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Festa da Imaculada Conceição 2020 em Mossoró- RN




Com a virgem Imaculada, sejamos construtores da esperança”. Acompanhe ( em casa) de 06 a 16 de agosto,  mais uma edição da festa da Imaculada Conceição 2020! 

Transmissão- You tube Imaculada Conceição Mossoró 

Reflexão para o 18º Domingo do Tempo Comum- Mt 14, 13-21 ( Ano A).


O evangelho que a liturgia propõe neste domingo, o décimo oitavo do tempo comum, corresponde ao primeiro relato do episódio conhecido popularmente como “multiplicação dos pães” no Evangelho segundo Mateus – Mt 14,13-21. De todos os gestos de Jesus considerados milagres, esse é o único relatado nos quatro evangelhos, com seis versões ao todo, já que em Mateus e Marcos aparece duas vezes (Mt 14,13-21; 15,32-38; Mc 6,30-44; 8,1-9). Esses dados indicam a importância que o episódio teve para as primeiras comunidades cristãs e, provavelmente, o cuidado para que não fosse distorcido e nem fantasiado; por isso, preferiram narrá-lo integralmente várias vezes, embora cada uma das versões apresente certas particularidades.

Hoje, lemos a primeira versão de Mateus e, como sempre, iniciamos considerando o seu contexto. O texto localiza-se praticamente na metade do evangelho; mais do que importância, esse dado indica que Jesus já realizou muita coisa, o seu ministério já estava bem avançado, basta olhar um pouco para trás e perceber isso: três dos cinco discursos já foram proferidos (Mt 5–7; 10; 13), os discípulos já foram enviados em missão, muitas curas já foram realizadas. Portanto, mesmo que não compreendessem totalmente e nem aceitassem completamente o que Jesus proponha, a sua mensagem se popularizava cada vez mais, e as multidões que o seguiam atestam isso. Logo, tornava-se cada vez mais necessário que Jesus deixasse clara a natureza do seu messianismo, que não correspondia aos anseios nacionalistas e triunfalistas da época. Por isso, Jesus procurava cada vez mais evitar atitudes que pudessem insinuar triunfalismos em seu ministério. Tudo isso aponta para o cuidado com que esse episódio chamado de “multiplicação dos pães” deve ser interpretado.

O contexto imediato é fornecido pelo próprio texto, na versão litúrgica, que recorda o evento anteriormente narrado, a morte de João, o Batista, por ordem de Herodes: “Quando soube da morte de João Batista, Jesus partiu e foi de barco para um lugar deserto e afastado” (v. 13a). Apesar das diferenças, era inegável a proximidade entre Jesus e João Batista. Jesus nutria grande afeto por ele, mesmo não correspondendo ao ideal de messias violento e justiceiro que João tinha anunciado (Mt 3,1-12). Inclusive, o reconheceu como o maior entre os nascidos de mulher e como profeta (Mt 11,7-14). Jesus reconhecia a continuidade entre a sua missão e a de João, o seu mentor, não obstante as divergências. Por isso, inevitavelmente, a morte de João mexeu com Jesus, ainda mais pela forma cruel como aconteceu. Daí, a necessidade de retirar-se, não por medo, mas por comoção. Seu estado interior pedia um momento de recolhimento.

O lugar deserto e afastado seria ideal para esse recolhimento que, certamente, seria marcado pela oração profunda, pela reflexão e, talvez, até pelo choro. Porém, não conseguiu ficar sozinho com seus discípulos porque “quando as multidões souberam disso, saíram das cidades e o seguiram a pé” (v. 13b). O movimento das multidões em busca de Jesus demonstra o quanto ele já estava conhecido e o bem que ele fazia. As multidões o seguem porque ele tinha respostas para as suas necessidades. Abandonadas e exploradas pelas lideranças religiosas e políticas, as multidões recebiam atenção e cuidado de Jesus (Mt 9,36–10). O seu olhar era diferente, marcado pela compaixão: “Ao sair do barco, Jesus viu uma grande multidão. Encheu-se de compaixão por eles e curou os que estavam doentes” (v. 14). As multidões até se anteciparam, chegando primeiro ao lugar deserto. Ao vê-las, Jesus não foge e nem as expulsa, mas se enche de compaixão. Numa ocasião anterior, o evangelista disse que ele sentiu compaixão, aos ver as multidões; agora, ele diz que Jesus encheu-se de compaixão. Quer dizer que a compaixão ocupa todo o ser de Jesus, faz parte da sua essência.

Compaixão significa um amor visceral; é um comover-se no mais profundo do ser – as vísceras ou entranhas – que resulta em ação concreta de libertação. Não se trata de um mero sentimento, mas de ação libertadora; é nisso que consiste a misericórdia de Deus, cuja expressão mais concreta é a própria pessoa de Jesus. Por isso, ele “curou os que estavam doentes”. Por doentes, o evangelista emprega um termo (em grego: arostos – άρρωστος) que compreende todas as pessoas frágeis, e não apenas os doentes fisicamente. São todas as pessoas destinatárias privilegiadas da misericórdia de Deus: doentes, aflitas, pobres, abandonadas, exploradas. Como o Evangelho de Jesus é um programa de vida completo, que contempla a vida em todas as suas dimensões, todas essas classes de pessoas são as primeiras contempladas. Por isso, a reação de Jesus ao ver essas pessoas foi encher-se de compaixão.

Diferente de Jesus foi o que os discípulos sentiram: “Ao entardecer, os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram: ‘Este lugar é deserto e a hora já está adiantada. Despede as multidões, para que possam ir aos povoados comprar comida!” (v. 15). Pela referência ao entardecer, supõe-se muita coisa já realizada. Certamente, muito contato físico de Jesus com o povo, muito toque, muita escuta e muitas palavras proferidas; tudo ao contrário de quem estava procurando ficar sozinho. A reação dos discípulos parece ser de preocupação e cuidado com Jesus, mas na verdade é de indiferença e pouco compromisso com as multidões. A tendência deles é lavar as mãos diante das necessidades dos outros. Aconselham Jesus a mandar as multidões embora e que cada um “se virasse” para conseguir o alimento necessário.

