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Olhemos o Crucifixo e abramos o Evangelho



Caros irmãos e irmãs!

Nessas semanas de apreensão devido à pandemia que está fazendo o mundo sofrer tanto, entre as muitas perguntas que fazemos a nós mesmos, também pode haver perguntas sobre Deus: o que ele faz diante de nossa dor? Onde está quando tudo dá errado? Por que não resolve nossos problemas rapidamente? Esses são questionamentos que fazemos sobre Deus.

Nos ajuda a história da Paixão de Jesus, que nos acompanha nesses dias santos. Também ali, de fato, muitas perguntas se reúnem. O povo, depois de receber Jesus triunfantemente em Jerusalém, se pergunta se ele finalmente libertaria o povo de seus inimigos (cf. Lc 24,21). Eles esperavam um Messias poderoso e triunfante com a espada. Em vez disso, chega um homem benévolo e de humilde coração, que chama à conversão e à misericórdia. E foi precisamente a multidão que o elogiara anteriormente que gritou: “Que seja crucificado!” (Mt 27,23). Aqueles que o seguiram, confusos e assustados, o abandonam. Eles pensaram: se o destino de Jesus é esse, o Messias não é Ele, porque Deus é forte, Deus é invencível.

Se continuarmos, porém, lendo a narração da Paixão, encontraremos um fato surpreendente. Quando Jesus morre, o centurião romano, que não era crente, não era judeu, mas era pagão, que o viu sofrer na cruz e o ouviu perdoar a todos, que tocou com a mão o seu amor sem medida, confessa: “Realmente, este homem era o filho de Deus” (Mc 15,39). Diz exatamente o oposto dos outros. Ele diz que existe Deus, que é verdadeiramente Deus.

Hoje, podemos nos perguntar: qual é a verdadeira face de Deus? Geralmente, projetamos o que somos nele, na máxima potência: nosso sucesso, nosso senso de justiça e também nossa indignação. Mas o Evangelho nos diz que Deus não é assim. É diferente e não poderíamos conhecê-lo com nossas próprias forças. Foi por isso que Ele se aproximou, veio nos encontrar e se revelou completamente na Páscoa. E onde se revelou completamente? Na cruz. Lá aprendemos as características da face de Deus: não esqueçamos, irmãos e irmãs, que a cruz é a cátedra de Deus.

Fará bem a nós permanecermos olhando para o Crucificado em silêncio e ver quem é o nosso Senhor: é Ele que não aponta o dedo contra ninguém, nem mesmo contra os que o crucificam, mas abre os braços a todos; que não nos esmaga com a sua glória, mas se deixa despir por nós; não nos ama em palavras, mas nos dá vida em silêncio; não nos força, mas nos liberta; não nos trata como estrangeiros, mas carrega sobre si o nosso mal, leva nossos pecados sobre si mesmo. E assim, para nos libertarmos dos preconceitos sobre Deus, olhamos para o Crucifixo. E depois, abramos o Evangelho. Nestes dias, todos em quarentena e em casa, fechados, tomemos essas duas coisas em mãos: o Crucifixo, e o olhamos; e abramos o Evangelho. Isso será para nós – por assim dizer – como uma grande liturgia doméstica, porque, atualmente, não podemos ir à igreja. Crucifixo e Evangelho!

No Evangelho, lemos que, quando as pessoas vão a Jesus para fazê-lo rei, por exemplo, depois da multiplicação dos pães, ele sai (cf. Jo 6,15). E quando os demônios querem revelar sua majestade divina, Ele os silencia (cf. Mc 1,24-25). Por quê? Porque Jesus não quer ser mal entendido, ele não quer que as pessoas confundam o Deus verdadeiro, que é o amor humilde, com um deus falso, um deus mundano, que faz espetáculo e se impõe à força. Ele não é um ídolo. É Deus quem se fez homem, como cada um de nós, e se expressa como homem, mas com a força de sua divindade. Em vez disso, quando é proclamada, solenemente, a identidade de Jesus no Evangelho? Quando o centurião diz: “Ele, realmente, era o Filho de Deus”. É dito lá, assim que ele deu a vida na cruz, porque não podemos mais errar: vemos que Deus é onipotente no amor, e não de outro modo. É a sua natureza, porque é feita dessa maneira. Ele é Amor.

Você poderia objetar: “O que faço com um Deus tão fraco, que morre? Eu preferiria um deus forte, um Deus poderoso! ”. Mas você sabe, o poder deste mundo passa, enquanto o amor permanece. Somente o amor guarda a vida que temos, porque abraça nossa fragilidade e a transforma. É o amor de Deus que, na Páscoa, curou nosso pecado com seu perdão, que fez da morte uma passagem de vida, que transformou nosso medo em confiança, nossa angústia em esperança. A Páscoa nos diz que Deus pode transformar tudo para o bem. Que com Ele podemos, realmente, confiar que tudo ficará bem. E isso não é uma ilusão, porque a morte e ressurreição de Jesus não são uma ilusão: é uma verdade! É por isso que, na manhã de Páscoa, nos é dito: “Não tenha medo!” (cf. Mt 28,5). E as perguntas angustiantes sobre o mal não desaparecem repentinamente, mas encontram, no Ressuscitado, o fundamento sólido que nos permite não naufragar.

Queridos irmãos e irmãs, Jesus mudou a história tornando-se próximo a nós e fez dela, embora ainda marcada pelo mal, uma história de salvação. Ao oferecer sua vida na cruz, Jesus também venceu a morte. Do coração aberto do Crucificado, o amor de Deus alcança cada um de nós. Nós podemos mudar nossas histórias nos aproximando d’Ele, aceitando a salvação que ele nos oferece. Irmãos e irmãs, vamos abrir todo o nosso coração em oração, nesta semana, nos dias de hoje: com o Crucificado e com o Evangelho. Não se esqueça: Crucifixo e Evangelho. A liturgia doméstica será essa. Vamos abrir todo o nosso coração em oração, deixando o seu olhar repousar sobre nós e entenderemos que não estamos sozinhos, mas amados, porque o Senhor não nos abandona e nunca nos esquece. E com esses pensamentos, desejo a você uma Santa Semana e uma Santa Páscoa.

