ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Programação da Semana Missionária na Paróquia de Serra do Mel


 

Não tenhamos medo de ir! É nossa oportunidade de oferecer Jesus como sentido de vida. Que cada visita, cada encontro, cada gesto destas Semanas Missionárias nos ajude a encontrar em Deus o sentido e horizonte de nossas vidas! Sejamos discípulos comprometidos com o Reino de Deus”, convida o bispo Diocesano, Dom Mariano Manzana.     

1ª Semana Missionária de 2020 em Serra do Mel

Paróquia de Nossa Senhora Aparecida – Serra do Mel/RN
Semana Missionária – 08 a 16 de fevereiro de 2020

  
Programação

Dia 08 – Sábado – Abertura da Semana Missionária
11h - Acolhida e credenciamento
12h - Almoço
14h - Espiritualidade
17h - Lanche
19h - Missa de abertura e envio dos missionários
(investidura dos novos ministros)

Dia 09 – Domingo
08h - Encontro com a juventude
12h - Almoço
16h30 - Arrastão da juventude até a Igreja Matriz
18h - Missa na Igreja Matriz

Dia 10 - Segunda-feira
07h - Oração da manhã e café
08h - Visitas às famílias
12h - Almoço
14h - Visitas
Terço dos Homens

Dia 11 - Terça-feira
07h - Oração da manhã e café
08h - Visitas às famílias
12h - Almoço
14h - Visitas
Encontro com os educadores

Dia 12 - Quarta-feira
07h - Oração da manhã e café
08h - Visitas às famílias
12h - Almoço
14h - Visitas

Formação e criação da Legião de Maria

Dia 13 - Quinta-feira
07h - Oração da manhã e café
08h - Visitas às famílias
12h - Almoço
14h - Visitas
Adoração ao Santíssimo Sacramento

Dia 14 - Sexta-feira
07h - Oração da manhã e café
08h - Visitas às famílias
12h - Almoço
14h - Visitas
Encontro com os Casais
Encontro com o poder público

Dia 15 - Sábado
07h - Oração da manhã e café
08h - Visitas às famílias
Programação voltada ao projeto Coração de Criança
12h - Almoço
14h - Visitas
Lazer com os missionários

Dia 16 – Domingo – Encerramento da Semana Missionária
Avaliação da Semana Missionária
18h - Santa Missa presidida pelo Bispo Dom Mariano Manzana
Paróquia Nossa Senhora Aparecida


Vigário - Padre Railton Sérgio Bezerra de Oliveira Júnior
Serra do Mel - RN
Contato – 84 98816.2987

Reflexão para o Terceiro Domingo do Tempo Comum- Mateus 4,12-23 (Ano A)




Com a liturgia deste terceiro domingo do tempo comum, iniciamos a leitura contínua do Evangelho segundo Mateus, a qual será interrompida após o sétimo domingo, para a vivência dos tempos da quaresma e da páscoa, e retomada somente depois da solenidade da Santíssima Trindade, já no décimo primeiro domingo. Durante esse intervalo – quaresma, páscoa e solenidades pós-pascais – também serão lidos trechos do Evangelho de Mateus, mas de modo aleatório, como já o fizemos nos tempos do advento e do natal, intercalando com os demais evangelhos. A partir deste ano, o terceiro domingo do tempo comum ganha um significado ainda mais especial, pois o Papa Francisco estabeleceu-o como o “Domingo da Palavra de Deus”, visando fazer crescer na Igreja a familiaridade com as Sagradas Escrituras, e reforçar o diálogo com os judeus e a unidade dos cristãos, como enfatiza a carta apostólica de instituição (Aperuit Illis - Abriu-lhes, nn. 3.5.15).

