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PEC da reforma da previdência estadual é apresentada à Diocese de Mossoró



 
O Bispo Diocesano Dom Mariano Manzana, o Vigário-Geral da Diocese de Mossoró, Padre Flávio Augusto Forte Melo,  e uma comissão de padres formada por Demétrio Júnior (ecônomo da Diocese), Ricardo Rubens (diretor da Rádio Rural), Robério Holanda (Paróquia de São José), Rierson Carlos (Paróquia Nossa Senhora de Fátima), Ivan dos Santos (Paróquia São João Batista), Frei Gilmar Nascimento (Paróquia Nossa Senhora Imaculada Conceição) e João Batista (Seminário Santa Teresinha) receberam das mãos do presidente do Instituto de Previdência do Rio Grande do Norte (IPERN), Nereu Linhares, e do assessor especial do Governo do Estado, Altair Rocha, o texto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera o sistema previdenciário potiguar. O documento foi entregue na manhã desta sexta-feira, 14, durante audiência na Cúria Diocesana. A reunião contou também com a presença da deputada estadual Isolda Dantas (PT).

Durante a audiência, foram apresentados pelos representantes do Governo detalhes da PEC que modifica a estrutura da previdência estadual, como, por exemplo, questões referentes às alíquotas, idade mínima e tempo de contribuição, pensões, regras de transição, entre outros pontos. Para o Bispo Dom Mariano, o encontro foi positivo. “Acredito que há momentos em que a informação é o lado mais importante de cada questão. Recebemos muitos dados, por isso cada um deve sentar e ver, o importante é que tivemos acesso pela primeira vez ao texto que pode ajudar a compreender melhor a reforma e despertar futuros questionamentos”, avaliou o Bispo.
O assessor especial do Governo do Estado, Altair Rocha, também considerou a reunião produtiva. “A nossa premissa básica nessa reforma da previdência é informação e diálogo, é isso que a governadora tem determinado. Por mais duro e desgastante que o processo de reforma seja, não podemos nos esquivar do debate, por isso estamos conversando com todos. O espaço dentro da Igreja é bastante importante para gente, porque o que buscamos é a transparência, o esclarecimento e o porquê da reforma ser importante para toda a sociedade potiguar”, disse.
A deputada estadual Isolda Dantas explicou que o processo de tramitação do texto na Assembleia Legislativa deve durar aproximadamente 50 dias e que, por se tratar de uma PEC, é necessário que a aprovação do projeto ocorra em duas votações. “A Igreja tem um papel central de contribuir com esse debate. A matéria vai para a Comissão de Constituição e Justiça inicialmente e depois para uma Comissão Especial. Nós vamos trabalhar para que o texto seja melhorado no sentido de ampliar a faixa de isenção, reduzir alíquota, nós somos da ideia de que quem ganha mais tem que pagar mais, mas nós sabemos que é necessário fazer esse debate, porque se não alterarmos as regras no futuro a previdência não vai conseguir garantir a aposentadoria nem dos que estão e nem dos que virão”, frisou a parlamentar.