Papa Francisco
Biblioteca do Palácio Apostólico

Programa A Luz da Diocese recebe Dom Jaime Vieira Rocha




O programa A Luz da Diocese terá como entrevistado nesta segunda-feira, 01, às 17h25, pela TCM HD, o arcebispo de Natal, Dom Jaime Vieira Rocha.
Um bom bate-papo sobre o papel da Igreja em tempos de pandemia. Respeitando as normas das autoridades de saúde, Padre Flávio Augusto apresentará direto de sua casa e entrevistará Dom Jaime por meio do skype. Acompanhe pela @tcm.hd , pelo site tcm10hd.com.br e apps TCM HD Play,TCM Play e pela Rádio Rural de Mossoró.

Comissão Nacional de Presbíteros registra mais de 100 casos confirmados de padres com Covid-19



A CComissão Nacional de Presbíteros (CNP), vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), divulgou nessa sexta-feira, 29 de maio, o número de padres do Brasil acometidos pela Covid-19. O levantamento traz a confirmação de 117 infectados e 14 mortes. Os dados, apresentados pela CNP, foram consolidados com base em consultas aos regionais da CNBB (atualmente 18) e apresentados em reunião na última quinta-feira, via online, com os membros da presidência da CNP juntamente com os presidentes das Comissões Regionais de Presbíteros.
Pe. Jadilson, de Aracaju (SE), está curado
Pe. Jadilson, de Aracaju (SE), está curado
Na tabela é possível constatar que o regional Norte 2 da CNBB, que abrange os estados do Pará e Amapá, é o que mais contabiliza infecções de padres por Covid (41) e mortes (05). Em segundo lugar, por número de infectados, está o regional Nordeste 2 que abrange os estados do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas. Foram contabilizados 19 infectados e uma morte.
O regional Sul 1, que abrange o Estado de São Paulo, ocupa o terceiro lugar em número de infectados (13) e o segundo em número de mortes (03). “É de suma importância termos ciência do número de presbíteros infectados ou que vieram a óbito, em primeiro lugar para podermos estar em comunhão pela oração e comunhão espiritual; em segundo lugar para termos notícias de quantos irmãos infectados conseguiram vencer o vírus e assim alegrarmo-nos juntos”, informou a Comissão.
A Comissão disse que a preocupação e motivação em dar visibilidade ao número de casos está ligada ao cuidado com os irmãos presbíteros, em sintonia com aquilo que foi refletido no 17° Encontro Nacional de Presbíteros, em 2018, que teve como tema “Presbítero: discípulo do Senhor, Pastor do Rebanho” e o lema “Cuidai de vós mesmos e de todo o Rebanho, pois o Espirito Santo vos constitui como guardiães” (Atos 20,28).
“Este é um tempo de cuidar e nada mais justo do que cuidar dos cuidadores. Por isso, a CNP deseja saber como os presbíteros do Brasil estão se cuidando e, ao mesmo tempo, incentiva a todos para que cuidem bem de sua saúde física e psíquica para que possam continuar a sua missão de cuidadores”, afirmou a presidência da Comissão.
Confira, a tabela disponibilizada pela CNP no site da CNBB

Reflexão para a Solenidade de Pentecostes- João 20,19-23





Todos os anos, o evangelho proposto pela liturgia na solenidade de Pentecostes é Jo 20,19-23, texto que relata a primeira manifestação do Senhor Ressuscitado aos discípulos, ao anoitecer do primeiro dia da semana, ou seja, o domingo mesmo da páscoa. Esse texto já foi lido na liturgia dominical deste tempo pascal, como parte do evangelho do segundo domingo: Jo 20,19-31. Embora estejamos de fato há cinquenta dias da páscoa, o evangelho de hoje nos remete ao dia mesmo da ressurreição.

Pentecostes era uma das três maiores festas do calendário litúrgico judaico, juntamente com as festas da páscoa e das tendas. Era celebrada cinquenta dias após a páscoa. Na Bíblia hebraica é chamada de “festa das semanas”, pois contavam-se sete semanas após a páscoa, mais um dia, o que totalizava cinquenta dias. Por isso, ganhou o nome de “pentecostes” (em grego: πεντηκοστή – pentecoste) a partir da dominação grega, cujo significado é simplesmente quinquagésimo dia (cf. Tb 2,1; 2Mc 12,32). Como todas as festas judaicas, também pentecostes tem suas origens ligadas à vida agrícola do povo; era a festa da colheita. Os peregrinos iam a Jerusalém agradecer pela colheita, levando os melhores grãos e frutos da terra como oferta, em gratidão a Deus.

Com o passar do tempo, essa festa foi perdendo sua relação com a agricultura, e foi ganhando um novo significado, com uma conotação mais religiosa. O motivo da celebração passou, então, a ser o agradecimento a Deus pelo dom da Lei ao seu povo. Na época de Jesus e dos apóstolos, esse novo sentido já estava consolidado: os judeus de todas as partes do mundo, conforme as condições, iam a Jerusalém, para agradecer a Deus pelo dom da Lei dada através de Moisés. Lucas, autor dos Atos dos Apóstolos, se serve desse contexto e faz coincidir o envio do Espírito Santo com a festa judaica de pentecostes, como artifício literário e teológico, para ensinar às suas comunidades que a nova lei é o Espírito Santo. Para permanecer fiel a Jesus e ao seu Evangelho, a comunidade cristã já não necessita das prescrições da Lei de Moisés, deve apenas estar sensível e aberta aos dons do Espírito Santo.

Ao contrário de Lucas, João faz de tudo para que os referenciais da sua comunidade não coincidam com os esquemas litúrgicos judaicos. Para João, inclusive, as festas dos judeus em Jerusalém sempre foram muito conflituosas para Jesus; eram sempre momentos de confronto e ameaça (cf. 2,13ss; 5,1.18; 7,1ss; 10,31; 11,56). Por isso, João situa a transmissão do Espírito Santo por Jesus aos discípulos, no dia mesmo da ressurreição. Embora a Igreja tenha adotado o esquema de Lucas, a perspectiva da comunidade joanina tem mais sentido e responde melhor às necessidades dos discípulos, como mostra o Evangelho de hoje: “Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: A paz esteja convosco!” (v. 19). Ora, amedrontada e sem poder de ação, essa comunidade não teria condições de esperar cinquenta dias para receber o Espírito Santo. É somente pela força do Espírito Santo que as portas são abertas e os dons comunicados pelo Ressuscitado podem ser experimentados por todos.