O texto lido hoje – Mateus 4,12-23 – marca, de fato, o início do ministério de Jesus na Galileia, tendo sido profundamente preparado pelos episódios anteriores: o batismo no Jordão (Mt 3,13-17) e as tentações no deserto (Mt 4,1-11). Liturgicamente, além do episódio do batismo (Mt 3,13-17), lido há dois domingos, o que nos preparou para lermos o evangelho de hoje foi o testemunho de João, o Batista, apontando Jesus como “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” e como “o Filho de Deus”, conforme o trecho do Quarto Evangelho lido no domingo passado (Jo 1,29-34). O episódio das tentações (Mt 4,1-11) será lido somente no primeiro domingo da quaresma. O texto de hoje é programático; nele são delineadas as principais linhas de todo o ministério de Jesus, ficando muito claro quais serão os principais destinatários da sua missão libertadora e o conteúdo da sua pregação. Pela extensão do texto, não conseguiremos comentar de maneira minuciosa versículo por versículo, mas colheremos a mensagem central.

Partimos do primeiro versículo, pois além de nos situar no tempo e no espaço, ele apresenta elementos importantes para a compreensão do restante do texto: “Ao saber que João tinha sido preso, Jesus voltou para a Galileia” (v. 12). A prisão de João se torna um divisor de águas na vida de Jesus. Além de marco cronológico para o início da sua missão, é também um sinal de qual será o seu destino, assim como o de praticamente todos os profetas: a perseguição. Do ponto de vista geográfico, o retorno à Galileia está relacionado aos episódios do batismo e das tentações, vividos no Jordão e no deserto, ambos localizados na região da Judeia. Mas significa muito mais do que isso. Antes de tudo, significa que a missão de Jesus não será uma repetição da missão de João. Ora, se João pregou na Judeia e Jesus vai para a Galileia iniciar lá o seu ministério, significa que há descontinuidade entre os dois. O programa de vida de Jesus é completamente novo. A Galileia era uma região periférica, uma terra má afamada, conhecida pela pouca ortodoxia do seu povo. Logo, o início da missão de Jesus nessa região indica que os primeiros destinatários da sua mensagem são as pessoas excluídas e marginalizadas, gente sem boa reputação.

Mesmo ciente da novidade que Jesus inaugura, assim como fez no “evangelho da infância” (Mt 1 – 2), o evangelista apresenta a sua missão, desde o início, como cumprimento das profecias, por necessidade da sua comunidade. Por isso, ele explica o início na Galileia à luz das Escrituras: “Deixou Nazaré e foi morar em Cafarnaum, que fica às margens do mar da Galileia, no território de Zabulon e Neftali, para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías:” (v. 13-14). A mudança de Nazaré para Cafarnaum é estratégica. Nazaré era apenas um pequeno povoado, o que na linguagem bíblica representa fechamento de mentalidade, conservadorismo exagerado e apego às tradições. Com uma mensagem tão libertadora como a sua, dificilmente Jesus seria aceito e compreendido lá, como atesta, inclusive, o evangelista Lucas, ao dizer que após a primeira pregação de Jesus em Nazaré já quiseram mata-lo (cf. Lc 4,16-30). Já Cafarnaum, cujo nome significa “aldeia da consolação”, era uma cidade média e um importante entreposto comercial. Localizada às margens do lago de Genesaré, o que Marcos e Mateus chamam de mar da Galileia, provavelmente por questões teológicas, Cafarnaum era um centro de circulação de pessoas, de mercadorias e de ideias. Isso facilitava também os constantes deslocamentos de Jesus, para pregar também em outros lugares. Pessoas de diversas proveniências passavam constantemente por Cafarnaum. Num cenário assim, a Boa Nova de Jesus circularia melhor, o que não significa que tenha havido uma acolhida unânime. É interessante recordar que, embora todos os evangelistas apresentem Cafarnaum como um dos cenários da atuação de Jesus, somente Mateus diz que ele fixou morada lá.