Apesar do tempo de convivência e aprendizado, os discípulos ainda não tinham absorvido a mentalidade de Jesus; ainda não tinham assimilado a lógica da partilha e da solidariedade. Diante disso, a resposta de Jesus é praticamente uma repreensão: “Jesus, porém, lhes disse: ‘Eles não precisam ir embora. Dai-lhes vós mesmos de comer” (v. 16). Como se vê, Jesus compromete os discípulos. Ao invés de lavar as mãos diante das necessidades dos outros, os seus discípulos devem sentir-se responsáveis. A comunidade cristã não pode assistir indiferente ou passivamente à fome no mundo. Biblicamente, a fome é também uma doença que deve ser curada, conforme ensinou Jesus, ao ordenar aos discípulos que dessem de comer às multidões. A mensagem de Jesus é um programa de vida que contempla também a dimensão material, inegavelmente. Portanto, saúde e pão devem ser prioridades na comunidade cristã.

Talvez indignados ou envergonhados com a advertência de Jesus, “Os discípulos responderam: ‘Só temos aqui cinco pães e dois peixes” (v. 17). Certamente, foram realistas. Tinham pouca coisa, provavelmente o suficiente para eles, mas quase nada para as multidões. A quantidade era pequena, mas total, era tudo o que tinham. O número sete, como resultado de cinco mais dois (5+2=7), significa totalidade. Logo, não se trata de números reais, mas de simbologia. Independentemente da quantidade, é como se os discípulos dissessem a Jesus que tudo o que tinham era insuficiente para o grande número de pessoas que estavam ali. Porém, Jesus não se importa com a quantidade; pede que os discípulos lhe levem tudo o que tem: “Jesus disse: ‘Trazei-os aqui” (v. 18). O problema começa a ser solucionado aqui, quando Jesus pede que os discípulos coloquem a disposição tudo o que têm, apesar de pouco. É isso o que Jesus espera das comunidades de todos os tempos. O pouco que cada um possui deve ser colocado a serviço de todos e, assim, o que é pouco se torna muito. Quando cada um apresenta o seu pouco, é premissa de fartura.

É interessante perceber que os discípulos recebem a responsabilidade de curar a fome, o que se faz pela partilha, mas tudo deve passar por Jesus. Primeiro, devem a apresentar a ele o que têm; nesse gesto está o reconhecimento de que tudo é dom de Deus e, por isso, deve ser destinado à partilha. Na continuação, diz o evangelista que “Jesus mandou que as multidões se sentassem na grama. Então pegou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos para o céu e pronunciou a bênção. Em seguida, partiu os pães e os deu aos discípulos. Os discípulos os distribuíram às multidões” (v. 19). Como se vê, Jesus toma a iniciativa, e age como verdadeiro pastor, ao contrário dos líderes religiosos e políticos que tinham explorado e abandonado as multidões (Mt 9,36). Inclusive, todo este relato tem como pano de fundo o Sl 22(23), no qual o salmista reconhece Deus como o pastor que alimenta o povo e o faz descansar num prado verdejante (grama), como aqui. Os gestos de Jesus com os pães e os peixes antecipam a eucaristia, mas vão muito além de um rito: olhar para o céu – abençoar – (re)partir – dar/distribuir. São os passos que a comunidade cristã não pode parar de dar, não apenas como rito semanal, mas como vivência cotidiana, sobretudo onde e quando há multidões famintas de pão.

Como resultado da partilha, aliás, de todo um processo, o resultado foi este: “Todos comeram e ficaram satisfeitos e, dos pedaços que sobraram, recolheram ainda doze cestos cheios” (v. 20). Recordemos que houve todo um processo, o que não seria necessário caso se tratasse de um puro gesto sobrenatural de Jesus. De seu olhar compassivo, Jesus conferiu responsabilidade aos discípulos, provocou neles a disposição de colocar em comum tudo o que tinham, um gesto que inevitavelmente motivaria também outras pessoas, fazendo de tudo uma ação de graças a Deus, até a partilha que deixou todos satisfeitos. A solução veio de dentro da comunidade. A abundância é gerada quando ninguém considera somente seu o que possui, mas oferece, como dom, às necessidades do próximo. E a primeira necessidade do ser humano é o alimento, o pão de cada dia. No final, ainda sobrou, o que foi tudo recolhido. O alimento é sempre um dom de Deus, e o que é dom de Deus não pode ser desperdiçado. O número doze simboliza a totalidade do povo, a nação inteira de Israel, reconfigurada na comunidade cristã pelos doze apóstolos. A quantidade recolhida, doze cestos, significa, portanto, que quando a partilha é praticada, tem alimento para todos e todas. Essa não deve ser um ato isolado, mas uma prática constante na comunidade.

No final, a referência ao número dos que se alimentaram, o que também é um número simbólica que significa uma grande quantidade: “E os que haviam comido eram mais ou menos cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças” (v. 21). Entre o número inicial de dons disponíveis para a partilha e a multidão alimentada há uma enorme diferença. Com isso, o evangelista quer ensinar que os resultados são sempre surpreendentes quando se põe em prática o que Jesus ensinou, e reforça o convite para a comunidade não ter medo de partilhar o que tem. O último dado considerado é a menção do evangelista às mulheres e crianças, o que reforça ainda mais a importância da partilha, pois significa que havia uma multidão incontável, e que a partilha gera sempre abundância. Somente Mateus faz essa observação. Apesar de sutil, é um aceno à inclusão. Mulheres e crianças eram consideradas categorias insignificantes, na época. O evangelista acena, com isso, que a comunidade cristã é aberta a todos e todas.