Querida Amazonia, a Exortação do Papa por uma Igreja com rosto amazônico


A Exortação pós-sinodal sobre a Amazônia foi publicada esta quarta-feira (12/02). O documento traça novos caminhos de evangelização e cuidados do meio ambiente e dos pobres. Francisco auspicia um novo ímpeto missionário e encoraja o papel dos leigos nas comunidades eclesiais.
Alessandro Gisotti
“A Amazônia querida apresenta-se aos olhos do mundo com todo o seu esplendor, o seu drama e o seu mistério.” Assim tem início a Exortação apostólica pós-sinodal, Querida Amazônia. O Pontífice, nos primeiros pontos, (2-4) explica “o sentido desta Exortação”, rica de referências a documentos das Conferências episcopais dos países amazônicos, mas também a poesias de autores ligados à Amazônia. Francisco destaca que deseja “expressar as ressonâncias” que o Sínodo provocou nele. E esclarece que não pretende substituir nem repetir o Documento final, que convida a ler “integralmente”, fazendo votos de que toda a Igreja se deixe “enriquecer e interpelar” por este trabalho e que a Igreja na Amazônia se empenhe “na sua aplicação”. O Papa compartilha os seus “Sonhos para a Amazônia” (5-7), cujo destino deve preocupar a todos, porque esta terra também é “nossa”. Assim, formula “quatro grandes sonhos”: que a Amazônia “que lute pelos direitos dos mais pobres”, “que preserve a riqueza cultural”, que “que guarde zelosamente a sedutora beleza natural”, que, por fim, as comunidades cristãs sejam “capazes de se devotar e encarnar na Amazônia”.
 O primeiro capítulo de Querida Amazônia é centralizado no “Sonho social” (8). Destaca que “uma verdadeira abordagem ecológica” é também “abordagem social” e, mesmo apreciando o “bem viver” dos indígenas, adverte para o “conservacionismo”, que se preocupa somente com o meio ambiente. Com tons vibrantes, fala de “injustiça e crime” (9-14). Recorda que já Bento XVI havia denunciado “a devastação ambiental da Amazônia”. Os povos originários, afirma, sofrem uma “sujeição” seja por parte dos poderes locais, seja por parte dos poderes externos. Para o Papa, as operações econômicas que alimentam devastação, assassinato e corrupção merecem o nome de “injustiça e crime”. E com João Paulo II, reitera que a globalização não deve se tornar um novo colonialismo.
Os pobres sejam ouvidos sobre o futuro da Amazônia
Diante de tanta injustiça, o Pontífice fala que é preciso “indignar-se e pedir perdão” (15-19). Para Francisco, são necessárias “redes de solidariedade e de desenvolvimento” e pede o comprometimento de todos, inclusive dos líderes políticos. O Papa ressalta o tema do “sentido comunitário” (20-22), recordando que, para os povos amazônicos, as relações humanas “estão impregnadas pela natureza circundante”. Por isso, escreve, vivem como um verdadeiro “desenraizamento” quando são “forçados a emigrar para a cidade”. A última parte do primeiro capítulo é dedicado às “Instituições degradadas” (23-25) e ao “Diálogo social” (26-27). O Papa denuncia o mal da corrupção, que envenena o Estado e as suas instituições. E faz votos de que a Amazônia se torne “um local de diálogo social” antes de tudo “com os últimos. A voz dos pobres, exorta, deve ser “a voz mais forte” sobre a Amazônia.
O sonho cultural: cuidar do poliedro amazônico
O segundo capítulo é dedicado ao “sonho cultural”. Francisco esclarece que “promover a Amazônia” não significa “colonizá-la culturalmente” (28). E recorre a uma imagem que lhe é cara: “o poliedro amazônico” (29-32). É preciso combater a “colonização pós-moderna”. Para Francisco, é urgente “cuidar das raízes” (33-35). Citando Laudato si’ Christus vivit, destaca que a “visão consumista do ser humano” tende a “a homogeneizar as culturas” e isso afeta sobretudo os jovens. A eles, o Papa pede que assumam as raízes, que recuperem “a memória danificada”.
Não a um indigenismo fechado, é preciso um encontro intercultural
A Exortação se concentra depois sobre o “encontro intercultural” (36-38). Mesmo as “culturas aparentemente mais evoluídas”, observa, podem aprender com os povos que “desenvolveram um tesouro cultural em conexão com a natureza”. A diversidade, portanto, não deve ser “uma fronteira”, mas “uma ponte”, e diz não a “um indigenismo completamente fechado”. A última parte do segundo capítulo é dedicada ao tema “culturas ameaçadas, povos em risco” (39-40). Em qualquer projeto para a Amazônia, esta é a recomendação do Papa, “é preciso assumir a perspectiva dos direitos dos povos”. Estes, acrescenta, dificilmente podem ficar ilesos se o ambiente em que nasceram e se desenvolveram “se deteriora”.
O sonho ecológico: unir cuidado com o meio ambiente e cuidado com as pessoas
O terceiro capítulo, “Um sonho ecológico”, é o mais relacionado com a Encíclica Laudato si’. Na introdução (41-42), destaca-se que na Amazônia existe uma relação estreita do ser humano com a natureza. Cuidar dos irmãos como o Senhor cuida de nós, reitera, “é a primeira ecologia que precisamos”. Cuidar do meio ambiente e cuidar dos pobres são “inseparáveis”. Francisco dirige depois a atenção ao “sonho feito de água” (43-46). Cita Pablo Neruda e outros poetas locais sobre a força e a beleza do Rio Amazonas. Com suas poesias, escreve, “ajudam a libertar-nos do paradigma tecnocrático e consumista que sufoca a natureza”.
Ouvir o grito da Amazônia, o desenvolvimento seja sustentável
Para o Papa, é urgente ouvir o “grito da Amazônia” (47-52). Recorda que o equilíbrio planetário depende da sua saúde. Escreve que existem fortes interesses não somente locais, mas também internacionais. A solução, portanto, não é “a internacionalização” da Amazônia; ao invés, deve crescer “a responsabilidade dos governos nacionais”. O desenvolvimento sustentável, prossegue, requer que os habitantes sejam sempre informados sobre os projetos que dizem respeito a eles e auspicia a criação de “um sistema normativo” com “limites invioláveis”. Assim, Francisco convida à “profecia da contemplação” (53-57). Ouvindo os povos originários, destaca, podemos amar a Amazônia “e não apenas usá-la”; podemos encontrar nela “um lugar teológico, um espaço onde o próprio Deus Se manifesta e chama os seus filhos”. A última parte do terceiro capítulo é centralizada na educação e hábitos ecológicos” (58-60). O Papa ressalta que a ecologia não é uma questão técnica, mas compreende sempre “um aspecto educativo”.