Como a comunidade de Mateus era fortemente influenciada pelo judaísmo, ele foi buscar no profeta Isaías (Is 8,23 – 9,1) uma passagem que justificasse essa opção tão revolucionária de Jesus: “Terra de Zabulon, terra de Neftali, caminho do mar, região do outro lado do rio Jordão, Galileia dos pagãos! O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz” (vv. 15-16). Zabulon e Neftali foram as primeiras tribos invadidas pelos assírios no séc. VIII a.C., onde começou a miscigenação da população, fazendo a Galileia toda ser chamada de “Galileia dos pagãos”. Ora, tanto o exército da Assíria deportou parte da população local, quanto levou povos estrangeiros para habitar na Galileia, fazendo nascer um grande sincretismo. Isso levou a população de Jerusalém e de toda a Judeia a criar um preconceito histórico contra os galileus, tratando-os como gente inferior, pessoas praticamente excluídas da salvação. No entanto, foi as pessoas dessa região que Deus escolheu para conhecerem primeiro a sua luz que brilha em Jesus. Isso é um fato bastante revolucionário: A grande luz de Deus não foi acesa para os judeus considerados puros, frequentadores assíduos do Templo de Jerusalém, mas para um povo desprezado, para as vítimas de preconceitos e exclusão, gente considerada impura. O começo do ministério de Jesus na Galileia significa, portanto, a sua identificação com os marginalizados em geral.

Tendo apresentado o cenário e os destinatários primeiros do ministério de Jesus, o evangelista apresenta a sua mensagem, o conteúdo da sua pregação: “Daí em diante Jesus começou a pregar dizendo: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo” (v. 17). O chamado à conversão e o anúncio do Reino são o centro da mensagem de Jesus. Mateus chama de “Reino dos Céus” a mesma realidade que os demais evangelistas chamam de “Reino de Deus”. Provavelmente, ele evita usar aqui o nome de Deus para não ferir a sensibilidade dos judeus, tão enraizada na sua comunidade. Esse Reino é uma sociedade alternativa, é o sonho de Deus para a humanidade. Ele é dos céus, porque foi todo pensado por Deus, mas seu destino é a terra, é a história. Não se trata de uma vida futura, mas é viver a vida presente conforme o projeto de Jesus. O Reino dos Céus é, portanto, um projeto de mundo e sociedade onde haja igualdade, fraternidade, amor, concórdia, solidariedade e paz; é um mundo sem preconceitos e nem exclusões. A instauração desse Reino na terra é tão urgente e necessária que, um pouco mais adiante, o próprio Jesus ensinará os discípulos a pedirem ao Pai, em oração, que “Venha o teu Reino” (Mt 6,10), ao ensiná-los a rezar o Pai nosso. Toda a práxis de Jesus é manifestação desse Reino, porque ele mesmo é o Reino em pessoa. Por isso, ele diz que o Reino está próximo, pois ele está presente no mundo e está prestes a iniciar a sua missão libertadora, marcada pela prática do bem. E a sua práxis deve ser continuada pelos seus discípulos de todos os tempos. Para abraçar um projeto como esse é necessária uma mentalidade nova. Por isso, o anúncio do Reino é precedido do imperativo “convertei-vos”. Conversão significa uma mudança radical de mentalidade, e não uma simples intensidade nas práticas religiosas e devocionais; é olhar o mundo de maneira nova e adotar um novo estilo de vida. E a lógica do Reino exige isso.

A instauração do Reino é tão urgente, que Jesus chama logos seus primeiros quatro colaboradores, duas duplas de irmãos, cujos chamados se tornam paradigma vocacional válido para todos os tempos. Eis o relato dos dois primeiros: “Quando Jesus andava à beira do mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André. Estavam lançando a rede ao mar, pois eram pescadores. Jesus disse a eles: “Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens”. Eles imediatamente deixaram as redes e o seguiram” (vv. 18-20). O cenário do chamado dos primeiros discípulos é o mar, embora se tratasse de um grande lago, apenas. O evangelista chama de mar por razões teológicas. Para a mentalidade bíblica, o mar era a morada do mal, sinônimo de perigo e morte. Propositalmente, é nesse ambiente que Jesus escolhe as primeiras pessoas para o seu seguimento: os irmãos Simão Pedro e André. Ele não vai a um ambiente cultual recrutar devotos, mas vai onde há gente sem reputação e sinais de perigo e morte. Embora não vivessem mal economicamente, pois a pesca era uma atividade rentável, os pescadores não gozavam de nenhum prestígio social, pois o contato com o mar tornava a atividade depreciativa.