O Evangelho de hoje mostra que a comunidade deve ter prioridades irrenunciáveis, como encontrar solução para o problema da fome, por exemplo. A comunidade não pode esperar ter condições necessárias para viver o programa do Reino, mas é ela mesma que tem que criar tais condições, encontrando dentro de si mesma a solução para os seus problemas, vencendo o egoísmo, a inveja, o orgulho e o desejo de poder. É claro que o Evangelho não tem respostas apenas para as necessidades materiais das pessoas, mas, no texto específico de hoje, a ênfase do evangelista é a necessidade de superar a fome de pão das pessoas necessitadas, ou seja, das almas de carne e osso!

Pe. Francisco Cornélio F. Rodrigues – Diocese de Mossoró-RN

Reabertura das Igrejas: orientações aos fiéis





Diocese de Mossoró ordena três novos padres




Pela imposição das mãos do Bispo Diocesano Dom Mariano Manzana serão ordenados três novos padres - Daelson Soares da Silva, Ilário Dênis de Oliveira Dantas e José Victor dos Santos ( diáconos).

Transmissão-  You tube da Paróquia de Santa Luzia, Facebokk da Diocese de Mossoró, FM 104 Fraternidade de Umarizal, Rádio Rural de Mossoró e redes sociais das paróquias.  

Dioceses divulgam orientações para reabertura das Igrejas


O arcebispo metropolitano de Natal, Dom Jaime Vieira Rocha; o bispo da Diocese de Mossoró, Dom Mariano Manzana, e o bispo da Diocese de Caicó, Dom Antônio Carlos Cruz, publicaram um decreto, nesta segunda-feira, 27 de julho, sobre a reabertura dos templos da Igreja Católica, no Rio Grande do Norte. Junto com o decreto, os bispos da Província Eclesiástica de Natal, também publicaram um conjunto de orientações para os padres e fiéis, acerca da volta às celebrações presenciais.

De acordo com o documento, cada uma das dioceses do Estado é autônoma para definir as datas da reabertura. Na Diocese de Mossoró, o calendário será o seguinte: 10 de agosto – abertura das igrejas somente para oração pessoal; 15 de agosto reinício das celebrações das Missas nas Igrejas Matrizes, igrejas dos municípios que não são sede de Paróquias e capelas de Institutos Religiosos, e 19 de setembro – início das atividades celebrativas nas capelas que compõem a Paróquia. As celebrações deverão contar com número reduzido de fiéis, conforme o decreto assinado pelos bispos.

Em anexo, as orientações: PLANO DE REABERTURA DAS IGREJAS

Segue, abaixo, o decreto.

DECRETO

DE APLICAÇÃO DO PLANO DE REABERTURA DAS IGREJAS DA PROVÍNCIA ECLESIÁSTICA DE NATAL

 

DECRETO  02/2020 – PEN

 

Considerando o Decreto 29.861, de 24 de julho de 2020 do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, autorizando a retomada gradual responsável das atividades de natureza religiosa no Estado do Rio Grande do Norte, em igrejas, templos, espaços religiosos e estabelecimentos similares.

Considerando as “Orientações Litúrgico-Pastorais para o retorno às atividades presenciais” da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil enviada ao episcopado brasileiro, dia 31 de maio de 2020, contendo as diretrizes elaboradas pela Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB.

Considerando o Plano de reabertura das igrejas da Província Eclesiástica de Natal, de 27 de julho de 2020, contendo orientações gerais para a retomada de atividades, no que diz respeito a organização e realização da vida litúrgico-pastoral, na Arquidiocese de Natal, Diocese de Mossoró e Diocese de Caicó.

Em consonância com os Senhores Bispos das dioceses sufragâneas Dom Mariano Manzana, Bispo Diocesano de Mossoró e Dom Antônio Carlos Cruz Santos, MSC, Bispo Diocesano de Caicó.

Achamos por bem, e por este DECRETO o fazemos, APLICAR, até que se mande o contrário, o PLANO DE REABERTURA DAS IGREJAS DA PROVÍNCIA ECLESIÁSTICA DE NATAL, em todo o território das Igrejas Particulares que compõem esta Província Eclesiástica: Arquidiocese de Natal, Diocese de Mossoró e Diocese de Caicó.

Concernente ao n.1 do referido Plano, na Arquidiocese de Natal e na Diocese de Mossoró, segue-se a seguinte agenda: no dia 10 de agosto está permitida a abertura das igrejas somente para oração pessoal; 15 de agosto, proceda-se o reinício das celebrações das Missas, nas Igrejas Matrizes, Igrejas Principais dos municípios que não são sede de Paróquias, nos Santuários e Capelas de Institutos Religiosos; e no dia 19 de setembro, iniciem-se as atividades celebrativas nas capelas que compõem a Paróquia e demais locais de celebração. Na Diocese de Caicó, precede sua efetivação da seguinte forma: no dia 16 de agosto está permitida a abertura das igrejas somente para oração pessoal; e 31 de agosto, proceda-se o reinício das celebrações das Missas em todas os espaços próprios.

Os termos de abertura das igrejas constantes neste decreto deverão estar sujeitos às regras pertinentes a cada município.

Este decreto entra em vigor no ato de sua assinatura, seja transcrito para o livro de Decretos das Cúrias da Arquidiocese de Natal, da Diocese de Mossoró e da Diocese de Caicó e deverá ser afixado, juntamente com o Plano de reabertura das igrejas da Província Eclesiástica de Natal, no quadro de avisos de todas as igrejas, em modo que seja visto por todos, inclusive para possível fiscalização.

Dado e passado nesta Arquiepiscopal Cidade do Natal, Sede da Província Eclesiástica de Natal, aos vinte e sete dias do mês de julho do ano do Senhor de dois mil e vinte, sob o nosso sinal e selo de nossa chancelaria.

