastam dois leitores, que alternarão entre si, cada um dizendo a leitura e o salmo. Os salmos, preferencialmente, sejam rezados em retotom. Para a liturgia batismal, apenas se renovam as promessas batismais. Segue-se a Liturgia eucarística.
       

DOMINGO DE PÁSCOA: cada paróquia ver uma ação na linha da caridade, como gesto concreto do Senhor Ressuscitado.
     As procissões e outros atos comunitários de piedade popular relacionados às celebrações da Semana Santa ficam suspensos;

         Na Catedral celebraremos nos seguintes horários:

Domingo de Ramos: 11h
Quinta-feira Santa: 19h
Sexta-feira santa: 16h
Sábado santo: 19h
Domingo de Páscoa: 11h




Dom Mariano Manzana
Bispo Diocesano











CNBB propõe que Domingo de Ramos seja celebrado de modo especial em tempos de coronavírus



A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) convida a todos a viverem de forma muito especial o Domingo de Ramos durante a quarentena do coronavírus. Cada um e cada família, em suas casas, são chamados a celebrar o próximo domingo com fé e esperança. Por isso, A CNBB propõe cinco pontos para ajudar os fiéis na celebração do Domingo de Ramos.
Vamos celebrar o Domingo de Ramos?
1. Rezar pedindo a graça de bem viver a Semana Santa, ainda que em recolhimento em casa.
2. Colocar no portão ou na porta de casa (em lugar bem visível) alguns ramos. Marcar a casa é uma característica do povo de Deus.
3. Participar das celebrações transmitidas pela televisão ou pelas redes sociais.
4. Comprometer-se a, no futuro, participar ativamente da Coleta da Campanha da Fraternidade. Com ela, ajudamos os mais pobres.
5. Motivar pelas redes sociais, telefonemas ou outros meios que mantenham o distanciamento social, outras pessoas a também celebrarem o domingo de Ramos desse mesmo modo.
Fonte- CNBB

Reflexão para o Quinto Domingo da Quaresma- João 11, 1-45 (Ano A)





Com a liturgia deste quinto domingo da quaresma, concluímos a sequência de três domingos de leitura de episódios exclusivos do Quarto Evangelho. O texto proposto hoje é o relato do sétimo e último sinal cumprido por Jesus nesse Evangelho: a reanimação de Lázaro, seu amigo – Jo 11,1-45. Esse é um episódio muito significativo para toda a obra joanina, pois é a conclusão do ciclo dos sinais realizados por Jesus. É importante recordar que João não chama as obras extraordinárias de Jesus de milagres, mas de sinais. Como se trata de um texto de grande extensão, totalizando quarenta e cinco versículos, não analisaremos todos os versículos, mas procuramos colher a mensagem central e destacar apenas os versículos principais. Os sete sinais narrados por João foram criteriosamente escolhidos, como ele mesmo afirma no final do Evangelho, para despertar a fé em Jesus e transmitir a vida em plenitude que dessa emana (cf. Jo 20,30-31), sendo esse da reanimação de Lázaro o maior de todos. Por isso, é o sétimo, cuja número evoca perfeição, e prefigura a ressurreição do próprio Jesus, o sinal por excelência.

Convém recordar que o sinal narrado não se trata propriamente de uma ressurreição, mas de uma “reanimação”, considerando que ressurreição é a passagem da morte para uma vida definitiva e plena, graças à ressurreição de Cristo. O que João narra é Jesus realizando a reanimação de um corpo que já se encontrava em estado de decomposição, foi recuperado, mas que continuou corruptível. Jesus apenas prolongou os dias de Lázaro com esse sinal extraordinário. Esse não é o único milagre do gênero narrado na Bíblia. Ainda no Antigo Testamento, Elias e Eliseu realizaram prodígios semelhantes: Elias restituíra a vida ao filho da viúva de Sarepta (cf. 1Rs 17,17-24), e Eliseu fizera o mesmo com o filho da sunamita (cf. 2Rs 4,8-37). Nos demais evangelhos temos outros dois episódios semelhantes: Jesus reanima o filho da viúva de Naim (cf. Lc 7,11-17) e a filha de Jairo (cf. Mc 5,22-43).

Como sempre, não dispensamos a contextualização, mesmo que breve, para que o texto possa ser melhor compreendido. Esse relato da reanimação de Lázaro está inserido entre duas ameaças de morte a Jesus da parte dos dirigentes ou chefes da religião oficial. Daí, já surge um dado interessante: à morte, Jesus responde com o dom da vida. No capítulo anterior, por ocasião da festa da dedicação do templo, os judeus quiseram apedrejar Jesus, acusando-o de blasfemador (cf. Jo 10,31-33), mas Ele conseguiu escapar e fugiu (cf. 10,39-40). Após restituir a vida de Lázaro, os chefes judeus, incluindo o Sumo Sacerdote, fizeram o plano definitivo para o aniquilamento de Jesus, pois Ele tinha ido longe demais dessa vez (cf. Jo 11,46-54). Portanto, em meio a duas situações de morte, Jesus manifesta a vida e a apresenta como resposta a toda e qualquer situação em que essa é ameaçada.