Como se vê, o chamado de Jesus acontece no cotidiano: os pescadores são chamados enquanto lançam as redes. Isso serve para ilustrar a necessidade de adotar um novo estilo de vida para seguir Jesus e, consequentemente, inserir-se no Reino. O deixar as redes imediatamente para seguir Jesus (v. 20) significa exatamente a passagem de um estilo de vida para outro. O convite a ser “pescadores de homens” (v. 19) deve ser bem esclarecido, pois é muito fácil de ser deturpado, como tem sido, inclusive. Ora, muitas vezes, usa-se essa expressão para justificar proselitismos e até imposição de crenças, o que não combina com o projeto de Jesus. Como afirmamos anteriormente, o mar tem um sentido muito negativo para o mundo bíblico; é sinônimo de perigo, pois evoca o domínio do mal. Ser “pescador de homens” (de gente!), portanto, é ser sinal de vida, e assim é a missão dos seguidores de Jesus em todos os tempos: tirar homens e mulheres de condições desumanas; é restituir a dignidade às pessoas, combatendo todos dos tipos de mal que assolam o mundo, como a violência, a corrupção, a fome e as injustiças. O seguimento de Jesus exige o comprometimento com essa causa.

Na continuidade, o evangelista apresenta o chamado de mais uma dupla de irmãos: “Caminhando um pouco mais, Jesus viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu e seu irmão João. Estavam na barca com seu pai Zebedeu consertando as redes. Jesus os chamou. Eles imediatamente deixaram a barca e o pai, e o seguiram” (vv. 21-22). O cenário continua o mesmo, mas temos algumas novidades, principalmente nas renúncias. Enquanto Simão Pedro e André deixaram apenas as redes, o texto diz que Tiago e João deixaram a barca e o pai. Há, portanto, um crescendo nas exigências.  O primeiro chamado enfatiza a ruptura com a ordem socioeconômica, representada pelas redes (v. 20), enquanto o segundo destaca a ruptura com a estabilidade, representada pela barca, e o mundo cultural e religioso, simbolizado pelo pai. Com isso, o evangelista quer dizer que a relação com Jesus deve ter precedência sobre todas as instâncias da vida. Também é um sinal de que, ao longo da história, as exigências para o seguimento de Jesus tendem a aumentar cada vez mais, conforme os sinais dos tempos.

Na conclusão, o evangelista apresenta um primeiro resumo da missão de Jesus, recordando o caráter itinerante do seu ministério: “Jesus andava por toda a Galileia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo” (v. 23). Como se vê, é uma atividade dinâmica, própria de quem não vive acomodado, mas vai ao encontro das pessoas, onde há necessidade. Além de sintetizar a atividade de Jesus, esse versículo também exprime a natureza da “pesca de homens” para a qual ele chamou os discípulos: “curar todo tipo de doença e enfermidade do povo”, o que significa esforçar-se constantemente para que as pessoas sejam libertadas de todos os males que ferem a dignidade de filhos e filhas de Deus.