A comunidade dos discípulos estava em crise, profundamente abalada. Até aquele momento, somente Maria Madalena e o Discípulo Amado tinham convicção da ressurreição (cf. Jo 20,8.16-18). A morte de Jesus na cruz foi um alerta para os discípulos: quem continuasse propagando ideias como as dele, poderia terminar da mesma forma. Por isso, estavam as portas trancadas, devido ao medo. Por “medo dos judeus” entende-se o medo das autoridades, e não de todo o povo; é típico de João usar o termo “judeus” referindo-se às autoridades de Jerusalém (cf. Jo 9,22; 12,42; 16,16). Apesar do medo, o fato de estarem reunidos é um sinal de esperança. Porém, não poderiam continuar naquela situação. O medo impede a missão, as portas fechadas bloqueiam o anúncio da Boa Nova.

Ao medo dos discípulos, o Ressuscitado responde com o dom da sua paz, não como mera saudação, mas como plenitude de vida e equilíbrio, o bem-estar da pessoa em todas as suas dimensões, condição indispensável para a felicidade. Jesus comunica a sua paz estando no meio, quer dizer, no centro da comunidade. Para que os dons do Ressuscitado sejam realmente acolhidos, é necessário que a sua centralidade na comunidade seja respeitada; isso vale para todos os tempos e lugares. Para uma comunidade viver realmente os propósitos do Evangelho é necessário, antes de tudo, que no centro do seu existir esteja o Ressuscitado e somente Ele, pois é Ele o único ponto de referência e fator de unidade. Por isso, ao se manifestar, o Ressuscitado aparece sempre no meio.

Na continuidade da experiência, diz o texto que Jesus “mostrou-lhes as mãos e o lado” (v. 20a). Ao mostrar as mãos e o lado, Jesus mostra a continuidade entre o Ressuscitado e o Crucificado; se trata da mesma pessoa. O Ressuscitado traz as marcas do Crucificado, porque cruz e glória não se separam. Nas mãos e no lado de Jesus está a sua identidade de quem viveu para servir e amar. As mãos são símbolo e recordação do serviço e de todo o bem que Jesus fez: são as mãos que tocaram em leprosos, mesmo sendo proibido (cf. Mc 1,40), mãos que acariciaram crianças, gerando revolta nos discípulos (cf. Lc 18,15-16; Mt 19,13-15), mãos que abriram olhos de cegos (cf. Jo 9,6), mãos que curaram enfermos e expulsaram demônios (cf. Lc 4,40; 13,13), mãos que lavaram os pés dos discípulos (cf. Jo 13,1-12); enfim, são mãos que promoveram a vida e combateram o mal.

As marcas da cruz não apagaram a força das mãos de Jesus. Essas mãos continuam à disposição da comunidade, e a comunidade, por sua vez, tem a missão de fazer no mundo o mesmo que aquelas mãos do Ressuscitado fizeram, ou seja, servir infinitamente e sem distinção. Também o lado, ou seja, o peito aberto, tem o mesmo significado de continuidade: é o mesmo coração com o qual Ele amou-os infinitamente (cf. Jo 13,1), e continua amando da mesma forma. As mãos e o lado de Jesus são a síntese da sua vida, da sua mensagem e da sua práxis. Ele doa o Espírito Santo aos discípulos para que suas mãos e o seu coração continuem presentes no mundo servindo e amando de modo ainda mais eficaz. Por isso, “os discípulos se alegraram por verem o Senhor” (v. 20b). Como fruto da paz transmitida pelo Ressuscitado, a alegria deve ser também uma das características da comunidade que deve viver para amar e servir.

A paz como bem-estar do ser humano é novamente oferecida: “novamente Jesus disse: A paz esteja convosco” (v. 21a) A passagem do medo à alegria poderia tornar-se uma simples euforia, por isso a paz é doada novamente para equilibrar a comunidade. Aqui, a paz não significa alívio ou tranquilidade, mas sinal de liberdade e vida plena; é a capacidade de assumir livremente as consequências das opções feitas. Tendo plenamente comunicado a paz como seu primeiro dom, o Ressuscitado os envia, como fora ele mesmo enviado pelo Pai: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio” (v. 21b). Ao contrário de Mateus e Lucas que determinam as nações e até os confins da terra como destinos da missão (cf. Mt 28,19; Lc 24,47; At 1,8), em João isso não é determinado. Jesus simplesmente envia. Sem diminuir a importância da missão em sua dimensão universal, o mais importante para o Quarto Evangelho é a comunidade. É essa a primeira instância da missão, porque é nessa onde estão as situações de medo, de desconfiança, de falta de entusiasmo, por isso é a primeira a necessitar da paz e do Espírito do Ressuscitado.  

Jesus tinha prometido o Espírito Santo aos discípulos na última ceia (cf. Jo 14,16.26; 15,26). Agora, a promessa é cumprida: “E depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: Recebei o Espírito Santo” (v. 22). Aqui, o evangelista usa o mesmo verbo empregado no relato da primeira criação do ser humano: “O Senhor modelou o ser humano com a argila do solo, soprou-lhe nas narinas um sopro de vida, e o ser humano tornou-se vivente” (Gn 2,7). Com isso, o evangelista quer dizer que está sendo realizada uma nova criação. O verbo soprar (em grego: έμφυσάω – emfysáo) significa doação de vida. Assim, podemos dizer que Jesus recria a comunidade e, nessa, a humanidade inteira. Ao receber o Espírito, a comunidade se torna também comunicadora dessa força de vida. É o Espírito quem mantém a comunidade alinhada ao projeto de Jesus, porque é Ele quem faz a comunidade sentir, viver e prolongar a presença do Ressuscitado como seu único centro e fundamento, colocando à disposição da humanidade mãos e coração para servir e amar continuamente. 

O Espírito Santo garante responsabilidade à comunidade, e não propriamente poder: “A quem perdoardes os pecados eles lhes serão perdoados; a quem não perdoardes, eles lhes serão retidos” (v. 23). A responsabilidade da comunidade cristã é reconciliar o mundo com Deus, levar a paz e o amor do Ressuscitado a todas as pessoas, de todos os lugares e em todos os tempos, fazendo o bem como Ele mesmo fez. A comunidade cristã tem essa grande missão: fazer-se presente em todas as situações para, assim, tornar presente também o Ressuscitado com a sua paz, suas mãos e seu coração; e é o Espírito Santo quem a habilita a fazer isso. Não se trata, portanto, de poder para determinar se um pecado pode ou não pode ser perdoado. É a responsabilidade da obrigatoriedade da presença cristã para que, de fato, o mundo seja reconciliado com Deus.  