Voltemos agora o nosso olhar para o texto partindo do primeiro versículo, muito significativo, por sinal: “Havia um doente, Lázaro, de Betânia, povoado de Maria e de sua irmã Marta” (v. 1). O evangelista apresenta Betânia, cujo nome significa “casa da aflição”, como o espaço de uma comunidade cristã ideal, onde a fraternidade, de fato, reinava. Essa fraternidade é evidenciada pela apresentação que o evangelista faz de seus membros: Lázaro, Maria e Marta são apresentados apenas como irmãos, não há hierarquia entre eles, não há pai nem mãe, marido ou esposa, mas apenas pessoas irmão e irmãs, ou seja, pessoas iguais; essa é a comunidade ideal para o cultivo do amor e das relações fraternas e sinceras. Embora a comunidade de Betânia fosse ideal, ao mesmo tempo era vulnerável por dois motivos, principalmente: primeiro, por ser um povoado; segundo, porque estava próxima a Jerusalém (v. 18). Ora, o povoado na linguagem dos evangelhos (em grego κώμη – kôme), é sinônimo de mentalidade fechada, resistência e conservadorismo, pois é o lugar de preservação da tradição, onde a novidade não é bem recebida.

O segundo motivo para a vulnerabilidade da comunidade de Betânia só é apresentado no versículo 18, mas já adiantamos aqui: “Betânia ficava a uns três quilômetros de Jerusalém”. Infelizmente, a tradução litúrgica omite o advérbio “perto” (em grego: εγγύς – enghys), presente no texto original; a tradução mais justa seria, portanto, “Betânia estava perto de Jerusalém cerca de três quilômetros”. Para a proximidade geográfica, a indicação dos três quilômetros (quinze estádios) seria suficiente. O advérbio faz falta porque a ênfase que o evangelista está dando é à proximidade ideológica. Estando próxima a Jerusalém, essa comunidade era facilmente influenciada pela ideologia e o poder dominantes, ou seja, pelo judaísmo oficial. A influência de Jerusalém sobre a comunidade de Betânia se evidencia ao longo de todo o texto pela reação dos personagens diante do fenômeno da morte (vv. 19.21.24.31.33.37), e diante de Jesus. Diz o texto que “Muitos judeus tinham vindo à casa de Marta e Maria para as consolar por causa do irmão” (v. 19), quer dizer que a morte era vista como causa de desespero e medo, e Jesus não era conivente com essa mentalidade. Por isso, Ele prefere não entrar no povoado: Marta vai ao encontro dele e, depois, também Maria, pois Jesus a tinha chamado (vv. 20.28.30).

No povoado, concebia-se a morte com o respaldo da religião oficial: as irmãs choravam desesperadamente, sendo consoladas pelos judeus que tinham ido de Jerusalém. Por isso, Jesus fica fora do povoado (v. 30), porque somente saindo das antigas estruturas e mentalidade é possível vivenciar o triunfo da vida: de fora do povoado, Jesus chama as irmãs a saírem; Ele não entra e as conduz tomando-as pela mão, mas dá a liberdade de escolha; ao seu convite, as irmãs de Betânia e os cristãos de todos os tempos podem responder positiva ou negativamente. De Lázaro, o doente-morto-vivo, pouco se diz, pois, o objetivo do evangelista não é apresentar uma biografia sua, mas convidar a comunidade a escapar das estruturas de morte e despertá-la para Aquele que é “a Ressurreição e a Vida” (vv. 25-26), Jesus. Como o significado do nome Lázaro é “Deus ajuda”, podemos compreender o episódio narrado em torno da sua pessoa como um convite de Jesus à comunidade a buscar ajuda e consolo fora da Lei e das antigas instituições, por isso, Ele diz: “essa doença é para que o Filho de Deus seja glorificado por ela” (v. 4). Em Lázaro, Deus está ajudando a comunidade a sair da antiga mentalidade.

Como o texto é também um pré-anúncio da paixão, morte e ressurreição de Jesus, o evangelista ressalta alguns aspectos importantes da sua vida, sobretudo, no que diz respeito à sua humanidade: um homem de afetos e emoções! Cultivava amizade (v. 5), amava e se deixava ser amado, a ponto de ter o amor como a característica maior das relações recíprocas com seus discípulos: “Senhor, aquele que amas, está doente” (v. 3a); aqui, o evangelista apresenta Lázaro como o discípulo ideal, cuja relação com o Senhor é simplesmente o amor. Ser discípulo é sentir-se amado por Jesus e amar ao próximo com a mesma intensidade do amor recebido de Jesus. O afeto e a seriedade de Jesus nas relações com seus discípulos são muito bem apresentados por João nesse relato. Não poderia passar despercebido em nossa reflexão o registro marcante do versículo 35: “E Jesus chorou”. A interpretação para essa expressão tem sido muito questionada e variada ao longo do tempo. É inegável que foi uma demonstração de afeto e prova do seu amor pelo discípulo ideal, Lázaro.