O sonho eclesial: desenvolver uma Igreja com rosto amazônico
O último capítulo, o mais denso, é dedicado “mais diretamente” aos pastores e aos fiéis católicos e se concentra no “sonho eclesial”. O Papa convida a “desenvolver uma Igreja com rosto amazônico” através de um “grande anúncio missionário” (61), um “anúncio indispensável na Amazônia” (62-65). Para o Santo Padre, não é suficiente levar uma “mensagem social”. Esses povos têm “direito ao anúncio do Evangelho”; do contrário, “cada estrutura eclesial transformar-se-á em mais uma ONG”. Uma parte consistente é dedicada ainda à inculturação. Retomando a Gaudium et spes, fala de “inculturação (66-69) como um processo que leva “à plenitude à luz do Evangelho” aquilo que de bom existe nas culturas amazônicas.
Uma renovada inculturação do Evangelho na Amazônia
O Papa dirige o seu olhar mais profundamente, indicando os “Caminhos de inculturação na Amazônia”. (70-74). Os valores presentes nas comunidades originárias, escreve, devem ser valorizados na evangelização. E nos dois parágrafos sucessivos se detém sobre a “inculturação social e espiritual” (75-76). O Pontífice evidencia que, diante da condição de pobreza de muitos habitantes da Amazônia, a inculturação deve ter um “timbre marcadamente social”. Ao mesmo tempo, porém, a dimensão social deve ser integrada com aquela “espiritual”.
Os Sacramentos devem ser acessíveis a todos, especialmente aos pobres
Na sequência, a Exortação indica “pontos de partida para uma santidade amazônica” (77-80), que não devem copiar “modelos doutros lugares”. Destaca que “é possível receber, de alguma forma, um símbolo indígena sem o qualificar necessariamente como idolátrico”. Pode-se valorizar, acrescenta, um mito “denso de sentido espiritual” sem necessariamente considerá-lo “um extravio pagão”. O mesmo vale para algumas festas religiosas que, não obstante necessitem de um “processo de purificação”, “contêm um significado sagrado”.
Outra passagem significativa de Querida Amazônia é sobre a inculturação da liturgia (81-84). O Pontífice constata que já o Concílio Vaticano II havia solicitado um esforço de “inculturação da liturgia nos povos indígenas”. Além disso, recorda numa nota do texto que, no Sínodo, “surgiu a proposta de se elaborar um «rito amazônico»”. Os Sacramentos, exorta, “devem ser acessíveis, sobretudo aos pobres”. A Igreja, afirma evocando a Amoris laetitia, não pode se transformar numa “alfândega”.
Bispos latino-americanos devem enviar missionários à Amazônia
Relacionado a este tema, está a “inculturação do ministério” (85-90) sobre a qual a Igreja deve dar uma resposta “corajosa”. Para o Papa, deve ser garantida “maior frequência da celebração da Eucaristia”. A propósito, reitera, é importante “determinar o que é mais específico do sacerdote”. A resposta, lê-se, está no sacramento da Ordem sacra, que habilita somente o sacerdote a presidir a Eucaristia. Portanto, como “assegurar este ministério sacerdotal” nas zonas mais remotas? Francisco exorta todos os bispos, especialmente os latino-americanos, “a ser mais generosos”, orientando os que “demonstram vocação missionária” a escolher a Amazônia e os convida a rever a formação dos presbíteros.
Favorecer um protagonismo dos leigos nas comunidades
Depois dos Sacramentos, Querida Amazonía fala das “comunidades cheias de vida” (91-98), nas quais os leigos devem assumir “responsabilidades importantes”. Para o Papa, com efeito, não se trata “apenas de facilitar uma presença maior de ministros ordenados”. Um objetivo “limitado” se não suscitar “uma nova vida nas comunidades”. São necessários, portanto, novos “serviços laicais”. Somente através de “um incisivo protagonismo dos leigos”, reitera, a Igreja poderá responder aos “desafios da Amazônia”. Para o Pontífice, os consagrados têm um lugar especial e não deixa de recordar o papel das comunidades de base, que defenderam os direitos sociais, e encoraja em especial a atividade da REPAM e dos “grupos missionários itinerantes”.
Novos espaços às mulheres, mas sem clericalizações
Francisco dedica um espaço à força e ao dom das mulheres (99-103). Reconhece que, na Amazônia, algumas comunidades se mantiveram somente “graças à presença de mulheres fortes e generosas”. Porém, adverte que não se deve reduzir a Igreja a “estruturas funcionais”. Se assim fosse, com efeito, teriam um papel somente se fosse concedido a elas acesso à Ordem sacra. Para o Pontífice, deve ser rejeitada a clericalização das mulheres, acolhendo, ao invés, a contribuição segundo o modo feminino, que prolonga “a força e a ternura de Maria”. Francisco encoraja o surgimento de novos serviços femininos, que – com um reconhecimento público dos bispos – incidam nas decisões para as comunidades.
Os cristãos devem lutar juntos para defender os pobres da Amazônia
Para o Papa, é preciso “ampliar horizontes para além dos conflitos” (104-105) e deixar-se desafiar pela Amazônia a “superar perspectivas limitadas” que “permanecem enclausuradas em aspetos parciais”. O quarto capítulo termina com o tema da “convivência ecumênica e inter-religiosa” (106-110), “encontrar espaços para dialogar e atuar juntos pelo bem comum”. “Como não lutar juntos? – questiona Francisco – Como não rezar juntos e trabalhar lado a lado para defender os pobres da Amazônia”?
Confiemos a Amazônia e os seus povos a Maria
Francisco conclui a Querida Amazônia com uma oração à Mãe da Amazônia (111). “Mãe, olhai para os pobres da Amazônia – é um trecho da sua oração –, porque o seu lar está a ser destruído por interesses mesquinhos (…) Tocai a sensibilidade dos poderosos porque, apesar de sentirmos que já é tarde, Vós nos chamais a salvar o que ainda vive”.