Movida pelo Espírito Santo, a comunidade tem a responsabilidade de levar misericórdia de Deus a todas as realidades, para que toda a humanidade seja recriada e, assim, o pecado seja definitivamente tirado do mundo (cf. Jo 1,29). João, o batista, apontou para Jesus como o responsável por fazer o pecado desaparecer do mundo. Agora, é Jesus quem confia à sua comunidade de discípulos essa responsabilidade. Os pecados são perdoados à medida em que o amor de Jesus vai se espalhando pelo mundo, quando seus discípulos se deixam conduzir pelo Espírito Santo. O que perdoa mesmo os pecados é o amor; logo, ficam pecados sem perdão quando os discípulos e discípulas de Jesus deixam de comunicar esse amor. Em outras palavras, os pecados ficarão retidos quando houver omissão da comunidade. 

Deixando-se conduzir pelo Espírito Santo, a comunidade atualiza e prolonga, no tempo e no espaço, a missão única de Jesus de revelar o amor de Deus a todas as pessoas. O Espírito Santo torna as mãos e o coração de Jesus sempre presentes no mundo, através dos seus seguidores.

Pe. Francisco Cornelio F. Rodrigues – Diocese de Mossoró-RN

Mensagem do Papa Francisco ao Dia Mundial das Comunicações Sociais 2020



« “Para que possas contar e fixar na memória” (Ex 10, 2).
A vida faz-se história 
»

Desejo dedicar a Mensagem deste ano ao tema da narração, pois, para não nos perdermos, penso que precisamos de respirar a verdade das histórias boas: histórias que edifiquem, e não as que destruam; histórias que ajudem a reencontrar as raízes e a força para prosseguirmos juntos. Na confusão das vozes e mensagens que nos rodeiam, temos necessidade duma narração humana, que nos fale de nós mesmos e da beleza que nos habita; uma narração que saiba olhar o mundo e os acontecimentos com ternura, conte a nossa participação num tecido vivo, revele o entrançado dos fios pelos quais estamos ligados uns aos outros.

1. Tecer histórias
O homem é um ente narrador. Desde pequenos, temos fome de histórias, como a temos de alimento. Sejam elas em forma de fábula, romance, filme, canção, ou simples notícia, influenciam a nossa vida, mesmo sem termos consciência disso. Muitas vezes, decidimos aquilo que é justo ou errado com base nos personagens e histórias assimiladas. As narrativas marcam-nos, plasmam as nossas convicções e comportamentos, podem ajudar-nos a compreender e dizer quem somos.
O homem não só é o único ser que precisa de vestuário para cobrir a própria vulnerabilidade (cf. Gn 3, 21), mas também o único que tem necessidade de narrar-se a si mesmo, «revestir-se» de histórias para guardar a própria vida. Não tecemos apenas roupa, mas também histórias: de facto, servimo-nos da capacidade humana de «tecer» quer para os tecidos, quer para os textos. As histórias de todos os tempos têm um «tear» comum: a estrutura prevê «heróis» – mesmo do dia-a-dia – que, para encalçar um sonho, enfrentam situações difíceis, combatem o mal movidos por uma força que os torna corajosos, a força do amor. Mergulhando dentro das histórias, podemos voltar a encontrar razões heroicas para enfrentar os desafios da vida.
O homem é um ente narrador, porque em devir: descobre-se e enriquece-se com as tramas dos seus dias. Mas, desde o início, a nossa narração está ameaçada: na história, serpeja o mal.

2. Nem todas as histórias são boas
«Se comeres, tornar-te-ás como Deus» (cf. Gn 3, 4): esta tentação da serpente introduz, na trama da história, um nó difícil de desfazer. «Se possuíres…, tornar-te-ás…, conseguirás…»: sussurra ainda hoje a quem se utiliza do chamado storytelling para fins instrumentais. Quantas histórias nos narcotizam, convencendo-nos de que, para ser felizes, precisamos continuamente de ter, possuir, consumir. Quase não nos damos conta de quão ávidos nos tornamos de bisbilhotices e intrigas, de quanta violência e falsidade consumimos. Frequentemente, nos «teares» da comunicação, em vez de narrações construtivas, que solidificam os laços sociais e o tecido cultural, produzem-se histórias devastadoras e provocatórias, que corroem e rompem os fios frágeis da convivência. Quando se misturam informações não verificadas, repetem discursos banais e falsamentepersuasivos, percutem com proclamações de ódio, está-se, não a tecer a história humana, mas a despojar o homem da sua dignidade.
Mas, enquanto as histórias utilizadas para proveito próprio ou ao serviço do poder têm vida curta, uma história boa é capaz de transpor os confins do espaço e do tempo: à distância de séculos, permanece atual, porque nutre a vida.
Numa época em que se revela cada vez mais sofisticada a falsificação, atingindo níveis exponenciais (o deepfake), precisamos de sapiência para patrocinar e criar narrações belas, verdadeiras e boas. Necessitamos de coragem para rejeitar as falsas e depravadas. Precisamos de paciência e discernimento para descobrirmos histórias que nos ajudem a não perder o fio, no meio das inúmeras lacerações de hoje; histórias que tragam à luz a verdade daquilo que somos, mesmo na heroicidade oculta do dia a dia.