Aqui, se faz necessária mais uma observação semântica. As irmãs choravam (vv. 31.33) e certamente outros amigos que foram ao encontro delas em solidariedade. Há, no entanto, uma distinção entre as duas maneiras de chorar, o que não se percebe na tradução litúrgica. Em relação a Maria, o evangelista emprega um verbo que significa chorar desesperadamente e com lamentos (em grego: κλαίω – klaío). Para afirmar o “choro” de Jesus, o evangelista emprega um outro verbo, que significa simplesmente “derramar lágrimas”, “lacrimejar” (em grego: δακρύω – dakryo), e expressa uma reação natural, sem desespero. Portanto, enquanto os demais, principalmente as irmãs, choravam desesperadamente, derretendo-se em prantos e lamentações, Jesus apenas derramou lágrimas porque, para Ele, a morte nunca é o fim. As lágrimas de Jesus causam admiração entre os judeus: “Então os judeus disseram: Vede como ele o amava” (v. 36). Ora, eles não conheciam a gratuidade do amor nas relações; viviam aprisionados pelo rigor da Lei; concebiam a relação com Deus a partir do modelo patrão-servo, dominador-dominado. Por isso, a Boa-Nova de Jesus não tinha boa aceitação no povoado. Por onde Jesus passa, o amor o acompanha e só quem ama e se sente amado pode acolhê-lo.

Jesus foi ao encontro das irmãs porque não abandona sua comunidade aflita e amava incondicionalmente Lázaro, a ponto de derramar lágrimas por ele (v. 35), mesmo não compactuando com a mentalidade delas. Porém, sua ida é pedagógica. Ao invés de alimentar aquela mentalidade, ainda influenciada pela religião oficial, Ele a combate: chega somente no quarto dia após a morte (v. 39) e não entra no povoado. A chegada no quarto dia foi proposital: Ele tinha consciência do que deveria fazer e já tinha expressado isso aos discípulos mais próximos: “o nosso amigo Lázaro dorme” (v. 11). Merece atenção aqui o possessivo plural: tudo o que Ele tinha e tem é compartilhado com os seus, inclusive as amizades e todas as relações. Na sua comunidade não há espaço para o individualismo: bens e afetos existem para a partilha. A chegado após quatro dias tinha como objetivo desmascarar uma falsa crença judaica de que até três dias após a morte, ainda era possível que o defunto voltasse a viver, pois acreditava-se que o espírito do morto ainda sobrevoava ao redor do cadáver. A partir do quarto dia, começava a decomposição e, portanto, o espírito ia embora. Realizando o sinal até o terceiro dia, a “glória do Filho de Deus” não seria manifestada, pois os presentes reconheceriam como algo natural, conforme a crença.

A ida de Jesus teve, portanto, um objetivo muito claro: libertar a comunidade da morte física, por um momento, e principalmente, da doença e morte ideológica, da qual a comunidade estava ameaçada. Chamou Lázaro para fora do túmulo (v. 43), ordenando que fosse retirada a pedra (v. 39). A pedra representa aqui, tudo o que separa a vida da morte: o medo, a violência, a opressão e tudo o que a Lei causava de mal no seio da comunidade. Para Jesus, a antiga Lei era sinal de morte. A ordem “Lázaro, vem para fora” (v. 43) é o convite final que Jesus faz para a liberdade. É necessário “desatar” (v. 44) o ser humano de tudo o que o impede de caminhar livremente em busca da vida plena e da dignidade. É necessário sair dos povoados e dos túmulos para caminhar com Jesus em busca de um mundo novo onde, de fato, reine o amor e a vida triunfe!


Pe. Francisco Cornelio F. Rodrigues – Diocese de Mossoró-RN

Subsídio para o 5º Domingo da Quaresma




A Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou, nesta quarta-feira, o roteiro para a celebração em família do 5º Domingo da Quaresma. O material conta com leitura, salmo e Evangelho, preces e oração no tempo de fragilidade, além de invocação de bênção e sugestões de cantos.