Entendendo o Dízimo a partir do Doc. 106 da CNBB



O dízimo é aqui apresentado na perspectiva da evangelização, como um dos elementos da “conversão pastoral” que foi assumida pela Conferência de Aparecida.
O que é o dízimo? (Doc. 106)
  • É uma contribuição sistemática e periódica dos fiéis, por meio da qual cada comunidade assume corresponsavelmente sua sustentação e a da Igreja.
  • É um compromisso de fé, pois está relacionado com a experiência de Deus.
  • Exprime a pertença efetiva à Igreja, vivida em uma comunidade concreta. Manifesta a amizade que circula entre os membros da comunidade.
  • Diferencia-se do cumprimento de uma lei, por vir de uma decisão pessoal. É compromisso moral.
  • A contribuição do dízimo é sistemática. Isso significa que ela é estável, assumida de modo permanente.
  • É periódico: mensal (ligado ao salário ou outros tipos de ganho); ou anual (ligado a colheitas ou à venda de produtos).
  • O dízimo não pode ser assumido unicamente como forma de captação dos recursos para as outras pastorais. Esta compreensão não expressa toda riqueza de seu significado. (DAp).
Falando sobre o dízimo
Quando falamos de dízimo, não falamos apenas sobre dinheiro, antes devemos entender que o dízimo é parte integrante no processo de evangelização. A Graça e o Amor de Deus não tem preço e nem são produtos de comercialização junto aos cristãos. Deus nos oferece tudo de forma gratuita.
Como cristãos, devemos buscar o sentimento de pertença, gratidão e de corresponsabilidade das ações pastorais em nossa comunidade paroquial.
Outro ponto fundamental é compreender que o entendimento consciente sobre o dízimo colabora para o crescimento da consciência teológica do indivíduo e da comunidade paroquial, pois o dízimo é fruto da partilha dos fieis, e a eles pertence, a nível comunitário, paroquial e diocesano.
Ao assumir o compromisso de contribuir com o dízimo, nos dispomos a nos encontrar com o Senhor e com a Igreja. Esse duplo encontro nos convida a uma verdadeira conversão, uma mudança de vida. Por isso o dízimo será sempre uma oportunidade privilegiada de através de um gesto concreto exercermos o amor fraterno através do nosso coração.
O dízimo é um gesto de fé, a fé dá sabor e sentimento ao dízimo. Se não acredito no que professo, o dízimo se torna apenas uma oferta solidária, e nada mais. O cristão, contudo, vai além: porque a Igreja, ao fazer a sua partilha, a faz exercitando a fé. Para ele, a fé vem antes da quantia partilhada. Ele não é cristão porque é dizimista, mas é dizimista porque é cristão. Assim, a quantia partilhada tem um motivo que a antecede: a fé em Jesus como Aquele que dá com fé, ele se enriquece, já que é partilhado com o objetivo de evangelizar.
O dízimo é partilha pois, ao oferecê-lo, contribuímos com parte do que temos. A união das partes oferecidas pelos membros de uma comunidade nos leva a ter condições de investir e sustentar o nosso plano de evangelização. É fundamental esse entendimento que ao partilhar, o dizimista está oferecendo o que é importante para si e para a sua comunidade.
O dízimo é estável e periódico esse é o compromisso de ser dizimista em sua comunidade, o cristão está expressando a sua decisão de ser dizimista fiel. Se não for assim, a sua partilha seria uma oferta, e não dízimo. Para a comunidade paroquial isso é essencial, já que ela deve evangelizar de forma organizada, o que não seria possível se não pudesse prever, pelo menos aproximadamente, a quantia a receber em cada mês. Assim sendo, cabe ao dizimista ser fiel na sua contribuição também quanto à estabilidade e a periodicidade de sua contribuição.
O dízimo é escolha e decisão, logo, ser dizimista é uma opção baseada na liberdade, também a quantia a ser oferecida deve ser decisão do próprio dizimista. A Igreja não diz que deve ser tanto, ou a partir de tanto, ou ainda não menos que tanto. Cabe a cada dizimista fiel tomar essa decisão e decidir com quanto vai contribuir. A Igreja não pode tomar essa decisão por você. Esta decisão deve partir de seu interior, deve ser uma quantia importante para você e para a comunidade. De um modo bem simples no discernimento, todo cristão é chamado a contribuir a partir de sua realidade. Os dez por cento bíblicos, são uma referência à qual todos são convidados a chegar, desde que decidam fazê-lo por convicção. É você que decide ser dizimista e com quanto vai contribuir.
O dízimo é contribuição é muito importante esse entendimento, pois ao implantar a Pastoral do Dízimo no Brasil, os bispos decidiram que ele deve ser uma opção, e não uma obrigação (Doc. 106). Ao se tornar opção, ele é caracterizado pela escolha de cada católico. A Igreja não quer que ninguém seja obrigado a contribuir, mas que o faça livremente e com alegria. Não sendo imposto, mas proposto, o dízimo se torna participação. Cada católico é convidado a sustentar a sua comunidade, seja partilhando dons, carismas, inteligência. Essa partilha deve ser uma opção consciente e generosa. Para tanto, a liberdade é essencial. Todos são chamados a participar, ninguém, contudo, deve ser obrigado a fazê-lo!
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As dimensões do dízimo
Religiosa: Pela dimensão religiosa entendemos que somos de Deus: Dele saímos e para Ele voltamos. Sendo o tudo, logo Deus não precisa de nossos bens, já que tudo pertence a Ele. Ao partilhar o dízimo, “dizemos” a Deus que temos consciência de nossa plena e total pertença a Ele, portanto o que partilhamos é um sinal da nossa pertença. É nisso que consiste a espiritualidade do dízimo: ele amadurece e aumenta a nossa comunhão com Deus, já que vivemos conscientes de que a nossa segurança está Nele, e não nos bens que possuímos.
Eclesial: Sabemos que Deus não precisa de nosso dízimo, mas a Igreja presente no mundo sim, ela não tem como evangelizar sem utilizar-se dos instrumentos adequados. Como todo batizado e exercendo o protagonismo dessa Igreja, cabe a nós contribuir para que a missão deixada por Jesus se cumpra. Assim, somos nós, clérigos e leigos, que fazemos com que a comunidade tenha o suficiente para se sustentar, seja comprando velas, seja reformando salas, seja investindo na formação de lideranças. Cabe aos membros de cada comunidade sustentá-la exercendo a espiritualidade do dízimo, nós a fazemos através do dízimo e das ofertas. O dízimo, contudo, deveria ser o suficiente para manter e sustentar o dia a dia da comunidade evangelizadora.
Missionária: Ao acolher o mandato de Jesus de levar o Evangelho a todas as pessoas (Mt 28,19), entendemos que sendo cristãos, somos missionários e missionárias. Não temos o direito de ficar fechados em nossas comunidades sendo uma religiosidade de manutenção. Devemos sair para ir ao encontro de quem não participa e de quem ainda não conhece Jesus. Somos uma comunidade missionária quando nos desacomodamos e vamos ao encontro das pessoas tanto dentro como fora dos limites de nossa comunidade. O Papa Francisco tem insistido: “Só podemos nos considerar cristãos de fato se, como Jesus, irmos ao encontro de todos para anunciar, sem imposição, quem é Jesus e no que consiste o Evangelho por Ele anunciado”.Parte do dízimo deve ser investido nas missões, tanto aquelas a serem realizadas na própria comunidade, como aquelas a serem efetivadas fora da comunidade. A comunidade que se acomoda e fica contente com quem já participa perdeu, ou nunca teve, senso missionário.
Caritativa: Essa dimensão do dízimo leva os dizimistas a fazer o que Jesus fez: olhar com amor e colocar-se a serviço dos pobres. Como é possível que adoremos Jesus na Eucaristia e não o identifiquemos em quem sofre? Essa incoerência sinaliza o quanto vemos Jesus aqui e não ali. A comunidade dizimista, pela assistência e pela promoção, serve o pobre gratuitamente. É preocupante que uma comunidade invista somente em construções, e nem sequer perceba o pobre que está à sua porta, como o rico e Lázaro na parábola contada por Jesus. Quem opta pelo dízimo, opta preferencialmente, não exclusivamente! pelos pobres!
Uma parte do dízimo deve ser destinada aos necessitados, aos pobres mais pobres. Seja pela assistência, seja pela promoção. Pela assistência atende-se àquelas necessidades urgentes, que não podem ser deixadas para amanhã, como alimento, roupa, remédio, entre outras. Pela promoção investe-se na formação e capacitação, dando às pessoas condições de terem uma forma de sustento e/ou uma profissão, como curso de culinária, de preparação para o vestibular, de plantio de horta, ou ainda o custeio de cursos profissionalizantes.
Os porquês de ser dizimista
  • Sou Batizado, membro de uma comunidade de fé. Ao ser batizado recebi a missão de evangelizar.
  • Sou Evangelizador, sigo os mandamentos de Jesus: “Ide e anunciai o Evangelho a todas as pessoas” (Mt 28,19)
  • Sou Comunidade, não evangelizo sozinho, e sim com a comunidade, me unindo aos meus irmãos e irmãs na fé.
  • Sou Igreja, procuro ser coerente com a minha fé. Se pertenço a Igreja, tudo o que é importante para ela, é também para mim.
  • Sou Pastoral, contribuo para que o Evangelho apresentado por Jesus chegue em diferentes situações e ambientes.
  • Sou Corresponsável, responsável, junto com os demais membros, pela obtenção de recursos para a manutenção da paróquia.
  • Sou Grato, agradeço a Deus pela minha vida. Ao contribuir devolvo a Ele um pouco do muito que me oferece.
É necessário que saibamos porque contribuímos com o dízimo. Quanto mais tivermos consciência do significado e do valor da nossa contribuição, tanto mais contribuiremos com alegria, generosidade e fé. Abramos o coração para Deus e para a comunidade, assumindo o nosso batismo que nos vocaciona para a santidade e nos faz evangelizadores.
Ser dizimista é ser discípulo missionário!
*Artigo escrito pelo diácono Celso Luis Sais, assessor da Pastoral do Dízimo na Diocese de Santo André
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Fontes:
Doc 106 – CNBB
Pastoral do Dizimo: Formação para agentes da Pastoral do Dízimo – Pe Cristovam Lubel

Primeira reunião da Pascom Diocesana





Convocamos os Agentes da Pastoral da Comunicação📢


Data: Sábado, 15 de Fevereiro 
Local: Matriz de São José 
Horário: 14h30

Pauta:
- Acolhida pelo Pároco, Padre José Robério;
- Apresentação da Festa de São José 2020;
- Planejamento Setcom2020;
- Workshop sobre Rádio, Foto e Imagem - Informações Práticas;
- Multicom em Patos;
- Visita e Oficialização dos Zonais;
- Campanha da Fraternidade 2020.
- Aniversário da Rádio Rural;
- Dia Mundial das Comunicações Sociais.