Pe. Francisco Cornelio Freire Rodrigues

Papa Francisco divulga mensagem para o 54º Dia Mundial das Comunicações Sociais


O Papa Francisco divulgou hoje, sexta-feira, 24 de janeiro, no dia memória de São Francisco de Sales, a sua mensagem para o 54° Dia Mundial das Comunicações Sociais intitulada “Para que possas contar e fixar na memória” (Ex 10, 2). A vida faz-se história. O Dia Mundial das Comunicações Sociais será celebrado em 24 de maio próximo.
O eixo central da mensagem do Papa é a narração e o papel das boas histórias e narrativas na vida de cada ser humano. “O homem é um ente narrador. Desde pequenos, temos fome de histórias, como a temos de alimento. Sejam elas em forma de fábula, romance, filme, canção, ou simples notícia, influenciam a nossa vida, mesmo sem termos consciência disso. Muitas vezes, decidimos aquilo que é justo ou errado com base nos personagens e histórias assimiladas. As narrativas marcam-nos, plasmam as nossas convicções e comportamentos, podem ajudar-nos a compreender e dizer quem somos”, diz o texto.
Na mensagem, o Santo Padre chama a atenção para as histórias que nos “narcotizam”, convencendo-nos de que, para ser felizes, precisamos continuamente de ter, possuir, consumir. “Quase não nos damos conta de quão ávido nos tornamos por bisbilhotices e intrigas, de quanta violência e falsidade consumimos. (…) Em vez de narrações construtivas, que solidificam os laços sociais e o tecido cultural, produzem-se histórias devastadoras e provocatórias, que corroem e rompem os fios frágeis da convivência”, disse.
Numa época em se revela cada vez mais sofisticada a falsificação, o Papa afirma que precisamos da sapiência para patrocinar e criar narrações belas, verdadeiras e boas. O Papa também chamou a atenção para as falsas histórias. “Quando se misturam informações não verificadas repetem discursos banais e falsamente persuasivos, percutem com proclamações de ódio, está-se, não a tecer a história humana, mas a despojar o homem da sua dignidade”.
A Bíblia, afirma o Papa na mensagem, é a grande história de amor entre Deus e a humanidade. A mensagem afirma que Jesus é o centro desta narração e sua história leva à perfeição o amor de Deus pelo homem e vice-versa. O Santo Padre afirma que o homem será chamado, de geração em geração, a contar e ficar na memória os episódios mais significativos desta História de histórias.
A mensagem afirma que depois que Deus Se fez história, toda história humana é, de certo modo, história divina. “Em cada grande história, entra em jogo a nossa história. Ao mesmo tempo que lemos a Escritura, as histórias dos Santos e outros textos que souberam ler a alma do homem e trazer à luz a sua beleza, o Espírito Santo fica livre para escrever no nosso coração, renovando em nós a memória daquilo que somos aos olhos de Deus”.
Conheça a mensagem a íntegra:
Mensagem do Papa Francisco para o LIV Dia Mundial das Comunicações Sociais
« “Para que possas contar e fixar na memória” (Ex 10, 2). A vida faz-se história »
Desejo dedicar a Mensagem deste ano ao tema da narração, pois, para não nos perdermos, penso que precisamos de respirar a verdade das histórias boas: histórias que edifiquem, e não as que destruam; histórias que ajudem a reencontrar as raízes e a força para prosseguirmos juntos. Na confusão das vozes e mensagens que nos rodeiam, temos necessidade duma narração humana, que nos fale de nós mesmos e da beleza que nos habita; uma narração que saiba olhar o mundo e os acontecimentos com ternura, conte a nossa participação num tecido vivo, revele o entrançado dos fios pelos quais estamos ligados uns aos outros.
1. Tecer histórias
O homem é um ente narrador. Desde pequenos, temos fome de histórias, como a temos de alimento. Sejam elas em forma de fábula, romance, filme, canção, ou simples notícia, influenciam a nossa vida, mesmo sem termos consciência disso. Muitas vezes, decidimos aquilo que é justo ou errado com base nos personagens e histórias assimiladas. As narrativas marcam-nos, plasmam as nossas convicções e comportamentos, podem ajudar-nos a compreender e dizer quem somos.
O homem não só é o único ser que precisa de vestuário para cobrir a própria vulnerabilidade (cf. Gn 3, 21), mas também o único que tem necessidade de narrar-se a si mesmo, «revestir-se» de histórias para guardar a própria vida. Não tecemos apenas roupa, mas também histórias: de fato, servimo-nos da capacidade humana de «tecer» quer para os tecidos, quer para os textos. As histórias de todos os tempos têm um «tear» comum: a estrutura prevê «heróis» – mesmo do dia-a-dia – que, para encalçar um sonho, enfrentam situações difíceis, combatem o mal movidos por uma força que os torna corajosos, a força do amor. Mergulhando dentro das histórias, podemos voltar a encontrar razões heroicas para enfrentar os desafios da vida.
O homem é um ente narrador, porque em devir: descobre-se e enriquece-se com as tramas dos seus dias. Mas, desde o início, a nossa narração está ameaçada: na história, serpeja o mal.