“Acolhendo a orientação das autoridades civis e sanitárias, nossos bispos no Brasil orientam os fiéis a permanecerem em suas casas, evitando aglomeração de pessoas e, consequentemente, não participando das celebrações eucarísticas. Desta forma, somos convidados a CELEBRAR o Dia do Senhor como Igreja doméstica, com nossos familiares, em nossas casas”, diz o documento que recorda as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora na Igreja do Brasil, no seu número 73:

“A casa, enquanto espaço familiar, foi um dos lugares privilegiados para o encontro e o diálogo de Jesus e seus seguidores com diversas pessoas (Mc 1,29; 2,15; 3,20; 5,38; 7,24). Nas casas Ele curava e perdoava os pecados (Mc 2,1-12), partilhava a mesa com publicanos e pecadores (Mc 2,15ss; 14,3), refletia sobre assuntos importantes, como o jejum (Mc 2,18-22), orientava sobre o comportamento na comunidade (Mc 9,33ss; 10,10) e a importância de se ouvir a Palavra de Deus (Mt 13,17.43).”

A Comissão para a Liturgia da CNBB recorda os vários horários de missas transmitidas pelos meios de comunicação, mas ressalta a importância de “não só acompanhar, mas celebrar com nossas famílias o Dia do Senhor”.

Algumas orientações para a celebração:


Escolher em casa um local adequado para celebrar e rezar juntos;

Preparar a Bíblia com o texto a ser proclamado, um crucifixo, uma imagem ou ícone de Nossa Senhora, uma vela a ser acesa no momento da celebração.

Escolha quem irá ser o “Dirigente (D)” da celebração: pode ser o pai ou mãe; e quem fará as leituras (L). Na letra (T), todos rezam ou cantam juntos.

Como sugestão, podem ser preparadas 6 velas apagadas para serem acesas no momento das preces.


CNBB

Papa Francisco: Abraçar o Senhor para abraçar a esperança

Com o cenário inédito da Praça São Pedro vazia com o Papa Francisco diante da Basílica Vaticana, o Pontífice afirmou que é "diante do sofrimento que se mede o verdadeiro desenvolvimento dos povos”. Francisco falou ainda da ilusão de pensar :que continuaríamos sempre saudáveis num mundo doente".

Bianca Fraccalvieri - Cidade do Vaticano
Abraçar o Senhor para abraçar a esperança: esta é a mensagem do Papa Francisco aos fiéis de todo o mundo que, neste momento, se encontram em meio à tempestade causada pela pandemia do coronavírus.
Diante de uma Praça São Pedro completamente vazia, mas em sintonia com milhões de pessoas através dos meios de comunicação, o trecho escolhido para a oração dos féis foi a tempestade acalmada por Jesus, extraído do Evangelho de Marcos.
E foi esta passagem bíblica que inspirou a homilia do Santo Padre, que começa com o “entardecer…”.
“Há semanas, parece que a tarde caiu. Densas trevas cobriram as nossas praças, ruas e cidades; apoderaram-se das nossas vidas, enchendo tudo de um silêncio ensurdecedor e de um vazio desolador… Nos vimos amedrontados e perdidos.”

Estamos todos no mesmo barco

Estes mesmos sentimentos, porém, acrescentou o Papa, nos fizeram entender que estamos todos no mesmo barco, “chamados a remar juntos”.
Neste mesmo barco, seja com os discípulos, seja conosco agora, está Jesus. Em meio à tempestade, Ele dorme – o único relato no Evangelho de Jesus que dorme – notou Francisco. Ao ser despertado, questiona: «Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» (4, 40).
“A tempestade desmascara a nossa vulnerabilidade e deixa a descoberto as falsas e supérfluas seguranças com que construímos os nossos programas, os nossos projetos, os nossos hábitos e prioridades. Mostra-nos como deixamos adormecido e abandonado aquilo que nutre, sustenta e dá força à nossa vida e à nossa comunidade.”

A ilusão de pensar que continuaríamos saudáveis num mundo doente

Com a tempestade, afirmou o Papa, cai o nosso “ego” sempre preocupado com a própria imagem e vem à tona a abençoada pertença comum que não podemos ignorar: a pertença como irmãos.
“Na nossa avidez de lucro, deixamo-nos absorver pelas coisas e transtornar pela pressa. Não nos detivemos perante os teus apelos, não despertamos face a guerras e injustiças planetárias, não ouvimos o grito dos pobres e do nosso planeta gravemente enfermo. Avançamos, destemidos, pensando que continuaríamos sempre saudáveis num mundo doente. Agora, sentindo-nos em mar agitado, imploramos-Te: «Acorda, Senhor!»”
O Senhor então nos dirige um apelo, um apelo à fé. Nos chama a viver este tempo de provação como um tempo de decisão: o tempo de escolher o que conta e o que passa, de separar aquilo que é necessário daquilo que não é. “O tempo de reajustar a rota da vida rumo ao Senhor e aos outros.”  