 

Dom Jaime Vieira Rocha

Arcebispo Metropolitano de Natal

 

BISPOS SIGNATÁRIOS:

Dom Mariano Manzana

Bispo Diocesano de Mossoró

 

Dom Antônio Carlos Cruz Santos, MSC

Bispo Diocesano de Caicó

Presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo, agradece testemunho dos avós



Neste domingo, 26 de julho, a Igreja Católica celebra a memória de Sant’ana e São Joaquim, os pais de Maria e avós de Jesus. No Brasil, a data também marca o Dia dos Avós. Por ocasião desta data, o arcebispo de Belo Horizonte e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo, disse que celebrar os avós de Jesus ajuda-nos a cultivar, no coração, a consolação, a ternura e a confiança em Deus.

“São Joaquim e Sant’Ana, avós de Jesus, pais da Mãe Maria, ensinam sobre a importância da família – escola do amor, da fé e da santidade. De modo especial, a Festa de São Joaquim e Sant’Ana é uma singular oportunidade para homenagearmos e abençoarmos todos os avós, com muita alegria e apreço. Copiosas bênçãos de Deus para a vida de todos os avós, a quem muito agradecemos, por tudo, principalmente pelo testemunho de fé”, disse.

A coordenadora nacional da Pastoral da Pessoa Idosa, irmã Lúcia Rodrigues, também conversou com o portal da CNBB sobre a situação dos idosos. “Neste tempo da pandemia não está fácil para ninguém, sobretudo para os idosos”, disse. “Nós da Pastoral da Pessoa Idosa enviamos um recado para todos os avós que continuem se cuidando, se fortalecendo na fé e aprofundando sua espiritualidade, refletindo sobre os anos vividos e sendo agradecidos a Deus, por tudo que vem realizando em suas histórias de vida”, disse.

Segundo ela, neste momento, os idosos devem procurar ser gratos às coisas boas. “É importante também que as pessoas idosas procurem estar unidas a seus familiares, rezando com eles a Deus, aproveitando para crer que tudo isto vai passar e pedindo o fim o quanto antes”, disse.

A religiosa informou que Pastoral da Pessoa Idosa está descobrindo novas formas de atuação neste tempo de pandemia, utilizando os instrumentos que estão ao alcance de cada realidade . Um exemplo que ela apresentou é o da líder Joselma Galdino e dos líderes da paróquia Santa Terezinha, em Santa Teresinha-PB, na diocese de Patos, que estão utilizando a Rádio Conexão FM para enviar mensagem e orientações aos idosos  que acompanham.

“Estamos tendo um retorno bonito sobre o acompanhamento aos idosos por meio de ligações telefônicas e mensagens. As rádios estão sendo bastante abertas, em seus programas, para que os líderes falem e chamem os idosos pelo nome. Esta experiência está fortalecendo as pessoas idosas”, disse. Quanto ao cuidado, ela reforça a importância das comunidades e paróquias aderirem à Campanha “Ligue para uma Pessoa Idosa”. “Se não podemos estar presencialmente, podemos nos fazer presentes por meio de uma ligação, de uma mensagem de apoio e da escuta”, disse.

Uma experiência de cuidado com os idosos

O jovem Ângelo Manarin Júnior, de 29 anos, no auxílio às compras para idosos da paróquia Catedral, em Tubarão (SC).

Os jovens da paróquia Catedral em Tubarão (SC) estão dando uma linda lição de cuidado e carinho com os idosos em sua região. Desde quando foi decretado o primeiro “lockdown”, no dia 18 de março, a paróquia começou a articular alguns trabalhos que se fizeram necessários e organizou sua ação em três linhas: a) arrecadação de alimentos; b) Organização de compra para idosos com os  jovens da paróquia e c) experiência da escuta.

O assessor do Setor de Ensino Religioso da CNBB, padre Eduardo Rocha, falou da experiência de escuta terapêutica organizada na paróquia da Catedral de Tubarão, onde é presbítero, na diocese de Tubarão, no sul do estado de Santa Catarina.  Na região, é a segunda vez que estão atravessando o processo de “lockdown”, o fechamento total de atividades para garantir o distanciamento social necessário para impedir o avanço do novo coronavírus.

Na catedral de Tubarão, o padre informou que desde o dia 18 de março foram abertas três linhas fixas de telefone e um número de celular que funcionam de segunda a segunda com um grupo capacitado de padres, religiosos, psicólogos e voluntários para atender às pessoas. “Neste tempo, a procura tem sido muito grande”, disse o padre. O religioso informou que, no início, o serviço foi mais buscado pelos idosos, partilhando seus medos de serem infectados,  sua impaciência de ficar confinados e de não poder ver seus parentes.

Um dos jovens que participou da experiência foi Ângelo Manarin Júnior, de 29 anos. Segundo ele, está sendo bastante gratificante ajudar os idosos. “Quando a gente dedica nosso tempo à caridade pessoal é muito mais gratificante do que só contribuir com dinheiro. É um sentimento de gratidão e uma experiência única. Em uma das visitas puxávamos um Pai Nosso e uma Ave Maria para sentirem a presença da Igreja Católica neste momento e mostrar que a gente está com os idosos em todos os momentos  e para que possam contar com um servo de Deus que está ali para buscar o bem comum”, disse.

fonte- CNBB

Reflexão para o Décimo Sétimo Domingo do Tempo Comum- Mateus 13,44-52 (Ano A)




Com a liturgia de hoje, concluímos a leitura do discurso em parábolas, iniciada há dois domingos. Esse é o terceiro dos cinco grandes discursos de Jesus no Evangelho segundo Mateus, sendo de composto de sete parábolas que descrevem, simbolicamente, o Reino dos Céus. O texto específico que a liturgia oferece para este domingo é Mt 13,44-52, o qual contém as últimas três das sete parábolas, uma vez que as quatro primeiras já foram lidas nos dois últimos domingos. De acordo com o contexto narrativo do Evangelho de Mateus, os destinatários primeiros do discurso foram os discípulos e as multidões que se reuniram à beira-mar para ouvir Jesus (Mt 13,1-2). Porém, mais do que reconstituir e descrever fielmente um acontecimento concreto da vida de Jesus, o evangelista organizou o discurso para responder às necessidades da sua comunidade que vivia um momento de crise, como já contextualizamos nos domingos anteriores.