Formação Diocesana da Campanha da Fraternidade 2020







Campanha da Fraternidade 2020

Tema: Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso
Lema: "Viu, sentiu compaixão e cuidou dele" ( Lc 10,33-34

Formação Diocesana
Data: 14/02
Horário- 7h30 às 12h
Local- Centro de Treinamento Libânia Lopes Pessoa em Mossoró- RN  

Mais informações- Comissão das Campanhas-  9 8878.9202

Reflexão para o Quinto Domingo do Tempo Comum- Mateus 5,13-16 ( Ano A)




Neste quinto domingo do tempo comum, iniciamos a leitura do grande “discurso da montanha” (Mt 5 – 7), a qual será continuada nos próximos domingos. Devido à festa da apresentação, celebrada no domingo passado, saltamos o quarto domingo do tempo comum. Por causa disso, infelizmente, deixamos de ler a parte introdutória desse discurso, que corresponde às bem-aventuranças (Mt 5,1-12), trecho que é considerado o coração de todo o Evangelho de Mateus. O texto proposto para hoje – Mt 5,13-16 – é exatamente o que sucede imediatamente às bem-aventuranças. De acordo com o evangelista Mateus, continuando um ensinamento vital para a comunidade de seus seguidores, Jesus emprega duas imagens bastante fortes e interpelantes, o sal e a luz, para demonstrar o quanto a vivência das bem-aventuranças é indispensável na vida dos seus discípulos e, consequentemente, para a comunidade cristã. Por isso, é importante recordar que tudo o que é desenvolvido ao longo do discurso da montanha é, na verdade, consequência ou desdobramento das bem-aventuranças.

Consideradas pela maioria dos exegetas como o autorretrato de Jesus, as bem-aventuranças são, ao mesmo tempo, o programa de vida que ele propõe para os seus discípulos e discípulas de todos os tempos. A vivência delas tem um efeito transformador no mundo, comparável aos efeitos do sal e da luz, empregados para suas finalidades mais básicas: dar sabor e iluminar. Ora, é da vivência das bem-aventuranças que depende a instauração do Reino dos Céus na terra. Para que esse Reino, de fato, aconteça, é necessário que as pessoas, começando pelos discípulos, assumam um estilo de vida semelhante ao de Jesus, ou seja, que pratiquem as bem-aventuranças. Por isso, o emprego das imagens do sal e da luz são seguidos de advertência sobre o perigo de que estes elementos não sejam, de fato, bem utilizados.

As imagens do sal e da luz são, assim, uma síntese da missão dos seguidores de Jesus e, ao mesmo tempo, uma demonstração do efeito dessa missão. Eis, pois, a primeira imagem com a consequente advertência: “Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens” (v. 13). Embora seja possível identificar diversas funções para o sal, sobretudo na antiguidade, o texto deixa muito claro que faz referência ao seu uso para a alimentação, seja como condimento, quanto como conservante. Mesmo assim, é importante recordarmos também outras funções atribuídas ao sal ao longo da Bíblia. Era símbolo de qualquer coisa duradoura e preciosa, tornando-se, inclusive, sinal da indissolubilidade da aliança, de modo que uma aliança eterna era chamada de “aliança de sal” (cf. Nm 18,19). Outro significado para o sal é a purificação, sendo um elemento utilizado nos sacrifícios cultuais (cf. Lv 2,13; Ez 43,24), e empregado também por Eliseu para purificar as águas das fontes de Jericó (cf. 2Rs 2,19-22).

Aqui no texto de Mateus, no entanto, como já acenamos anteriormente, e considerando o inteiro versículo, a referência ao sal está relacionada ao seu uso no alimento, pois o texto indica como função primordial o dar sabor. É importante perceber também o universalismo atribuído aos seguidores de Jesus: ser sal de toda a terra, ou seja, marcar presença e fazer a diferença em todo o mundo, e não apenas dentro das fronteiras de Israel. Essa dimensão universalista da missão cristã será evidenciada ao longo de todo o Evangelho de Mateus, e encontrará o seu ápice no envio missionário pós-ressurreição, quando o Ressuscitado ordenará que seus discípulos devem ir a todas as nações para ensinar, batizar e discipular (cf. Mt 28,19-20). Seja para dar sabor, seja para conservar alimentos, o sal é indispensável na vida dos ser humano. Assim também é indispensável a presença de cristãos e cristãs no mundo, para que o projeto libertador de Jesus seja realizado. Ao falar do risco de o sal tornar-se insosso e, consequentemente, inútil, se faz uma advertência ao risco de omissões e falta de testemunho dos cristãos no mundo. Assim como não tem sentido um sal sem sabor, também não tem sentido cristãos sem a prática das bem-aventuranças, ou seja, sem fome e sede de justiça, sem mansidão no coração, sem misericórdia e sem amor.

A segunda imagem empregada ocupa todo o restante do texto e, aparentemente, é mais simples ou, pelo menos, mais compreensível, já que é uma imagem mais frequente ao longo da Bíblia: “Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte” (v. 14). A imagem da luz, de fato, atravessa toda a Bíblia, muito mais do que a do sal, bem como o seu efeito é muito mais visível. Inclusive, a própria missão de Jesus na Galileia foi apresentada por Mateus como luz, como refletimos há dois domingos (cf. evangelho do terceiro domingo do tempo comum: Mt 4,12-23). Como extensão e continuação da missão de Jesus, também a missão dos seus discípulos é apresentada como luz. Isso mostra que a missão dos discípulos é a mesma de Jesus. Novamente, a dimensão universalista da missão é recordada: os cristãos não devem ser luz somente para um determinado grupo de pessoas ou de uma determinada região, mas de todo o mundo. A segunda parte do versículo é, certamente, uma crítica à cidade de Jerusalém e às autoridades de Israel, como um todo. Ora, Jerusalém fora construída sobre um monte (cf. Is 2,1) exatamente para de lá resplandecer a luz de Deus; porém, fora corrompida pelos poderes religioso e político, ofuscando a luz de Deus. Temos aqui, portanto, uma clara denúncia a Israel e, especialmente, a Jerusalém que falhara na sua missão de ser luz das nações (cf. Is 42,6; 49,6). Por isso, Deus transferiu sua luz para a marginalizada Galileia, onde Jesus iniciou seu ministério como uma luz que brilha nas trevas (cf. Mt 4,12-23). Como consequência, Jesus transfere a missão que outrora fora de Israel para os seus discípulos.

Na continuidade do texto, vemos novamente o tom de advertência, como no uso do sal: “Ninguém acende uma lâmpada e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim, num candeeiro, onde brilha para todos, que estão na casa” (v. 15). Tão inútil quanto um sal sem sabor e uma lâmpada escondida é a vida cristã sem testemunho, ou seja, sem a prática das bem-aventuranças. Temos aqui mais um alerta sobre o risco da omissão dos cristãos no mundo, diante das injustiças e de todas as formas de manifestação do mal. O cristão não pode se omitir onde há trevas, onde há negação da vida.  Uma lâmpada debaixo da mesa é a imagem do discípulo omisso e medroso, incapaz de denunciar as injustiças que estão ao seu redor, e conivente com as situações de opressão e negação da vida. Uma vez que a luz acesa não tem outra função que não seja iluminar, também os cristãos não podem omitir-se de testemunhar o Evangelho, cuja condição é a vivência das bem-aventuranças, que são o programa de Jesus.