3. A História das histórias
A Sagrada Escritura é uma História de histórias. Quantas vicissitudes, povos, pessoas nos apresenta! Desde o início, mostra-nos um Deus que é simultaneamente criador e narrador: de facto, pronuncia a sua Palavra e as coisas existem (cf. Gn 1). Deus, através deste seu narrar, chama à vida as coisas e, no apogeu, cria o homem e a mulher como seus livres interlocutores, geradores de história juntamente com Ele. Temos um Salmo onde a criatura se conta ao Criador: «Tu modelaste as entranhas do meu ser e teceste-me no seio de minha mãe. Dou-Te graças por me teres feito uma maravilha estupenda (…). Quando os meus ossos estavam a ser formados, e eu, em segredo, me desenvolvia, recamado nas profundezas da terra, nada disso Te era oculto» (Sal 139/138, 13-15). Não nascemos perfeitos, mas necessitamos de ser constantemente «tecidos» e «recamados». A vida foi-nos dada como convite a continuar a tecer a «maravilha estupenda» que somos.
Neste sentido, a Bíblia é a grande história de amor entre Deus e a humanidade. No centro, está Jesus: a sua história leva à perfeição o amor de Deus pelo homem e, ao mesmo tempo, a história de amor do homem por Deus. Assim, o homem será chamado, de geração em geração, a contar e fixar na memória os episódios mais significativos desta História de histórias: os episódios capazes de comunicar o sentido daquilo que aconteceu.
O título desta Mensagem é tirado do livro do Êxodo, narrativa bíblica fundamental que nos faz ver Deus a intervir na história do seu povo. Com efeito, quando os filhos de Israel, escravizados, clamam por Ele, Deus ouve e recorda-Se: «Deus recordou-Se da sua aliança com Abraão, Isaac e Jacob. Deus viu os filhos de Israel e reconheceu-os» (Ex 2, 24-25). Da memória de Deus brota a libertação da opressão, que se verifica através de sinais e prodígios. E aqui o Senhor dá a Moisés o sentido de todos estes sinais: «Para que possas contar e fixar na memória do teu filho e do filho do teu filho (…) os meus sinais que Eu realizei no meio deles. E vós conhecereis que Eu sou o Senhor» (Ex 10, 2). A experiência do Êxodo ensina-nos que o conhecimento de Deus se transmite sobretudo contando, de geração em geração, como Ele continua a tornar-Se presente. O Deus da vida comunica-Se, narrando a vida.
O próprio Jesus falava de Deus, não com discursos abstratos, mas com as parábolas, breves narrativas tiradas da vida de todos os dias. Aqui a vida faz-se história e depois, para o ouvinte, a história faz-se vida: tal narração entra na vida de quem a escuta e transforma-a.
Também os Evangelhos – não por acaso – são narrações. Enquanto nos informam acerca de Jesus, «performam-nos»[1] à imagem de Jesus, configuram-nos a Ele: o Evangelho pede ao leitor que participe da mesma fé para partilhar da mesma vida. O Evangelho de João diz-nos que o Narrador por excelência – o Verbo, a Palavra – fez-Se narração: «O Filho unigénito, que é Deus e está no seio do Pai, foi Ele quem O contou» (1, 18). Usei o termo «contou», porque o original exeghésato tanto se pode traduzir «revelou» como «contou». Deus teceu-Se pessoalmente com a nossa humanidade, dando-nos assim uma nova maneira de tecer as nossas histórias.


4. Uma história que se renova
A história de Cristo não é um património do passado; é a nossa história, sempre atual. Mostra-nos que Deus tomou a peito o homem, a nossa carne, a nossa história, a ponto de Se fazer homem, carne e história. E diz-nos também que não existem histórias humanas insignificantes ou pequenas. Depois que Deus Se fez história, toda a história humana é, de certo modo, história divina. Na história de cada homem, o Pai revê a história do seu Filho descido à terra. Cada história humana tem uma dignidade incancelável. Por isso, a humanidade merece narrações que estejam à sua altura, àquela altura vertiginosa e fascinante a que Jesus a elevou.
Vós «sois uma carta de Cristo – escrevia São Paulo aos Coríntios –, confiada ao nosso ministério, escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo; não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne que são os vossos corações» (2 Cor 3, 3). O Espírito Santo, o amor de Deus, escreve em nós. E, escrevendo dentro de nós, fixa em nós o bem, recorda-no-lo. De facto, re-cordar significa levar ao coração, «escrever» no coração. Por obra do Espírito Santo, cada história, mesmo a mais esquecida, mesmo aquela que parece escrita em linhas mais tortas, pode tornar-se inspirada, pode renascer como obra-prima, tornando-se um apêndice de Evangelho. Assim as Confissões de Agostinho, o Relato do Peregrino de Inácio, a História de uma alma de Teresinha do Menino Jesus, os Noivos prometidos (Promessi sposi) de Alexandre Manzoni, os Irmãos Karamazov de Fiódor Dostoevskij… e inumeráveis outras histórias, que têm representado admiravelmente o encontro entre a liberdade de Deus e a do homem. Cada um de nós conhece várias histórias que perfumam de Evangelho: testemunham o Amor que transforma a vida. Estas histórias pedem para ser partilhadas, contadas, feitas viver em todos os tempos, com todas as linguagens, por todos os meios.

5. Uma história que nos renova
Em cada grande história, entra em jogo a nossa história. Ao mesmo tempo que lemos a Escritura, as histórias dos Santos e outros textos que souberam ler a alma do homem e trazer à luz a sua beleza, o Espírito Santo fica livre para escrever no nosso coração, renovando em nós a memória daquilo que somos aos olhos de Deus. Quando fazemos memória do amor que nos criou e salvou, quando metemos amor nas nossas histórias diárias, quando tecemos de misericórdia as tramas dos nossos dias, nesse momento estamos a mudar de página. Já não ficamos atados a lamentos e tristezas, ligados a uma memória doente que nos aprisiona o coração, mas, abrindo-nos aos outros, abrimo-nos à própria visão do Narrador. Nunca é inútil narrar a Deus a nossa história: ainda que permaneça inalterada a crónica dos factos, mudam o sentido e a perspetiva. Narrarmo-nos ao Senhor é entrar no seu olhar de amor compassivo por nós e pelos outros. A Ele podemos narrar as histórias que vivemos, levar as pessoas, confiar situações. Com Ele, podemos recompor o tecido da vida, cosendo as ruturas e os rasgões. Quanto nós, todos, precisamos disso!
Com o olhar do Narrador – o único que tem o ponto de vista final –, aproximamo-nos depois dos protagonistas, dos nossos irmãos e irmãs, atores juntamente connosco da história de hoje. Sim, porque ninguém é mero figurante no palco do mundo; a história de cada um está aberta a possibilidades de mudança. Mesmo quando narramos o mal, podemos aprender a deixar o espaço à redenção; podemos reconhecer, no meio do mal, também o dinamismo do bem e dar-lhe espaço.
Por isso, não se trata de seguir as lógicas do storytelling, nem de fazer ou fazer-se publicidade, mas de fazer memória daquilo que somos aos olhos de Deus, testemunhar aquilo que o Espírito escreve nos corações, revelar a cada um que a sua história contém maravilhas estupendas. Para o conseguirmos fazer, confiemo-nos a uma Mulher que teceu a humanidade de Deus no seio e – diz o Evangelho – teceu conjuntamente tudo o que Lhe acontecia. De facto, a Virgem Maria tudo guardou, meditando-o no seu coração (cf. Lc 2, 19). Peçamos-Lhe ajuda a Ela, que soube desatar os nós da vida com a força suave do amor:


Ó Maria, mulher e mãe, Vós tecestes no seio a Palavra divina, Vós narrastes com a vossa vida as magníficas obras de Deus. Ouvi as nossas histórias, guardai-as no vosso coração e fazei vossas também as histórias que ninguém quer escutar. Ensinai-nos a reconhecer o fio bom que guia a história. Olhai o cúmulo de nós em que se emaranhou a nossa vida, paralisando a nossa memória. Pelas vossas mãos delicadas, todos os nós podem ser desatados. Mulher do Espírito, Mãe da confiança, inspirai-nos também a nós. Ajudai-nos a construir histórias de paz, histórias de futuro. E indicai-nos o caminho para as percorrermos juntos.
Roma, em São João de Latrão, na Memória de São Francisco de Sales, 24 de janeiro de 2020.
 
[Franciscus]



[1] Cf. Bento XVI, Carta enc. Spe salvi (30/XI/2007), 2: «A mensagem cristã não era só "informativa", mas "performativa". Significa isto que o Evangelho não é apenas uma comunicação de realidades que se podem saber, mas uma comunicação que gera factos e muda a vida».

Diocese de Mossoró inicia série de lives pelo Instagram


A Diocese de Mossoró inicia, nesta terça-feira, 19, às 20h,  uma série de lives com a temática "Cuidemos uns dos outros". A iniciativa faz parte da estratégia para manter a comunicação entre a Diocese e os fiéis nesse período de pandemia e isolamento social para conter a disseminação do novo coronavírus. A estreia será com o nosso Bispo Diocesano Dom Mariano Manzana e a próxima, dia 25, será com o Bispo de Caicó, Dom Antônio. As lives serão apresentadas pelos padres Miqueias e Ricardo Rubens no Instagram da Diocese @diocesedemossoro. Convidamos todos a acompanhar esses momentos especiais de formação na nossa Diocese.



De 16 a 24 de maio, a Comissão de Ecologia Integral da CNBB promove a ‘Semana Laudato Si’



Neste mês de maio a Encíclica “Laudato Sí”, sobre o cuidado com a Casa Comum, do Papa Francisco, completa cinco anos. No Brasil e no mundo, diversas iniciativas estão sendo preparadas para o momento de celebração do documento que convida a refletir sobre o futuro do planeta.
Entre os dias 16 e 25 de maio, a Comissão Episcopal Pastoral Especial para Ecologia Integral e Mineração (CEEM) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) promove a ‘Semana Laudato Si’, 5 anos: Ecologia Integral e Mineração’. Será possível acompanhar as ações pela página da CNBB no Facebook e YouTube/cnbbnacional.
Durante esses dias, a comissão vai realizar debates temáticos diários sobre a encíclica com representantes da comissão, professores e pesquisadores, membros do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Comissão Pastoral da Terra (CPT) e da Comissão Pastoral da Pesca (CPP).
O bispo de Caxias (MA) e presidente da Comissão pela Ecologia Integral e Mineração (CEEM), dom Sebastião Lima Duarte, e os bispos membros da comissão abrem a ‘Semana Laudato Si’ com a oração das comunidades, dia 16 de maio, às 18h.
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
No dia 24 de maio, às 8h, o arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo, preside a celebração da Eucaristia na Basílica Nossa Senhora da Piedade pelos cinco anos da ‘Laudato Si’. Já o encerramento, dia 25, será direto de Brumadinho (MG), onde o bispo auxiliar de BH e membro da comissão, dom Vicente Ferreira, vai presidir a Santa Missa, às 18h.
Nestes mesmos dias, os cristãos no mundo inteiro também vão celebrar a data atendendo ao convite feito pelo Santo Padre em março. Na ocasião, Francisco deixou uma pergunta que motiva a celebração: “Que tipo de mundo queremos deixar para aqueles que nos sucedem, para as crianças que estão crescendo?”.
O urgente desafio de proteger a nossa casa comum inclui a preocupação de unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral, pois sabemos que as coisas podem mudar. O Criador não nos abandona, nunca recua no seu projeto de amor, nem Se arrepende de nos ter criado. A humanidade possui ainda a capacidade de colaborar na construção da nossa casa comum.
Papa Francisco – Carta encíclica Laudato Si’ (2015), 13
Cabe ressaltar que o Brasil é formado por seis biomas de características distintas:  Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, cada um desses abriga diferentes tipos de vegetação e de fauna. No documento do papa, o bioma que ganhou atenção especial foi a Amazônia, que é o maior do Brasil e abriga mais de 2.500 espécies de árvores e 30 mil de plantas.
De acordo com o ministério, a bacia amazônica é a maior bacia hidrográfica do mundo: cobre cerca de 6 milhões de km2 e tem 1.100 afluentes. Seu principal rio, o Amazonas, corta a região para desaguar no Oceano Atlântico, lançando ao mar cerca de 175 milhões de litros d’água a cada segundo.
Leia abaixo a programação completa da Semana Laudato Si’, 5 anos: Ecologia Integral e Mineração
16 de maio – 18hAbertura da Semana LS: oração das comunidades
Dom Sebastião Duarte – Presidente da Comissão pela Ecologia Integral e Mineração (CEEM)
Dom Cleonir Dal Bosco – Bispo de Bagé-RS
Dom Vital Corbellini – Bispo de Marabá-PA
Dom Edson Damian – Bispo de São Gabriel da Cachoeira-AM
21 de maio – 18h
A ciência e a pesquisa dialogam com a LS
Dom Vicente Ferreira – Secretário da CEEM
Pastora Romi Bencke (Secretaria Geral do Conselho de Igrejas Cristãs – CONIC)
Ima Célia Vieira (Ecologa e pesquisadora do Museo Goeldi)
Luiz Marques, professor livre-docente do Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas IFCH da UNICAMP.
22 de Mario – 18h
A defesa da casa comum
Dom André de Witte – Bispo emérito de Ruy Barbosa
Marina Oliveira (Arquidiocese de Belo Horizonte)
Gilberto Vieira (Conselho Indigenista Missionário – CIMI)
Geane (Comissão Pastoral da Terra – CPT)
Francisco Nonato (Comissão Pastoral da Pesca – CPP)
23 de maio – 18hCantando e celebrando a LS
Roberto Malvezzi (Gogo) – Assessor da CEEM
Padre Joaquim
Zé Vicente – poeta, lavrador, compositor, cantor
24 de maio – 8hCelebração da Eucaristia na Serra da Piedade – 5 anos de Laudato Si’
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
25 de maio – 18h
25 é todo dia – Missa em Brumadinho
Dom Vicente Ferreira (CEEM)