Considerando o contexto já apresentado nos dois últimos domingos, podemos dispensar hoje uma contextualização mais ampla, embora seja necessário recordar alguns elementos. Tendo já apresentado as diversas características do Reino dos céus por meio das parábolas anteriores, nas de hoje o objetivo parece ser motivar a comunidade a fazer opção pelo Reino, preferindo-o a qualquer outra realidade ou bem. Por isso, as parábolas de hoje são mais motivadoras do que descritivas. Isso se evidencia, sobretudo, nas duas primeiras, principalmente, a do tesouro e a do comprador de pérolas (vv. 44-46), respectivamente. Elas são, acima de tudo, motivações para a acolhida do Reino do que uma mera descrição comparada desse. O encontro com o Reino e seus valores exige uma decisão e tomada de posição radicais e inadiáveis. A terceira parábola do texto de hoje e última do discurso retoma a descrição, evidenciando as contradições e a diversidade que compõem o Reino dos Céus, prevenindo a comunidade cristã de qualquer puritanismo e segregação.

Eis a primeira parábola: “O Reino dos céus é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo” (v. 44). Um tesouro no contexto da época, era um vaso de argila cheio de moedas valiosas e joias que os proprietários enterravam em suas propriedades quando percebiam perigo de guerras, invasões ou saques. Quando um proprietário de terras tinha que fugir às pressas por causa de uma invasão, enterrava seu tesouro, imaginando um dia voltar. Dificilmente retomava a posse da terra; essa passava para outros proprietários que não sabiam do tesouro escondido. Geralmente, esses tesouros eram encontrados muito tempo depois de enterrados, por pessoas que não sabiam da sua existência; daí a ideia de surpresa subentendida no texto, seguida da mencionada alegria. Por sinal, uma palavra chave no Evangelho de hoje é exatamente alegria, como uma característica essencial de quem encontrou o Reino e a ele aderiu plenamente.  

A respeito do homem que encontra o tesouro, o texto não diz muita coisa. Não sabemos o que fazia antes, se estava no campo por acaso ou trabalhando. O que sabemos é que ele encontrou um motivo para mudar a sua vida. Encontrou algo pelo qual valia a pena renunciar a tudo o que possuía para ficar somente com o bem precioso que tinha acabado de encontrar. A chamada de atenção de Jesus para os discípulos e a multidão, e de Mateus para a sua comunidade, visa deixar ainda mais claro que o Reino deve ser a primeira opção de quem o encontra.  O Reino desestabiliza a normalidade das coisas, é reviravolta, subversão, é o revés da ordem estabelecida, tanto a política quanto a religiosa.

O homem encontrou o tesouro por acaso, ou seja, sem fazer esforço algum. Essa é uma das possibilidades de encontro com o Reino, pois como já tinha dito o próprio Jesus, “o Reino dos céus está próximo” (Mt 10,17), ou seja, é ele quem vem ao encontro das pessoas, embora sejam feitas exigências para experimentá-lo: “convertei-vos” (Mt 10,17)A decisão do homem da parábola foi o retorno às bem-aventuranças: “Bem-aventurados os que são pobres em espírito, porque deles é o Reino dos céus” (Mt 5,3). Não basta contemplar nem saber que o Reino dos céus chegou, é necessário fazer esforço para nele entrar; esse esforço consiste em deixar de lado tudo o que não é compatível com ele, como fez o homem da parábola.

A segunda parábola tem muita semelhança com a primeira. Também nela se evidencia a necessidade de uma tomada de decisão radical, sendo bem evidentes também as diferenças. Ora, na segunda o Reino é comparado à pessoa que procura e encontra, e não ao objeto encontrado: “O Reino dos céus é como um comprador de pérolas preciosas. Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquela pérola” (vv. 45-46). Também nessa, as informações sobre o homem envolvido são poucas. Tudo indica que se trata de um homem experiente e inquieto, capaz de distinguir o valioso do vulgar. Assim como o da parábola anterior, também esse homem encontra algo que lhe faz tomar uma decisão radical. Porém, ao contrário do homem que encontrou o tesouro por acaso, na primeira parábola, nessa segunda se trata de um homem que buscava. Lidas juntas, as duas parábolas mostram que não há contradição entre dom e esforço. A conquista do Reino exige esses dois elementos.

Na primeira, o tesouro foi encontrado como puro dom, sem nenhuma busca: o homem simplesmente encontrou; na segunda, o personagem é alguém que procura, seleciona criteriosamente o que tem grande valor e o que não tem. O importante em ambas a situações é a decisão tomada ao encontrar algo que pode mudar o sentido da vida. O importante não é a forma como foi encontrado, mas a decisão tomada para inserir-se nele ou possui-lo, conforme a linguagem das parábolas. O que conta é viver uma vida pautada pelos valores do Reino: justiça, amor, solidariedade, acolhimento, sinceridade, alegria e coragem para lutar contra tudo o que impede o seu crescimento.