O versículo conclusivo consiste em mais uma exortação e advertência. Assim como houve com Israel, também havia na comunidade cristã uma tendência ao envaidecimento e ao orgulho, o que é totalmente incompatível com o ensinamento de Jesus. É necessário que os discípulos sejam sinal de luz diante das outras pessoas, mas que não sejam recompensados ou elogiados por isso, pois é ao Pai que está nos céus que devem ser dirigidos todos os louvores; é esse o sentido do versículo: “Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus” (v. 16). Os cristãos de todos os tempos devem cumprir boas obras, devem “fazer o bem” como fez Jesus (cf. At 10,38), de modo que revelem o Deus em quem acreditam. Em outras palavras, o versículo quer dizer que o reconhecimento e o louvor de Deus pela humanidade dependem essencialmente do estilo de vida dos cristãos. E isso é uma grande responsabilidade. O mundo conhece Deus à medida em que os cristãos dão sabor ao mundo e o iluminam com as ações e os gestos concretos que praticam. O Deus que é Pai, portanto, não se torna conhecido pelo ensino de uma doutrina, e sim pelo testemunho dos cristãos.

Pe. Francisco Cornélio F. Rodrigues – Diocese de Mossoró-RN
francornelio@gmail.com

UERN entrega à Diocese de Mossoró pesquisa socioeconômica sobre a Festa de Santa Luzia


Na manhã dessa segunda-feira, 3, a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) entregou à Diocese de Mossoró uma pesquisa socioeconômica da Festa de Santa Luzia. Na oportunidade, o professor Leovegildo Cavalcanti, diretor da Faculdade de Ciências Econômicas (FACEM), apresentou os dados obtidos a partir do estudo, que auferiu o potencial econômico do evento católico.
Realizada por 16 alunos da UERN, a pesquisa foi coordenada pelo professor Cavalcanti em parceria com o professor Sérgio Luiz, do curso de Ciências Contábeis, e com a professora Maria Elza, de Economia. O trabalho, cujo material adveio de entrevistas e estudos da Festa de Santa Luzia de 2019, envolveu cinco cursos: Economia, Contabilidade, Turismo, Administração e Gestão Ambiental.
Cerca de 1,8 mil pessoas foram entrevistadas, sendo 87% devotos. As informações apontam que mais de 95% dos participantes da festa religiosa aprovam a sua organização. Apesar disso, os especialistas concluíram que falta mais profissionalização no sentido de aproveitar melhor a capacidade de movimentar o turismo religioso local, porque só 12% do público visitante é de fora de Mossoró.
“Falta se fazer um trabalho integrado junto à Prefeitura de Mossoró para o desenvolvimento de um turismo religioso mais condizente com o aspecto de geração de emprego e renda e que efetivamente vai caber aos governantes e à própria Diocese como tratar [o evento] a partir de agora”, comentou Cavalcanti.
Presente no momento da entrega, Carlos Antônio, um dos responsáveis pela pesquisa e aluno do 8º período de Turismo, destacou a experiência adquirida com o estudo. “É importante para a gente como aluno e é importante também para a Diocese, como um trabalho desenvolvido para a comunidade”, disse.
Representando a Diocese, o padre Flávio Augusto agradeceu o trabalho desenvolvido, ressaltando a importância da relação das organizações sociais com a Universidade. “Para nós, foi fundamental essa relação. A pesquisa, para mim, conseguiu alcançar seu objetivo, porque nós temos agora um dado real [sobre a Festa de Santa Luzia], e não apenas da igreja”, afirmou.
O reitor da UERN, Pedro Fernandes, sublinhou que esse estudo mostra a relevância de uma instituição de ensino superior não ficar adstrita a aspectos puramente teóricos, desempenhando um papel de ajudar, por meio da pesquisa, na transformação social. “Espero que outras instituições se integrem [a esse tipo de iniciativa], porque Mossoró hoje tem um parque universitário muito grande”, afirmou.
Embora seja o primeiro do estudo voltado para a Festa de Santa Luzia, os pesquisadores da UERN já fizeram relatórios semelhantes do Mossoró Cidade Junina e do Carnaval de Apodi.
Fonte: UERN

Seminário Santa Teresinha inicia suas atividades 2020





 A vocação é Dom de Deus e supõe correspondência daquele que é chamado. Cada seminarista é uma riqueza que o Senhor coloca nas mãos da Igreja, e esta vai ajudá-lo no discernimento e nas decisões quanto aos rumos da própria vida. A história pessoal é uma graça de Deus e cada atitude, por menor que seja, vai definindo o futuro. Neste dia 09, às 9h, na Catedral de Santa Luzia com Santa Missa presidida pelo Bispo Diocesano Dom Mariano Manzana, concelebrada pelo reitor do Seminário Santa Teresinha, Padre Francisco Crisanto,  os padres formadores, Pe João Batista e Pe Miqueias Pascoal, vigário geral e pároco da Catedral, Padre Flávio Augusto e outros sacerdotes. Toda comunidade é convidada a participar e rezar por uma geração de padres santos e missionários para que animados pelo Evangelho, possam servir com alegria o povo de Deus.

Transmissão- Rádio Rural de Mossoró

Reflexão para a Festa da Apresentação do Senhor- Lucas 2,22-40



Tendo se passado exatamente quarenta dias do natal, a Igreja celebra, neste domingo, dia dois de fevereiro, a festa da Apresentação do Senhor, substituindo o quarto domingo do tempo comum. Embora já seja celebrada em pleno tempo comum, essa festa funciona como a conclusão definitiva do natal e um pré-anúncio da páscoa. É uma festa muito antiga. Surgiu no Oriente, ainda no quarto século da era cristã, com o título de “festa do encontro”. No Ocidente, passou a ser celebrada no século sexto com o mesmo título, o qual foi mudado no décimo século para “festa da purificação da Bem-aventurada Virgem Maria”, quando passou a ser uma festa mariana. O título atual – festa da apresentação do Senhor – é bem recente: foi introduzido com a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, recolocando o Senhor como centro e, assim, recuperando o seu sentido cristológico. No Oriente, continua sendo celebrada com o título original de “festa do encontro”.

O evangelho proposto para hoje – Lc 2,22-40 – é o relato da apresentação de Jesus no templo de Jerusalém, o que justifica a existência e o título desta festa. É um texto de alta concentração cristológica, no qual convergem diversos elementos do Antigo Testamento para a novidade de Jesus, como preparação para o seu reconhecimento como salvador universal e “luz de todas as nações (v. 32). Considerando a sua grande extensão, dezenove versículos no total, não comentaremos versículo por versículo, mas procuraremos colher a mensagem principal, embora seja indispensável evidenciar alguns versículos em particular. Inserido no chamado “evangelho da infância” de Lucas (Lc 1 – 2), esse texto faz parte de uma sequência de episódios iniciada pelo relato do nascimento de Jesus (Lc 2,1-7): o anúncio do anjo aos pastores (Lc 2,8-12), o canto dos anjos glorificando a Deus (Lc 2,13-14), a visita dos pastores à manjedoura em Belém (Lc 2,15-20), a circuncisão e imposição do nome Jesus (Lc 2,21). O texto de hoje se insere na sequência destes episódios.