A heroicidade dos anônimos

Francisco cita o exemplo de pessoas que doaram a sua vida e estão escrevendo hoje os momentos decisivos da nossa história. Não são pessoas famosas, mas são “médicos, enfermeiros, funcionários de supermercados, pessoal da limpeza, transportadores, forças policiais, voluntários, sacerdotes, religiosas e muitos – mas muitos – outros que compreenderam que ninguém se salva sozinho”.
“É diante do sofrimento que se mede o verdadeiro desenvolvimento dos nossos povos”, afirmou o Papa, que recordou que a oração e o serviço silencioso são as nossas “armas vencedoras”.
A tempestade nos mostra que não somos autossuficientes, que sozinhos afundamos. Por isso, devemos convidar Jesus a embarcar em nossas vidas. Com Ele a bordo, não naufragamos, porque esta é a força de Deus: transformar em bem tudo o que nos acontece, inclusive as coisas negativas. Com Deus, a vida jamais morre.

Temos uma esperança

Em meio à tempestade, o Senhor nos interpela e pede que nos despertemos. “Temos uma âncora: na sua cruz fomos salvos. Temos um leme: na sua cruz, fomos resgatados. Temos uma esperança: na sua cruz, fomos curados e abraçados, para que nada e ninguém nos separe do seu amor redentor.”
Abraçar a sua cruz, explicou o Papa, significa encontrar a coragem de abraçar todas as contrariedades da hora atual, abandonando por um momento a nossa ânsia de onipotência e posse, para dar espaço à criatividade que só o Espírito é capaz de suscitar. “Abraçar o Senhor, para abraçar a esperança.” Aqui está a força da fé e que liberta do medo. Francisco então concluiu:
 “Deste lugar que atesta a fé rochosa de Pedro, gostaria nesta tarde de confiar a todos ao Senhor, pela intercessão de Nossa Senhora, saúde do seu povo, estrela do mar em tempestade. Desta colunata que abraça Roma e o mundo, desça sobre vocês, como um abraço consolador, a bênção de Deus.”

Presidente da CNBB reforça apelo para que as pessoas não saiam de casa


O pedido das autoridades para que a população não saia de casa tem sido reiterada vezes reforçado por causa da pandemia que tem avançado no Brasil e no mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o ritmo de transmissão está acelerado.
“A pandemia está se acelerando”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, nesta segunda-feira (23). Segundo ele, quase todos os países do mundo já registraram mais de 300 mil casos de infecção por Covid-19.
Na missa de hoje, o arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil repudiou o discurso em cadeia nacional de TV do presidente Jair Bolsonaro, proferido na noite de terça-feira, 24 de março. Segundo ele, a autoridade do Executivo nacional minimizou o que é preciso ser realizado, com responsabilidade, por todos.
“A pandemia da covid-19 não pode se compor como mais uma pandemia de irresponsabilidade, inconsequência e falta de sentido humanístico e respeitoso para com a dignidade humana“, afirmou.
Dom Walmor reforçou mais uma vez o apelo. “Fique em casa. Esta é a indicação das autoridades sanitárias competentes e sensatas. Trabalhemos tudo que podemos para ajudar a construir uma sociedade justa e fraterna. Os trabalhos precisam ser mantidos com as condições necessárias, resguardando e cuidando da vida de cada um de nós”, reforçou. Veja no vídeo abaixo a íntegra da fala.
O presidente da CNBB exigiu dos três poderes uma ação tendo em vista a construção de uma nova ordem social e política adequada. Do Executivo, disse esperar um grande projeto de contingência cujo objetivo é minimizar os impactos na vida dos pobres. Do Legislativo, disse que a Igreja espera, em todas as esferas, a corajosa postura de mostrar com exemplos que possam modificar o caminho da sociedade brasileira. E da Suprema Corte disse esperar a garantia e a defesa da ordem constitucional. Segundo ele, a Igreja no Brasil e a sociedade estão dispostas a serem solidárias e contribuírem de forma humanística, abrindo mão de muitas coisas.
Diante dessa realidade, a Igreja no Brasil tem se mobilizado e apelado para que as pessoas cumpram a quarentena. O Arcebispo de Belo Horizonte e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) já havia divulgado um vídeo, no último sábado, no qual apelou para que a população não saia de casa.
“É hora de colaborar. Vamos ter entre nós, agora, marcando o tecido da nossa cidadania uma atitude de solidariedade como bom samaritano, viu sentiu compaixão e cuidou dele. Não saia de casa, vamos colaborar. Do contrário, pagaremos um alto preço. O preço alto que já estamos pagando será ainda mais amargo, por isso vamos colaborar, não saia de casa”, diz dom Walmor na mensagem.
fonte: CNBB

Reflexão para o Quarto Domingo da Quaresma- João 9,1-41 (Ano A)





Neste quarto domingo da quaresma, continuamos a sequência da leitura de textos do Quarto Evangelho, iniciada no domingo passado com o episódio do encontro de Jesus com a mulher samaritana. Para hoje, a liturgia propõe o relato da cura do cego de nascença (Jo 9,1-41), um episódio exclusivo do Evangelho segundo João, e detentor de uma grande riqueza literária e teológica. Convém recordar que os evangelhos sinóticos também trazem relatos de cura de cegos (cf. Mt 12,22-23; Mc 8,22-26; 10,46-52; Lc 18,35-43), mas em nenhum deles há uma riqueza de detalhes tão grande como este de João. Pela extensão do texto, quarenta e um versículos, não comentaremos versículo por versículo, mas procuraremos colher a mensagem central e enfatizar alguns aspectos e trechos mais importantes.