A terceira e última parábola é aquela da rede jogada ao mar: “O Reino dos céus é ainda como uma rede lançada ao mar e que apanha peixes de todo tipo. Quando está cheia, os pescadores puxam a rede para a praia, sentam-se e recolhem os peixes bons em cestos e jogam os que não prestam” (vv. 47-48). Muitos estudiosos insistem em relacioná-la com aquela do joio e do trigo, refletida no domingo passado (Mt 13,24-30). É certo que existem semelhanças entre as duas, mas as diferenças são bem maiores. Naquela do joio e do trigo, quem semeou a semente nociva foi um inimigo, enquanto o dono do campo e da semente boa dormia. Nessa da rede, os peixes bons e ruins têm uma mesma origem, não são frutos da ação de dois personagens diferentes. Essa diferença é muito importante, como veremos a seguir.

Desde a comunidade apostólica, havia na Igreja a tendência equivocada de querer ser uma comunidade de santos, justos ou eleitos, ou seja, uma comunidade separada e isolada. Essa tendência era e é um entrave para a concretização do Reino. Com essa parábola da rede, bem mais que com a do joio e o trigo, Jesus apresenta o universalismo do Reino, marcado pela diversidade e inclusão, e sua exposição aos perigos. Como as parábolas respondem a uma situação de crise da comunidade, é interessante retornar às origens, ao primeiro chamado: “Vinde, segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens” (v. 4,19). Essa parábola é, portanto, um convite para os discípulos retornarem às origens do chamado. Ora, Jesus não os chamou para irem à procura de pessoas boas e santas, mas simplesmente para “pescar seres humanos”, ou seja, ir ao encontra da humanidade inteira, sem distinção nem classificação.

Com a parábola do joio e o trigo Jesus pedia tolerância e paciência. Com essa da rede, Ele vai além: pede inclusão, aceitação e abertura constante, pois a rede envolve, junta, mistura tudo. A semente era jogada em um terreno conhecido, previamente preparado. O mar onde é lançada a rede, ao contrário, é sempre imprevisível, ninguém pode prepará-lo antes. Isso é um desafio para a comunidade e uma advertência a qualquer tendência separatista e segregadora. Na comunidade cristã não pode ter juízes, mas apenas irmãos e irmãs. Por isso, a explicação alegórica da parábola projeta, em linguagem apocalíptica, a separação definitiva para o final dos tempos, e diz que essa será feita por anjos, seres de outra esfera: Assim acontecerá no fim dos tempos: os anjos virão para separar os homens maus dos que são justos. E lançarão os maus na fornalha de fogo. E aí haverá choro e ranger de dentes” (v. 50). As explicações das parábolas são sempre acréscimos do evangelista ou dos continuadores de suas tradições. Aqui, faz-se uma advertência aos membros da comunidade, provavelmente às lideranças, para evitar julgamentos, preconceitos e condenações. É uma forma de dizer que ninguém pode julgar o outro na comunidade. No final do Evangelho, quando retomar o tema do juízo, Jesus dirá que o critério no julgamento será a opção pelos pequenos, pobres e marginalizados. 

No final, Jesus faz uma pergunta simples, mas profunda, aos discípulos: “Compreendestes tudo isso?” (v. 51). Ora, Jesus apresentou o Reino dos céus em sete parábolas; como o número sete evoca perfeição e totalidade, é como se Jesus dissesse que tinha dito tudo sobre o Reino, e que é necessário compreendê-lo em sua totalidade. A compreensão aqui significa a aceitação da sua mensagem com as consequências que essa implica; não se trata da abstração teórica de um conteúdo, mas de assimilar um jeito novo de viver. Embora a resposta dos discípulos tenha sido positiva, a história e o própria continuação do Evangelho de Mateus mostram que na verdade ainda não tinham compreendido tudo. O importante, no entanto, é a disposição para compreender e, para isso, é necessário fazer da vida uma busca constante pelo maravilhoso tesouro que é “o Reino de Deus e a sua justiça” (Mt 6,33).

A conclusão do discurso é um convite reforçado ao discernimento: Então Jesus acrescentou: ‘Assim, pois, todo o mestre da Lei, que se torna discípulo do Reino dos Céus, é como um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas” (v. 52). Para muitos estudiosos, esse versículo é também um traço autobiográfico do próprio autor Mateus: ele é um exemplo de escriba (mestre da Lei) que se tornou discípulo, conservou e soube tirar coisas novas e velhas do grande tesouro que são as tradições de Israel. Inclusive, é o evangelista que mais teve cuidado de buscar elementos da Escritura (Antigo Testamento) para justificar e fundamentar a mensagem de Jesus. Nessa perspectiva, as coisas velhas são a Lei e os profetas, enquanto as coisas novas são os ensinamentos de Jesus, que ele mesmo considerou como o pleno cumprimento da Lei e dos profetas (Mt 5,17).

 Pe. Francisco Cornelio F. Rodrigues – Diocese de Mossoró-RN

Festa de São Cristovão 2020 em Assu- RN





Diocese de Mossoró cria grupo "Eu me importo com você", formado por curados da Covid-19, para visitar pessoas doentes






"Estou curado da Covid-19 e preciso levar apoio espiritual, força e ânimo para quem enfrenta os sintomas dessa doença terrível". Após 22 dias enfrentando o coronavírus e com diagnóstico de cura, o Vigário-geral e pároco da Catedral de Santa Luzia, Padre Flávio Augusto Forte Melo, 51 anos, da Diocese de Mossoró, resolveu criar o grupo “Eu me importo com você” para realizar visitas às pessoas que estão isoladas e enfrentam a enfermidade.

 O grupo será formado por pessoas curadas, que com autorização e orientação de profissionais da saúde, irão levar apoio espiritual a quem recebeu o diagnóstico positivo de Covid-19. Segundo Padre Flávio, não será oferecida ajuda financeira ou algo parecido e sim suporte espiritual. O grupo já conta com oito participantes e quem se interessar deve procurar a Paróquia de Santa Luzia.

 O sacerdote acredita que, a partir da experiência e vitória de cada um do grupo frente ao coronavírus, essa ação pode ser um alento, bálsamo e esperança para quem está se sentindo sozinho em meio à tempestade da Covid-19.