Dom Mol agradece ao trabalho dos agentes da Pascom no contexto da pandemia


Em vídeo divulgado, o bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Joaquim Giovani Mol Guimarães dirigiu uma vídeo-mensagem a todos os agentes da Pastoral da Comunicação (Pascom) do Brasil. 
O bispo fez referência à passagem bíblica, presente no capítulo 13 do Evangelho de Mateus, que fala que o Reino de Deus é um tesouro escondido, como metáfora para falar do importante trabalho que os agentes da Pascom estão desempenhando neste tempo difícil da pandemia do Coronavírus ampliando, por meio da comunicação, a mensagem de Jesus e ajudando a curar as feridas das pessoas.
De acordo dom dom Mol, os agentes da Pascom, por meio do Reino de Deus, se empenharam no trabalho de comunicação. “Nós estamos agradecidos, impressionados e impactados positivamente. Estamos sarando nossas feridas de todas as formas porque vocês da Pastoral da Comunicação nacional, em todo o nosso Brasil, estão levando a mensagem de Jesus e amparando todas as pessoas com a evangelização neste período tão difícil que nós estamos vivendo”, disse o religioso.  
Confira no site da CNBB  

Missa Pela Saúde na Catedral de Santa Luzia em Mossoró- RN





Neste domingo, às 11h, na Catedral de Santa Luzia, acompanhe Missão Pela Saúde presidida pelo bispo Diocesano Dom Mariano Manzana, e concelebrada pelos Padres Flávio Augusto Forte Melo e Miquéias Pascoal.

Transmissão- Rádio Rural de Mossoró, YouTube Paróquia de Santa Luzia, Diocese de Mossoró, 105 FM, 95 FM, 93 FM e @tcm.hd

Reflexão para o sexto domingo da Páscoa - João 14, 15-21 (Ano A)







Neste sexto domingo da páscoa, continuamos a leitura do capítulo quatorze do Evangelho segundo João, iniciada no domingo passado. A liturgia de hoje propõe os versículos de 15 a 21. O contexto continua sendo o da última ceia de Jesus com seus discípulos em Jerusalém. Como já fizemos uma contextualização mais ampla no domingo passado, não julgamos necessário refazê-la hoje. Por isso, faremos apenas pequenos acenos a alguns elementos essenciais do contexto. O texto lido faz parte do discurso de despedida de Jesus, considerado um verdadeiro testamento, uma vez que contém a síntese de seus principais ensinamentos. João é o único evangelista que fez essa síntese final dos ensinamentos de Jesus, respondendo às necessidades concretas das suas comunidades, ameaçadas pelas perseguições e por problemas internos, quando o Evangelho foi escrito, na última década do primeiro século. Propositadamente, a liturgia prioriza a leitura de trechos desse discurso nos domingos que antecedem à solenidade da ascensão, para que as comunidades cristãs tenham clareza da essência da mensagem de Jesus e não interpretem o seu retorno para junto do Pai como ausência, mas como início de uma presença ainda mais intensa entre os seus seguidores.

Eis o que o texto afirma logo em seu início: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (v. 15). Enquanto o primeiro versículo do evangelho do domingo passado cobrava fé nos discípulos (Jo 14,1), o de hoje faz praticamente a mesma exigência com o amor. De fato, fé e amor são duas características indispensáveis para uma comunidade cristã. Essa é a primeira vez que Jesus pede amor para si, e o faz empregando o verbo que expressa o amor em sua máxima dimensão. Ora, no grego, idioma da redação do Evangelho, há quatro verbos que significam amar, mas somente um expressa um amor ilimitado e incondicional, capaz de doar a vida: é o verbo agapáo (άγαπάω), empregado aqui. O amor cristão tem um parâmetro que é o amor de Jesus, e os cristãos não podem amar de outro jeito que não seja esse. Quem ama Jesus guarda os seus mandamentos, o que aqui significa a totalidade de sua mensagem, uma vez que ele deixou um único mandamento, o mandamento do amor (Jo 13,34-35). Assim, mandamento no plural significa a totalidade da mensagem de Jesus, o que não consiste em preceitos morais, mas num estilo de vida.

E a consequência do amor a Jesus é a observação e vivência efetiva dos seus ensinamentos. Ele não fala de obediência aos seus mandamentos, mas de guardar, o que significa conservar, preservar algo em sua essência, sem adulterações. Inclusive, o evangelista usa aqui o mesmo verbo guardar (em grego: τηρήω – terêo) colocado na boca do mestre-sala no episódio das bodas de Caná, ao elogiar o vinho novo, desconhecido para ele, como se estivesse “guardado até agora” (Jo 2,10). Portanto, quem ama Jesus vive e mantém a sua mensagem autêntica e intacta ao longo do tempo, não obstante as adversidades, como as enfrentadas pela comunidade do evangelista. Para conservar a mensagem de Jesus em sua integridade, no entanto, a comunidade precisa ler os sinais dos tempos, à luz do Espírito Santo, já que é uma mensagem dinâmica e viva.