Antes de adentrarmos diretamente no conteúdo do texto, é importante fazer uma breve contextualização. O cenário do relato é a cidade de Jerusalém. Ora, Jesus tinha ido à “cidade santa” para a festa das tendas (cf. Jo 7,1-2.14), uma das três grandes festas de peregrinação dos judeus, juntamente com a páscoa e pentecostes; foi com receio, certamente, uma vez que já estava “jurado de morte” (cf. Jo 7,1) pelas autoridades judaicas, devido à fama que se tinha propagado em decorrências de sua mensagem e, principalmente, por causa dos sinais que estava cumprindo. Por falar em sinais, a cura do cego de nascença, relatada no evangelho de hoje, é o sexto dos sete sinais que Jesus realiza no Quarto Evangelho, a saber: 1) a mudança da água em vinho – Jo 2,1-12; 2) a cura do funcionário real – Jo 4,46-54; 3) a cura do enfermo (paralítico) de Betesda – Jo 5,1-18; 4) a multiplicação dos pães – Jo 6,1-15; 5) a caminhada sobre o mar – Jo 6,16-21; 6) a cura do cego de nascença – Jo 9,1-41; 7) a ressurreição de Lázaro (reanimação) – Jo 11,1-44.

Ao realizar os sinais, Jesus manifestava a glória de Deus, ganhava adesão ao seu projeto e confirmava ser o Cristo, o Filho de Deus (cf. Jo 2,1; 21,30-31). Com isso, o poder religioso o via cada vez mais como uma ameaça e, por isso, queria eliminá-lo. Os sinais de Jesus mostravam que Deus não se deixava manipular pela instituição religiosa. As autoridades religiosas viam desmoronar seus poderes e privilégios; queriam eliminar Jesus porque ele era uma pessoa perigosa para o sistema. Durante a festa das tendas, Ele tinha passado dos limites ao se autoproclamar a “luz do mundo” (cf. Jo 8,12) e o “Filho eterno do Pai” (cf. 8,54-58). Por essa sua ousadia, as autoridades religiosas o consideraram “um samaritano e endemoniado” (cf. Jo 8,48) e, por isso, queriam apedrejá-lo. É, portanto, recordando o último versículo do capítulo anterior que devemos ler o texto de hoje: “Eles pegaram, então, pedras para atirar em Jesus. Mas Jesus se escondeu e saiu do templo” (Jo 8,59).

Uma vez contextualizados, voltemos a atenção para o texto de hoje, o qual começa assim: “Ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença” (v. 1). Mesmo apressado, pois estava fugindo da tentativa de apedrejamento, Jesus vê a necessidade do outro e age com solidariedade e compaixão. Para a mentalidade da época, todo tipo de doença e deficiência era sinal de maldição e castigo, pois tudo isso era considerado consequência do pecado, ou da pessoa mesmo ou dos antepassados. Acreditava-se também que uma criança pudesse pecar ainda no ventre materno. Inclusive, os próprios discípulos de Jesus comungavam dessa mentalidade: “Os discípulos perguntaram a Jesus: ‘Mestre, quem pecou para que nascesse cego: ele ou os seus pais?” (v. 2). A cegueira se destacava entre todas as deficiências, pois impedia que a pessoa pudesse estudar e conhecer a Lei. Teologicamente, a cegueira era pior até do que a lepra. Ora, o leproso devia isolar-se completamente da sociedade, mas devido às aparências e a exposição das feridas; porém, um leproso poderia ter conhecido a Lei antes de contrair a lepra; já um cego de nascença, não. Como o homem visto por Jesus era cego de nascença, significa que ele nunca tinha tido contado com a Lei, portanto, era um condenado; não vivia, mas apenas vegetava, mesmo não sendo necessário o isolamento do convívio social, por não ter feridas expostas, como os leprosos.