 Padre Flávio relata que, no 14º dia da doença, após períodos seguidos de febres, calafrios, perda de olfato e uma forte dor de cabeça, foi experimentando uma melhora no seu quadro, que era acompanhado pelo infectologista Fabiano Rodrigues com apoio de outros profissionais, muitos seus paroquianos e amigos. Isolado na casa paroquial, no Centro de Mossoró e próximo à Catedral de Santa Luzia, o padre só recebia a visita dos profissionais de saúde e a refeição era deixada na parte externa da casa.



 O sacerdote relembrou que o isolamento e a solidão são “terríveis”. Com o corpo doente, não poder contar com alguém para auxiliar para tomar remédio, um copo de água ou uma simples xícara de chá é uma situação muito difícil. “Passei quatro dias com uma dor de cabeça insuportável e calafrios. Não conseguia nem rezar. Ânimo para nada”, comenta o padre emocionado e relembrando que a noite era um dos momentos mais difíceis no tratamento.

  “Como estava sozinho e essa doença é imprevisível, tinha muito medo de piorar e não ter condições de buscar ajuda. Apelei muito para Santa Luzia que me ajudasse a romper a noite. O medo batia na porta”. Padre Flávio lembra também que recebeu muita força do Bispo Diocesano Dom Mariano Manzana, do clero, dos seus paroquianos e muitos amigos com mensagens e orações. “Tudo isso é muito importante na convalescença, mas muita gente não tem esse apoio, não tem atendimento médico e tantos morrem na solidão de uma UTI”. 

 Ao sentir melhora gradativa dos sintomas e poder usufruir de pequenas coisas cotidianas como tomar um simples banho ou uma refeição por prazer, Padre Flávio foi entendendo que da experiência dolorosa da doença ficaram grandes lições: a importância do fortalecimento da fé para aguentar todo o sofrimento, o valor das pequenas coisas e se importar mais e mais com o outro, inclusive sendo o outro doente da Covid-19. “Por tudo o que vivi e agradecido pela cura preciso fazer algo pelos que estão na mesma situação que passei. Precisamos levar Deus, que é esperança, força e ânimo para essas pessoas”.

 Segundo ele, muitas pessoas já estão procurando fazer parte do grupo e realizar as visitas. Padre Flávio alerta também que quem não acreditam na pandemia ou desdenha das orientações dos profissionais de saúde precisa levar tudo muito a sério e seguir à risca as recomendações e seguir firme nas orações pela descoberta de uma vacina. Ele lembra que um versículo o acompanhou nesta travessia tão difícil: “E a esperança não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações por meio do Espírito Santo que ele nos concedeu”.


Foto- Glauber Soares- Pascom da Paróquia de Santa Luzia

Morandi: "Um manual que explica como agir quando um abuso é assinalado"



Um manual disponível aos bispos e superiores religiosos para orientá-los no tratamento de casos de abuso dos quais são informados. Assim, o Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, Arcebispo Giacomo Morandi, define nesta entrevista concedida à mídia vaticana o vade-mécum publicado esta quinta-feira (16/07).

Quem preparou este documento e por que precisou de tanto tempo depois que foi preanunciado em fevereiro de 2019?

Foi predisposto pela Congregação graças sobretudo à contribuição do Setor disciplinar que nos últimos anos adquiriu uma experiência particular sobre os casos em questão. O tempo aparentemente longo para sua redação deve-se ao trabalho de defrontação não apenas dentro da Congregação, mas também fora dela, com especialistas na área, outros Dicastérios e, em particular, com a Secretaria de Estado.

Qual é a finalidade deste Vade-mécum e a quem se destina?

Gosto de chamá-lo, como faz o Prefeito de nossa Congregação, de “manual”. Portanto, não um texto normativo, mas um instrumento à disposição dos bispos, dos superiores religiosos, dos tribunais eclesiásticos, dos profissionais do direito e também dos responsáveis pelos centros de escuta criados pelas conferências episcopais. Na complexidade das normas e práticas, este guia gostaria de indicar um caminho e ajudar a não se perder.

Este documento contém novas indicações em relação às já existentes?

Não. Nenhuma nova norma é promulgada. A verdadeira novidade, entretanto, é que pela primeira vez o procedimento é descrito de modo organizado, desde a primeira notícia de um possível crime até a conclusão definitiva do caso, unindo as normas existentes e a prática da Congregação. As normas são conhecidas, enquanto a prática da Congregação, isto é, o modo prático de aplicar as normas, é conhecido apenas por aqueles que já lidaram com estes casos.

O Vade-mécum é um documento encerrado e definido ou deverá ser atualizado?

Precisamente por ser um instrumento, um manual, ele se presta a contínuas atualizações. Elas se devem tanto a possíveis mudanças futuras na normativa penal, quanto a esclarecimentos e solicitações que podem vir a nível local dos Ordinários e agentes do direito. Neste sentido, a versão que sai hoje é chamada “1.0”, suscetível a atualizações. E qualquer ajuda para melhorá-la é um serviço bem-vindo à justiça.

Quais são os casos de competência de sua Congregação?

Em geral, os crimes reservados à nossa Congregação são todos aqueles contra a fé e somente os mais graves (na língua comum hoje habitual falamos de delicta graviora) contra a moral e a administração dos sacramentos. O Vade-mécum, todavia, refere-se apenas a um desses crimes, que o artigo 6 do motu proprio Sacramentorum Sanctitatis Tutela atribui ao clérigo quando realiza ações com menores contra o sexto mandamento do Decálogo. Trata-se dos casos que a nível dos meios de comunicação mais se tornam notícia, também por causa de sua gravidade.

Quando, para a Igreja, se trata de abuso contra “menores”? Como mudou o limite de idade?