2. Nem todas as histórias são boas
«Se comeres, tornar-te-ás como Deus» (cf. Gn 3, 4): esta tentação da serpente introduz, na trama da história, um nó difícil de desfazer. «Se possuíres…, tornar-te-ás…, conseguirás…»: sussurra ainda hoje a quem se fia do chamado «mentiroso» (cf. Jo 9, 44), para atingir os seus fins. Quantas histórias nos narcotizam, convencendo-nos de que, para ser felizes, precisamos continuamente de ter, possuir, consumir. Quase não nos damos conta de quão ávidos nos tornamos de bisbilhotices e intrigas, de quanta violência e falsidade consumimos. Frequentemente, nos «teares» da comunicação, em vez de narrações construtivas, que solidificam os laços sociais e o tecido cultural, produzem-se histórias devastadoras e provocatórias, que corroem e rompem os fios frágeis da convivência. Quando se misturam informações não verificadas, repetem discursos banais e falsamente persuasivos, repercutem com proclamações de ódio, está-se, não a tecer a história humana, mas a despojar o homem da sua dignidade.
Mas, enquanto as histórias utilizadas para proveito próprio ou ao serviço do poder têm vida curta, uma história boa é capaz de transpor os confins do espaço e do tempo: à distância de séculos, permanece atual, porque nutre a vida.
Numa época em que se revela cada vez mais sofisticada a falsificação, atingindo níveis exponenciais (o deepfake), precisamos de sapiência para patrocinar e criar narrações belas, verdadeiras e boas. Necessitamos de coragem para rejeitar as falsas e depravadas. Ocorre paciência e discernimento para descobrirmos histórias que nos ajudem a não perder o fio, no meio das inúmeras lacerações de hoje; histórias que tragam à luz a verdade daquilo que somos, mesmo na heroicidade oculta do dia a dia.
3. A História das histórias
A Sagrada Escritura é uma História de histórias. Quantas vicissitudes, povos, pessoas nos apresenta! Desde o início, mostra-nos um Deus que é simultaneamente criador e narrador: de fato, pronuncia a sua Palavra e as coisas existem (cf. Gn 1). Deus, através deste seu narrar, chama à vida as coisas e, no apogeu, cria o homem e a mulher como seus livres interlocutores, geradores de história juntamente com Ele. Temos um Salmo onde a criatura se conta ao Criador: «Tu modelaste as entranhas do meu ser e teceste-me no seio de minha mãe. Dou-Te graças por me teres feito uma maravilha estupenda (…). Quando os meus ossos estavam a ser formados, e eu, em segredo, me desenvolvia, recamado nas profundezas da terra, nada disso Te era oculto» (Sal 139/138, 13-15). Não nascemos perfeitos, mas necessitamos de ser constantemente «tecidos» e «recamados». A vida foi-nos dada como convite a continuar a tecer a «maravilha estupenda» que somos.
Neste sentido, a Bíblia é a grande história de amor entre Deus e a humanidade. No centro, está Jesus: a sua história leva à perfeição o amor de Deus pelo homem e, ao mesmo tempo, a história de amor do homem por Deus. Assim, o homem será chamado, de geração em geração, a contar e fixar na memória os episódios mais significativos desta História de histórias: os episódios capazes de comunicar o sentido daquilo que aconteceu.
O título desta Mensagem é tirado do livro do Êxodo, narrativa bíblica fundamental que nos faz ver Deus a intervir na história do seu povo. Com efeito, quando os filhos de Israel, escravizados, clamam por Ele, Deus ouve e recorda-Se: «Deus recordou-Se da sua aliança com Abraão, Isaac e Jacob. Deus viu os filhos de Israel e reconheceu-os» (Ex 2, 24-25). Da memória de Deus brota a libertação da opressão, que se verifica através de sinais e prodígios. E aqui o Senhor dá a Moisés o sentido de todos estes sinais: «Para que possas contar e fixar na memória do teu filho e do filho do teu filho (…) os meus sinais que Eu realizei no meio deles. E vós conhecereis que Eu sou o Senhor» (Ex 10, 2). A experiência do Êxodo ensina-nos que o conhecimento de Deus se transmite sobretudo contando, de geração em geração, como Ele continua a tornar-Se presente. O Deus da vida comunica-Se, narrando a vida.
O próprio Jesus falava de Deus, não com discursos abstratos, mas com as parábolas, breves narrativas tiradas da vida de todos os dias. Aqui a vida faz-se história e depois, para o ouvinte, a história faz-se vida: tal narração entra na vida de quem a escuta e transforma-a.
Também os Evangelhos – não por acaso – são narrações. Enquanto nos informam acerca de Jesus, «performam-nos»[1] à imagem de Jesus, configuram-nos a Ele: o Evangelho pede ao leitor que participe da mesma fé para partilhar da mesma vida. O Evangelho de João diz-nos que o Narrador por excelência – o Verbo, a Palavra – fez-Se narração: «O Filho unigênito, que é Deus e está no seio do Pai, foi Ele quem O contou» (1, 18). Usei o termo «contou», porque o original exeghésato tanto se pode traduzir «revelou» como «contou». Deus teceu-Se pessoalmente com a nossa humanidade, dando-nos assim uma nova maneira de tecer as nossas histórias.