Além do relato da apresentação do menino e da purificação da mãe, como cumprimento dos preceitos da Lei (vv. 22-24), o texto contém os testemunhos de Simeão (vv. 25-35) e Ana (vv. 36-38), o que lhe confere uma riqueza ímpar. De fato, o simples cumprimento dos preceitos da Lei não revela nada de extraordinário; inclusive, a intenção do evangelho ao mencioná-lo é mostrar a inserção de Jesus na história, na vida concreta de um povo, vivendo o seu cotidiano. O que, de fato, desconcerta e apresenta grande novidade são os testemunhos de Simeão e Ana, enriquecendo a cristologia do texto com suas respectivas revelações da identidade messiânica de Jesus. Na conclusão, o autor fala do retorno de Jesus com seus pais à vida cotidiana de Nazaré e apresenta uma pequena síntese do seu crescimento acompanhado da força e a graça de Deus (vv. 39-40).

Conforme afirmamos anteriormente, esse texto tem uma alta concentração cristológica; o seu centro é Cristo, e isso já pode ser percebido no primeiro versículo: “Quando se completaram os dias da purificação da mãe e do filho, conforme a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, a fim de apresentá-lo ao Senhor” (v. 22). Ora, o preceito de purificação era aplicado somente à mãe: quarenta dias após o parto, se a criança fosse menino, e oitenta dias se fosse menina (cf. Lv 12,1-8). A lei exigia apenas que a mãe se apresentasse ao sacerdote, levando a oferta prescrita. Ao inserir Jesus na cena, Lucas pretende evidenciar a sua importância e centralidade. Não havia nenhum preceito que exigisse a apresentação da criança. A Lei determinava apenas a consagração do primogênito (v. 23 = Ex 13,2). Para essa consagração não havia necessidade de levar a criança ao sacerdote, mas apenas o pagamento do seu resgate (cf. Ex 34,19-20). As motivações de Lucas são estritamente teológicas, ao inserir no episódio elementos que, de certo modo, contradizem as normas e os costumes do povo judeu.

Como um dos temas mais caros ao Evangelho segundo Lucas é a atenção aos pobres, também neste episódio ele faz questão de evidenciá-lo, através da descrição da oferta de José e Maria pela purificação da mãe: “Foram também oferecer o sacrifício – um par de rolas ou dois pombinhos – como está ordenado na Lei do Senhor” (v. 24). A oferta deveria ser de um cordeiro, com exceção para as famílias pobres que podiam oferecer um par de rolas ou dois pombinhos (cf. Lv 12,8), como fizeram José e Maria. Com isso, o evangelista evidencia que Jesus veio pelos pobres, para os pobres e para ficar com os pobres, especialmente. Sua identificação é clara com os últimos de Israel e, consequentemente, de todo o universo: humildes, pecadores, mulheres e marginalizados em geral. É com esse detalhe que o evangelista encerra as descrições rituais do episódio. Nos versículos seguintes ele apresentará os testemunhos de Simeão e Ana como centro do relato. Na verdade, ele usou os preceitos da Lei e os ritos apenas como pretexto para tratar da identidade messiânica de Jesus, como faz em seguida.

Simeão e Ana são personagens exclusivos de Lucas. São frutos da sua teologia e são personalidades corporativas, ou seja, representam uma coletividade: a parcela do povo de Israel que permaneceu fiel às promessas de Deus, especialmente os mais pobres, e que reconhece Jesus como o cumprimento das promessas e a plenitude da Lei. Eis a descrição de Simeão: “Em Jerusalém havia um homem chamado Simeão, o qual era justo e piedoso, e esperava a consolação do povo de Israel. O Espírito Santo estava com ele e lhe havia anunciado que não morreria antes de ver o Messias que vem do Senhor” (v. 25-26). As qualidades de justo e piedoso sintetizam o que Deus espera do ser humano. É sinônimo de conduta reta diante de Deus e do próximo. esperar a consolação significa reconhecer e assumir uma situação de tristeza, de negação da vida. Por isso, Lucas enfatiza tanto a alegria ao longo do seu Evangelho. Israel vivia uma situação caótica e triste e, diante disso, muitos perderam a esperança e o gosto pela vida. Simeão soube esperar e reconhecer em Jesus o consolo definitivo, a salvação de quem estava literalmente perdido, sem perspectivas, devido à opressão causada pelos sistemas de poder, tanto político-econômico quanto religioso. Vivendo em situação tão adversa e caótica, somente tendo consigo o Espírito Santo, Simeão poderia sentir a libertação definitiva tão próxima. Esse dado é importante: é o Espírito Santo quem credencia o ser humano a acolher a novidade de Jesus e do Evangelho.

Ao dizer que “Simeão tomou o menino nos braços e bendisse a Deus” (v. 28), Lucas quer afirmar que o velho acolheu o novo, os dois testamentos (alianças) se encontraram e podem, de agora em diante, conviver em harmonia, desde que haja abertura ao Espírito Santo da parte do antigo. O povo da antiga aliança é consolado ao participar da nova aliança, cedendo aos apelos do Espírito Santo. Isso requer um aprofundamento na vivência da fé, graças ao Espírito Santo. Conforme já profetizara Isaías (cf. Is 49,6), Simeão percebe que é preciso abrir mão de certos pensamentos hegemônicos: a glória de Israel é compatível com a luz das nações. Ora, luz é também sinal de glória. Portanto, se Israel encontra sua glória, os povos de todo o mundo são também iluminados, e não dominados, como esperavam os movimentos mais nacionalistas e radicais. Lucas aproveita a cena para introduzir mais um cântico no seu “evangelho da infância”, colocando-o, dessa vez, na boca de Simeão (vv. 29-32), conforme já fizera com Maria (Lc 1,46-55), com Zacarias (Lc 1,68-79), e com os anjos (Lc 2,14).

Somente com olhos e coração atentos ao Espírito Santo, era possível afirmar que a salvação foi vista, contemplada. Assim, Simeão e, nele, todo o Israel fiel, pode dizer: “podes deixar teu servo partir em paz” (v. 30). De fato, o Antigo Testamento deu ao Novo seu lugar! Simeão, ajudado pelo Espírito Santo, antecipa a missão de Jesus e o efeito dessa: ser sinal de contradição e causa de queda e reerguimento para muitos em Israel (cf. v. 34). O Evangelho não será acolhido por todos e, portanto, a sua acolhida causará divisão, angústia e, consequentemente, queda e elevação. Na verdade, Lucas está reforçando o que já tinha apresentado no cântico de Maria: o Deus de Israel e de Jesus eleva os humildes e faz cair os soberbos (cf. Lc 1,52ss). Quanto ao que Simeão diz em relação a Maria, a mãe, não é uma profecia sobre o drama da cruz, como muitas interpretações afirmam. A espada é uma imagem da palavra de Deus no Antigo Testamento (cf. Is 49,2). Portanto, será a Palavra de Deus, revelada plenamente em Jesus, a atravessar Maria: o Evangelho dividirá o povo judeu; uns o acolherão, outros não; como imagem e figura de Israel, Maria viverá em si esse drama. A espada aqui é o Evangelho que dividirá o mundo.