É claro que Jesus não concordava com a mentalidade vigente. Por isso, corrige seus discípulos e expressa a sua pressa em sanar a situação de marginalização vivida pelo homem cego (vv. 3-4). A cegueira não é vontade de Deus e nem punição a possíveis pecados cometidos. Também não é condição para que a glória de Deus se manifeste, como poderia ser interpretada sua afirmação no v. 3. No entanto, onde a vida é escassa, quer dizer, onde a criação não encontrou sua plenitude, há espaço para que a glória de Deus se manifeste sanando a deficiência. Para isso, é necessário que toda a comunidade participe, juntando forças. Por isso, Jesus compartilha com os discípulos a sua responsabilidade de trabalhar para realizar as obras do Pai que o enviou (v. 4), aprimorando a criação. E isso deve ser feito com urgência, ou seja, “enquanto é dia” (v. 4). Considerando que seus dias estavam praticamente contados, depois de tantas ameaças, já não havia mais tempo a perder. A “chegada da noite” (v. 4) significa a sua morte que se tornava cada vez mais próxima. Quando está em questão a liberdade e a dignidade do ser humano, os discípulos de Jesus devem agir com pressa, como Ele mesmo agia, mesmo tendo que contrariar códigos e regras morais, sejam civis ou religiosos.

Destaca-se neste episódio, especialmente, a bondade e a compaixão de Jesus: o cego não pede nada, não lhe faz nenhuma súplica, ao contrário de outras curas em que as pessoas necessitadas lhe suplicam a cura. Para João, o olhar de Jesus já é suficiente para perceber a necessidade do outro, sentir compaixão e intervir, como faz aqui: “Jesus cuspiu no chão, fez lama com a saliva e colocou-a sobre os olhos do cego, e disse-lhe: ‘Vai lavar-te na piscina de Siloé (que quer dizer: enviado). O cego foi, lavou-se e voltou enxergando” (vv. 6-7). O gesto de cuspir no chão e fazer lama com a saliva é carregado de um forte simbolismo: o barro alude à criação, é a matéria prima do ser humano, conforme a mentalidade bíblica. De acordo com essa mesma mentalidade, a saliva é gerada pelo hálito, e esse é o sopro, o espírito. Com isso, o evangelista quer dizer que Jesus repete o gesto criador de Deus (cf. Gn 2,7), ou seja, aperfeiçoa a criação do Pai. O homem que até então vegetava, passou a viver de verdade a partir do encontro com Jesus que lhe deu vida. A ordem para o homem lavar-se na piscina de Siloé significa a participação e a responsabilidade humana na criação e na salvação. Deus não quer o ser humano passivo, mas participante ativo de sua obra. Como “luz do mundo” (v. 5), Jesus aponta o caminho e quem o segue encontra a luz, como o cego “voltou enxergando” da piscina ao cumprir a sua ordem. Quem segue a palavra de Jesus encontra luz e sentido para a vida. Ao ir à piscina, conforme a ordem de Jesus, o cego demonstrou adesão ao Evangelho; por isso, passou a enxergar. O relato poderia ser encerrado aqui, mas o evangelista pretende muito mais.

Entre aqueles que conheciam o cego, o espanto é geral: ao invés de um homem miserável e considerado amaldiçoado, eles passam a ver um homem novo, restaurado e íntegro (vv. 8-12). A admiração começa entre os vizinhos, passa pelos que o viam mendigando, até chegar nos fariseus e autoridades religiosas. O motivo de tamanho espanto é compreensível, considerando a afirmação do próprio homem ao defender-se das acusações: “Jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença” (v. 32). De fato, em toda a Bíblia, não há registro de nenhum outro milagre de um cego de nascença. Há curas de cegos, sim, mas não com essa indicação. Os fariseus, como representantes do sistema de dominação, reagem com rigor e até com violência, porque vêem que a luz de Deus, que eles e todo o sistema ofuscavam, brilha em Jesus e em quem cumpre a sua palavra. A face de Deus, que a religião tinha ofuscado e transformado em mercadoria, é restituída gratuitamente ao povo por Jesus. Por isso, inconformados, os líderes religiosos judeus submetem o homem curado a um longo interrogatório, sem aceitar nenhuma das respostas. E, tudo isso, por causa da rejeição a Jesus e o medo que o seu projeto libertador representava para as elites.

O fato de Jesus ter curado em dia de sábado já era, por si só, motivo de escândalo, ainda mais da forma como fez: “era sábado, o dia em que Jesus tinha feito lama e aberto os olhos do cego” (v. 14). Ao tocar na terra para fazer lama, Jesus realizou um trabalho braçal em dia de sábado, um pecado abominável para os judeus. Esse foi o principal motivo do cerco contra o homem e contra o próprio Jesus. Os judeus consideravam o mandamento do sábado como o maior de todos, pois é o único que até mesmo Deus observou (cf. Ex 20,110); era assim que eles ensinavam sobre a sacralidade do sábado. Com isso, eles passaram a ter ainda mais motivos para rejeitar Jesus e o seu programa. É importante recordar que João usa o termo “judeus” referindo-se às autoridades religiosas, e não a todo o povo. Neste episódio ele varia entre judeus e fariseus (vv. 13; 15; 16; 18; 22; 24; 34; 40), mas sempre em referência às lideranças, e não a todo o povo.