Estando prestes a retornar ao Pai, Jesus reconhece a vulnerabilidade dos seus discípulos, que se encontravam angustiados e com medo (Jo 14,1). Por isso, lhes faz uma promessa: “E eu rogarei ao Pai e ele vos dará um outro defensor, para que permaneça sempre convosco” (v. 16). Aqui, Jesus está se referindo ao Espírito Santo como o outro defensor, sendo que o primeiro defensor é ele mesmo (1Jo 2,1); o outro atuará na vida dos discípulos com uma presença semelhante, embora mais intensa, à do próprio Jesus em sua vida terrena. O termo grego correspondente a defensor é “Parákletos” (παράκλητος), corresponde ao termo latino “advocatus”, do qual provém a palavra advogado; se trata de uma palavra composta (παρά – pará = “junto a” + κλητος – klétos = chamado), cujo significado literal é “chamado a estar junto ou do lado” para defender, consolar e encorajar. Adaptada ao português como “Paráclito”, esse termo foi praticamente transformado em título do Espírito Santo, quando na verdade expressa a sua função na comunidade. Ora, angustiados e aflitos pelo medo, os discípulos temiam exatamente que a partida de Jesus os deixasse desamparados; a essa situação, Jesus responde prometendo o outro defensor. Assim, ele antecipa que, através do Espírito Santo, estará para sempre presente na vida dos seus seguidores de todos os tempos, com uma presença até mais efetiva do que aquela terrena, uma vez que não estará mais condicionado aos limites do espaço e do tempo.

A presença do Espírito Santo é decisiva e vital para a comunidade; por isso, Jesus continua referindo-se a ele, mostrando agora uma função clara, aquela de ajudar a manter a comunidade na Verdade, que é o próprio Pai e Jesus, já que quem vê um vê o outro (Jo 14,9), uma vez que os dois são Um (Jo 10,30): O Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós” (v. 17). Aqui, evangelista faz a contraposição, típica da sua teologia, entre a comunidade cristã e o mundo. Mundo não é a criação ou cosmos, mas toda a oposição ao Evangelho; é a negação do amor de Deus comunicado por Jesus, o que geralmente é o sistema opressor – religioso, político ou econômico – mas também as contradições e incoerências da própria comunidade. Enfim, é toda realidade que rejeita o amor de Deus, que são os sistemas que se alimentam da mentira, do ódio, da violência e de tudo o que é contrário ao Evangelho. A comunidade só resiste a tudo isso se acolher o Espírito da Verdade, a quem ela conhece, porque Jesus deu a conhecer, inclusive enviando-o para dentro de cada discípulo.

A presença do Espírito na comunidade garante proteção e amparo aos discípulos; por isso, Jesus lhes assegura: “Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós” (v. 18). Os discípulos temiam exatamente viver como órfãos num mundo hostil e injusto, após a partida de Jesus. Ora, os órfãos, juntamente com as viúvas, formavam a categoria de pessoas mais vulneráveis e frágeis em Israel, sujeitos à exploração dos poderosos. Eram os protótipos das pessoas abandonadas. Por isso, eram destinatários de atenção especial na própria Lei de Moisés (Dt 14,28-29). Com essa afirmação, Jesus declara que não os abandonará; pelo contrário, virá a eles; essa vinda não é a parusia, ou seja, a vinda definitiva no final dos tempos, mas o seu retorno à comunidade após a ressurreição (Jo 20,19.24); inclusive, nos relatos das aparições, o evangelista João não dirá que Jesus apareceu aos discípulos, mas que ele veio onde eles se encontravam e, por sinal, eles estavam com medo (Jo 20,19.24).

Com muita clareza, Jesus falava da sua morte ressurreição, certamente com os discípulos já mais tranquilos, após o anúncio do outro defensor: “Pouco tempo ainda, e o mundo não mais me verá, mas vós me vereis por que eu vivo e vós vivereis” (v. 19). Ao contrário do mundo, para quem a morte de Jesus será uma partida permanente, porque não se abriu para conhecer o seu amor, os discípulos não deixarão de vê-lo, pois, ressuscitado, estará para sempre vivo entre eles. A relação com Jesus é fonte de vida, pois quem lhe vê, vive. Ver aqui significa a relação de intimidade com ele, e essa relação é geradora de vida. Naquela ocasião, os discípulos confirmarão a união íntima entre Jesus e o Pai e poderão também participar dessa mesma união, como ele mesmo promete: “Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai e vós em mim e eu em vós” (v. 20). Logo, a presença de Jesus no Pai e do Pai em Jesus se realiza também na vida dos discípulos, eliminando, assim, toda distância entre o humano e o divino. A comunidade cristã aberta ao Espírito da Verdade é, portanto, morada de Jesus e do Pai.

No último versículo, é retomada a temática dos mandamentos, e novamente associados ao amor: “Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama, será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele” (v. 21). O termo mandamento (em grego:  έντολή – entolê), tanto no singular quanto no plural, aparece vinte e seis vezes nos evangelhos, sendo dezesseis nos sinóticos (Mt 5,19; 15,3; 19,17; 22,36;38;40; Mc 7,8.9; 10,5.19; 12,28.31; Lc 1,16; 15,29; 18,20; 23,56) e dez em João (Jo 10,18; 11,57; 12,49.50; 13,34; 14,15.21; 15,10.12); enquanto nos sinóticos sempre faz referência aos mandamentos da Lei, embora (re)interpretados por Jesus, em João os mandamentos são somente seus, não aludem à antiga Lei. Com isso, o evangelista reforça que é Jesus com seu amor o único parâmetro para a comunidade. Nesse versículo, o evangelista abre uma nova perspectiva; enquanto nos versículos anteriores o discurso foi todo construído em segunda pessoa, com Jesus falando diretamente aos discípulos reunidos com ele (“vós”), agora ele fala em terceira pessoa. Ele passa então, a dirigir-se a toda pessoa, de qualquer lugar e de qualquer época (quem, aquele, qualquer um...). Logo, a experiência que os discípulos de primeira hora estavam vivendo pode ser vivida por qualquer pessoa que cumpre o mandamento do amor. Isso significa que toda pessoa, sem distinção, pode ser discípula de Jesus. Isso foi um conforto que o evangelista transmitiu aos membros da sua comunidade, especialmente àqueles chegados por último, vítimas de preconceito e discriminação, e serve de alento para as comunidades de todos os tempos.

Convictos da presença ativa de Jesus na comunidade que vive o seu amor e o aceita como única regra de vida, somos animados a acolher o Espírito Santo para estreitar cada vez mais os laços com Ele, com o Pai e com o próximo, o primeiro destinatário do seu amor. Dessa presença emana a força necessária para resistir aos obstáculos e as convicções para perseverar na verdade do Evangelho, como único parâmetro para a vida cristã.

Pe. Francisco Cornélio F. Rodrigues – Diocese de Mossoró-RN