Quanto a Ana, seu papel é semelhante ao de Simeão, embora a sua descrição seja bem diferente: “Havia também uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada; quando jovem, tinha sido casada e vivera sete anos com o marido” (v. 36). É característica de Lucas atribuir importância a pessoas praticamente destinadas ao esquecimento. Assim ele faz com Ana. Ao mencioná-la, ele quer enfatizar o papel da mulher na nova aliança, resgatando uma importância que a antiga lhe tinha negado. Ao qualificá-la como profetisa, o evangelista lhe atribui um papel importante, pois somente quatro mulheres receberam esse título no Antigo Testamento, e cinco em toda a Bíblia, incluindo ela: Maria, irmã de Moisés e Aarão (Ex 15,20), Débora (Jz 4,4), Hulda (2Rs 22,14), a esposa de Isaías (Is 8,3), e Ana. A tribo de Aser, da qual Ana era proveniente, localizada no extremo norte da Galileia, era a mais distante de Jerusalém, e sua população era considerada quase pagã pelas autoridades religiosas da época. Esse dado também evidencia a predileção de Deus pelo que é rejeitado e marginalizado.

A idade de Ana é bastante significativa: 84 anos, o que significa 7 vezes 12, ou seja, Israel (número 12) chegando a sua perfeição (número 7); portanto, Ana representa o Israel ideal que encontrou em Jesus a sua razão de ser. Por isso, ela “pôs-se a louvar a Deus e a falar do menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém” (v. 38). O louvor é consequência de quem se reencontra com a alegria e o gosto pela vida, algo que Lucas valoriza bastante em sua obra (Evangelho e Atos). Ana, ao louvar, se solidariza com todos aqueles que esperavam a libertação. Ora, libertação é o desejo de quem se sente na escravidão. Ela reconhece Jesus como a libertação definitiva de quem se encontrava escravizado pelos poderes econômico, político e religioso da época.

Diante de tudo o que se dizia do menino, a reação dos seus pais não poderia ser diferente: estavam maravilhados (v. 33). Assim como Simeão e Ana, José e Maria também estavam cansados da vida com suas mazelas, exploração e desencantos. Porém, mantiveram a esperança viva; não desanimaram, esperaram no Senhor e viram a libertação e a consolação. Por isso, são para nós testemunhas autênticas de um Deus que não deixa de cumprir as suas promessas e que olha, especialmente, pelos mais necessitados de todos os tempos.

A grande lição desse belo texto evangélico é exatamente essa: em Jesus, as promessas de Deus são realizadas, o Antigo Testamento é cumprido, porém, de modo surpreendente: a mensagem salvífica de Jesus é tão grande que Israel não é capaz de comportá-la; por isso, transcende, é luz para todos os povos! Maravilhar-se é admirar-se, encantar-se. Em Jesus, uma nova história começa, tendo como protagonistas os pobres, pequenos e humildes, ou seja, os necessitados de consolação e de libertação.

Pe. Francisco Cornelio F. Rodrigues – Diocese de Mossoró-RN

francornelio@gmail.com

Missa em Ação de Graças pelo centenário de nascimento de Padre Guido Tonelotto




O Padre Guido Tonelotto se estivesse vivo completaria nesta segunda-feira (3) 100 anos de vida. Uma Missa em Ação de Graças pelo centenário de nascimento de Padre Guido será celebrada, às 17h, na Matriz de São José, onde ele viveu seu sacerdócio por mais de 30 anos e fundou um dos mais significativos projetos sociais de Mossoró, o Projeto Esperança. Padre Guido faleceu aos 89 anos no dia 11 de novembro de 2009, deixando um legado de solidariedade e amor aos mais humildes.

História- Padre Guido nasceu em 3 de fevereiro de 1920, em Concórdia, província de Veneza, Itália, filho de José Tonelotto e da costureira Maria Zadro, irmão de Vitorino, Bruno e Amélia. Sua família vai residir na França, onde faz sua Primeira Comunhão em 1927, em Jallieu, Diocese de Grenoble, onde também foi crismado em maio de 1932. Aos 12 anos, ingressou no Seminário de Grenoble, onde ficou até 1939, quando a família voltou à Itália, cidade de Verona.

Ingressa na Ordem Salesiana em 1939. Conclui os estudos de Filosofia e Teologia no Instituto Salesiano de Monteortono, em Pádua. A 29 de junho de 1948, é ordenado sacerdote por D. Carlos Agostini, bispo de Pádua, na Igreja de Monteortono. Celebrou a primeira missa na Catedral de Concórdia, a 11 de julho de 1948.

Iniciava-se ali grande missão de pastorear as "ovelhas de Cristo". Foi diretor, professor, orientador espiritual. Em todas as atividades pastorais deixou o marco de seu carisma espiritual, sua caridade, seu serviço. Em maio de 1955, tornou-se um missionário Salesiano em terras brasileiras. Chegou ao Brasil em novembro. Rezou a sua primeira missa no Dia de Finados, no Colégio Salesiano de Carpina, onde foi diretor do Seminário Menor e orientador do Aspirantado Salesiano. Conheceu então o Padre Dom Gentil Diniz, Pároco de Limoeiro (PE), futuro bispo de Mossoró. Em 1958, foi enviado à região Norte, onde dirigiu os Colégios Salesianos de Belém e de Manaus.

Volta à Itália e assume a direção do Centro de Formação para Leigos na América Latina. Permanece em Roma até 1973, quando, convicto de sua paixão pelos pobres, especialmente, pelas crianças marginalizadas, volta para o Brasil a convite de Dom Gentil, assumindo a paróquia de Martins. Em 1978, transfere-se para paróquia de São José, em Mossoró (RN). Nela realizou sua grande obra social. Fundou o Projeto Esperança, voltado à assistência integral de crianças, adolescentes e jovens da periferia de Mossoró. Uma obra social voltada à assistência integral de crianças, jovens e adolescentes da periferia de Mossoró, oferecendo atividades diversas. O Projeto hoje atende mais de setecentas crianças na sede própria ao lado da Matriz de São José. 


Missa em Ação de Graças pelo Centenário de Vida de Padre Guido
Data- 03/02/2020
Horário- 17h
Local- Matriz de São José em Mossoró- RN 

*Com informações do site  Bom de Mossoró