O ex-cego é literalmente encurralado pelos líderes religiosos porque deixou de ser um dominado; tornou-se um sujeito autônomo, um homem livre. A situação chega ao ponto de ser necessário o depoimento dos seus pais (vv. 18-23). Com medo da repressão, os pais passam a responsabilidade para o filho: é ele quem tem que responder por seus atos (v. 21). Reconhecendo-se incapazes de convencer com argumentos e testemunho, os chefes judeus apelam para a violência, como acontece com todos os sistemas opressores. Por isso, “expulsaram-no da comunidade” (v. 34b), ou seja, o baniram da sinagoga. É a religião agindo com tirania, banindo a vida, ao invés de protege-la. É claro que não havia espaço para Jesus e seu projeto libertador numa religião como aquela. Na verdade, esse conflito reflete o ambiente das comunidades joaninas, e não propriamente o tempo de Jesus. Escrito no final dos anos 90 d.C., o Evangelho segundo João testemunha a separação das comunidades cristãs da sinagoga. Os cristãos foram, de fato, expulsos da sinagoga ao declararem Jesus como o Messias (v. 22). E esse episódio foi a melhor oportunidade que João encontrou para retratar essa realidade, uma vez que “dar vista aos cegos” era um dos principais sinais messiânicos anunciados pelos profetas (cf. Is 29,18; 42,7).

Jesus se manifesta novamente, ao saber que o homem tinha sido expulso da comunidade sinagogal e vem ao seu encontro (v. 35). Embora a versão litúrgica afirme que Jesus “encontrou” o homem, a tradução correta seria “foi encontrá-lo” (v. 35), o que significa que Jesus foi procura-lo. Como sempre, Jesus resgata o que a religião descartou. A religião exclui e Jesus inclui; os sistemas dominantes separam e Jesus junta; a religião do templo oprime e Jesus liberta. No final da discussão, Jesus mostra a grande inversão de valores e de papéis: os verdadeiros cegos são os fundamentalistas que, apegados à Lei e aos mais diversos códigos de conduta, sufocam a vida do ser humano, privando-o da liberdade e da dignidade. Para esse tipo de cegueira, não há justificativa (v. 41).

Assim como João escreveu pensando na sua comunidade, também devemos pensar nas comunidades de hoje em dia: se essas não promovem a vida e a liberdade do ser humano, estão distantes da proposta de Jesus. Se prevalece a norma sobre a caridade, o Evangelho é esquecido. Se o conhecimento continua concentrado em um pequeno grupo que controla tudo, está mais para a sinagoga do que para a comunidade cristã. Se há imposição de ideias, decisões e normas, continua-se a gerar cegos, ao invés de pessoas conscientes e iluminadas.

Pe. Francisco Cornelio F. Rodrigues – Diocese de Mossoró-RN

Missa pela Saúde com Dom Mariano Manzana


A partir deste domingo, 22, o bispo Diocesano de Mossoró, Dom Mariano Manzana, vai celebrar a Eucaristia, diariamente, pelos meios de comunicação social disponíveis.
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A missa deste domingo terá o apoio de todas as rádios AMs e FMs de Mossoró e de diversas emissoras da região oeste do estado em cadeia com a Rádio Rural de Mossoró.
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A TCM Telecom Canal 10, a TV Mossoró e a rede Telecab vão transmitir também a Santa Missa pela Saúde.
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Também será possível assistir a celebração pelo Facebook e YouTube da Paróquia Santa Luzia Mossoró e pelo Facebook da Diocese de Mossoró.
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AGENDA:
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Domingos às 11h;
Segunda à sábado às 18h.

EMISSORAS DE RÁDIO:
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Rádio Rural de Mossoró 990 AM - www.ruraldemossoro.com.br
Rádio Difusora 1170 AM
Rádio RPC Mossoró 1060 AM
Rádio FM 105 Santa Clara
Rádio 95 FM de Mossoró
Resistência 93.7 Mossoró
Liberdade FM de São Miguel
Rádio FM Fraternidade Umarizal
Venha Ver FM
Rádio Dumbo FM 96.5 de Pau dos Ferros
FM Portalegre 104.9
Ação Web Rádio de São Miguel
Opção FM de Coronel João Pessoa
98FM de Apodi
LutaFM de Apodi
Rádio Vitória FM de Marcelino Vieira
A Rádio Voz Serriense de Serrinha dos Pintos
Minha Vida FM 107,9 - Martins
Rádio educadora Patuense 87.9 - Patu
A Rádio FM Salinas 104,9 - Grossos
FM Bom Lugar 104,9 - Severiano Melo

FM da Paz de Viçosa