4. Uma história que se renova
A história de Cristo não é um patrimônio do passado; é a nossa história, sempre atual. Mostra-nos que Deus tomou a peito o homem, a nossa carne, a nossa história, a ponto de Se fazer homem, carne e história. E diz-nos também que não existem histórias humanas insignificantes ou pequenas. Depois que Deus Se fez história, toda a história humana é, de certo modo, história divina. Na história de cada homem, o Pai revê a história do seu Filho descido à terra. Cada história humana tem uma dignidade incancelável. Por isso, a humanidade merece narrações que estejam à sua altura, àquela altura vertiginosa e fascinante a que Jesus a elevou.
Vós «sois uma carta de Cristo – escrevia São Paulo aos Coríntios –, confiada ao nosso ministério, escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo; não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne que são os vossos corações» (2 Cor 3, 3). O Espírito Santo, o amor de Deus, escreve em nós. E, escrevendo dentro de nós, fixa em nós o bem, recorda-no-lo. De fato, re-cordar significa levar ao coração, «escrever» no coração. Por obra do Espírito Santo, cada história, mesmo a mais esquecida, mesmo aquela que parece escrita em linhas mais tortas, pode tornar-se inspirada, pode renascer como obra-prima, tornando-se um apêndice de Evangelho. Assim as Confissões de Agostinho, o Relato do Peregrino de Inácio, a História de uma alma de Teresinha do Menino Jesus, os Noivos prometidos (Promessi sposi) de Alexandre Manzoni, os Irmãos Karamazov de Fiódor Dostoevskij… e inumeráveis outras histórias, que têm representado admiravelmente o encontro entre a liberdade de Deus e a do homem. Cada um de nós conhece várias histórias que perfumam de Evangelho: testemunham o Amor que transforma a vida. Estas histórias pedem para ser partilhadas, contadas, feitas viver em todos os tempos, com todas as linguagens, por todos os meios.
5. Uma história que nos renova
Em cada grande história, entra em jogo a nossa história. Ao mesmo tempo que lemos a Escritura, as histórias dos Santos e outros textos que souberam ler a alma do homem e trazer à luz a sua beleza, o Espírito Santo fica livre para escrever no nosso coração, renovando em nós a memória daquilo que somos aos olhos de Deus. Quando fazemos memória do amor que nos criou e salvou, quando metemos amor nas nossas histórias diárias, quando tecemos de misericórdia as tramas dos nossos dias, nesse momento estamos a mudar de página. Já não ficamos atados a lamentos e tristezas, ligados a uma memória doente que nos aprisiona o coração, mas, abrindo-nos aos outros, abrimo-nos à própria visão do Narrador. Nunca é inútil narrar a Deus a nossa história: ainda que permaneça inalterada a crônica dos fatos, mudam o sentido e a perspectiva. Narrarmo-nos ao Senhor é entrar no seu olhar de amor compassivo por nós e pelos outros. A Ele podemos narrar as histórias que vivemos, levar as pessoas, confiar situações. Com Ele, podemos recompor o tecido da vida, cozendo as ruturas e os rasgões. Quanto nós, todos, precisamos disso!
Com o olhar do Narrador – o único que tem o ponto de vista final –, aproximamo-nos depois dos protagonistas, dos nossos irmãos e irmãs, atores juntamente conosco da história de hoje. Sim, porque ninguém é mero figurante no palco do mundo; a história de cada um está aberta a possibilidades de mudança. Mesmo quando narramos o mal, podemos aprender a deixar o espaço à redenção; podemos reconhecer, no meio do mal, também o dinamismo do bem e dar-lhe espaço.
Por isso, não se trata de seguir as lógicas do «mentiroso», nem de fazer ou fazer-se publicidade, mas de fazer memória daquilo que somos aos olhos de Deus, testemunhar aquilo que o Espírito escreve nos corações, revelar a cada um que a sua história contêm maravilhas estupendas. Para o conseguirmos fazer, confiemo-nos a uma Mulher que teceu a humanidade de Deus no seio e – diz o Evangelho – teceu conjuntamente tudo o que Lhe acontecia. De fato, a Virgem Maria tudo guardou, meditando-o no seu coração (cf. Lc 2, 19). Peçamos-Lhe ajuda. À Ela que soube desatar os nós da vida com a força suave do amor:
Ó Maria, mulher e mãe, Vós tecestes no seio a Palavra divina, Vós narrastes com a vossa vida as magníficas obras de Deus. Ouvi as nossas histórias, guardai-as no vosso coração e fazei vossas também as histórias que ninguém quer escutar. Ensinai-nos a reconhecer o fio bom que guia a história. Olhai o cúmulo de nós em que se emaranhou a nossa vida, paralisando a nossa memória. Pelas vossas mãos delicadas, todos os nós podem ser desatados. Mulher do Espírito, Mãe da confiança, inspirai-nos também a nós. Ajudai-nos a construir histórias de paz, histórias de futuro. E indicai-nos o caminho para as percorrermos juntos.
Roma, em São João de Latrão, na Memória de São Francisco de Sales, 24 de janeiro de 2020.
[Franciscus]
Com informações do VaticanNews

Programa A Luz com Padre Sátiro


O programa A Luz da Diocese de Mossoró, edição especial com Padre Sátiro Cavalcanti Dantas, vai ao ar nos dias 20 e 27 de janeiro, às 17h25, na tela da TCM Telecom, com reprise às sextas-feiras, no mesmo horário. Padre Sátiro celebra no dia 22 deste mês 90 anos de vida, uma trajetória de amor a Deus e amor ao próximo.

Missa de 7º Dia de Falecimento do Padre Tarcísio na Matriz de Apodi


Programação da Semana Missionária 2020



Em 2019, tivemos a realização de nove Semanas Missionárias. Esse ano realizaremos mais 09, conforme o calendário abaixo. Reforçamos a importância desses encontros verdadeiros que, segundo o nosso Bispo Diocesano, Dom Mariano, tempo de ir e encontrar as pessoas para amá-las e falarmos da alegria de seguir Jesus Cristo. “Não tenhamos medo de ir! É nossa oportunidade de oferecer Jesus como sentido de vida. Que cada visita, cada encontro, cada gesto destas Semanas Missionárias nos ajude a encontrar em Deus o sentido e horizonte de nossas vidas! Sejamos discípulos comprometidos com o Reino de Deus”, convida o Bispo.     






Padre Sátiro Cavalcanti Dantas celebra 90 anos de vida





A Diocese de Mossoró informa que a missa em Ação de Graças pelo aniversário natalício do padre Sátiro Cavalcanti Dantas foi cancelada. Nos dias 21, 22 e 23 Pe Sátiro estará em retiro espiritual, rezando por todos nós.
O sacerdote celebra no dia 22 deste mês 90 anos de vida. Uma vida inteira dedicada às coisas de Deus, à educação e ao próximo.
A Diocese parabeniza-o e deseja muitas bênçãos em sua vida.