A esfera criminal, o menor é a pessoa que ainda não atingiu a idade de 18 anos. Outras distinções de idade, abaixo dos 18 anos, não são relevantes neste sentido. O Código latino no cân. 1395 § 2 ainda fala de 16 anos de idade, mas o motu proprio Sacramentorum Sanctitatis Tutela de João Paulo II em 2001 elevou a idade para 18 anos. Os casos de “abuso” (como disse, um “crime contra o sexto mandamento do Decálogo com menores”) são muitas vezes fáceis de serem delineados, por exemplo, relações sexuais como tais ou outros contatos físicos que não são propriamente “relações”, mas que têm uma clara intenção sexual, e outras vezes os casos são menos fáceis de serem delineados, com nuances que devem ser avaliadas para ver se se tratam de delicta graviora no sentido jurídico de acordo com a lei em vigor na época.

É impressionante a mudança de atitude em relação às denúncias anônimas, que no passado eram simplesmente ignoradas. O que mudou e por que uma denúncia anônima deve, em todo caso, ser levada em conta?

A questão é delicada. Ficou claro que uma atitude peremptória num sentido ou noutro não é boa para a busca da verdade e da justiça. Como pode ser descartada uma denúncia que, mesmo anônima, contenha provas claras (por exemplo, fotos, filmes, mensagens, áudio...) ou pelo menos pistas concretas e plausíveis sobre a prática de um crime? Ignorá-la só porque não está assinada seria injusto. Por outro lado: como aceitar como válidas todas as assinalações, mesmo as genéricas e sem remetente? Neste caso, seria inapropriado proceder. É necessário, portanto, fazer um cuidadoso discernimento. Em geral, não se dá crédito a denúncias anônimas, mas não se abre mão a priori de sua avaliação inicial para ver se existem elementos objetivos e evidentes determinantes, o que em nossa linguagem chamamos de fumus delicti.

Quanta influência tiveram os casos marcantes dos últimos anos no desenvolvimento deste documento e de outros textos recentes sobre o assunto?

Os casos marcantes são tratados da mesma forma que os casos menos conhecidos, sempre segundo as normas do direito. Diante de nós não há “personagens”, mas pessoas: acusados, presumíveis vítimas, possíveis testemunhas... em geral há sempre um quadro de sofrimento particular. Certamente, a atenção da mídia a essas questões cresceu muito nos últimos anos, e isto é mais um estímulo para que a Congregação busque fazer justiça de uma forma cada vez mais correta e eficaz. Também por esta razão, o Vade-mécum será de ajuda.

Os Bispos e Superiores religiosos têm a obrigação de denunciar as notícias de supostos abusos cometidos por clérigos também às autoridades civis?

Sobre este ponto, as Conferências Episcopais nacionais prepararam diretrizes que levam em conta as regulamentações locais. Não é possível dar uma resposta inequívoca. Em alguns países a lei já prevê esta obrigação, em outros não. De fato, o motu proprio Vos estis lux mundi do Papa Francisco, promulgado no ano passado, expressa nestes termos que a Igreja age em casos deste tipo “sem prejuízo dos direitos e obrigações estabelecidos em todos os lugares pela legislação dos Estados, particularmente aqueles relativos a possíveis obrigações de informação às autoridades civis competentes”. (Art. 19). Por outro lado, o artigo 17 do Vade-mécum também declara: “Mesmo na ausência de uma obrigação legal explícita, a autoridade eclesiástica deve informar as autoridades civis competentes sempre que considerar isso indispensável para proteger a pessoa ofendida ou outros menores contra o perigo de novos atos criminosos”.

O que é o “processo penal extrajudicial”? Quando e por que se procede por este caminho?

É um procedimento previsto pelos dois Códigos canônicos em vigor. Trata-se de um caminho mais rápido. Na conclusão do processo penal extrajudicial, o Ordinário (ou um de seus delegados), assistido por dois assessores, chega a uma decisão sobre se o acusado é ou não culpado e (se culpado com certeza moral) sobre a pena proporcional a ser imposta. Há prós e contras neste procedimento, também chamado “administrativo”. O procedimento continua nesta forma extrajudicial quando, por exemplo: os fatos são claros; a atividade delituosa relatada já é confirmada pelo acusado; o Ordinário pede que isto seja feito por razões bem fundamentadas; a Congregação avalia que é apropriado com base nas circunstâncias particulares (pessoal qualificado, geografia, pontualidade, etc.). Naturalmente, o direito de defesa do acusado deve ser sempre absolutamente garantido. Também por esta razão o processo extrajudicial no direito latino prevê até três graus possíveis de recurso, a fim de garantir o máximo possível a objetividade do julgamento.

Estamos falando de crimes que habitualmente são cometidos sem a presença de testemunhas. Como é possível verificar a validade das acusações para garantir que os culpados sejam punidos e não mais possam provocar danos?

São adotados aqueles instrumentos processuais comumente usados para verificar a confiabilidade das provas. Muitos crimes, não apenas aqueles em questão, são cometidos sem testemunhas. Mas isso não significa que não se possa chegar a uma certeza. Existem instrumentos processuais que permitem isso: a confiabilidade das pessoas envolvidas, a consistência dos fatos declarados, o eventual cometimento em série dos crimes, a presença de documentos contra eles, etc. Deve-se dizer que em várias ocasiões o próprio acusado, ciente em consciência do mal feito, o admite no tribunal.

E como se pode evitar que uma pessoa seja injustamente acusada e condenada?

Quando o fato não é suficientemente comprovado, aplica-se o princípio que em dubio pro reo. É um princípio que está na base da nossa cultura jurídica. Nestes casos, em vez de declarar a inocência, declara-se a não culpabilidade.

Por que um clérigo, quando é acusado de ter cometido abusos, pode imediatamente pedir a dispensa do estado clerical?

É verdade: onde o clérigo reconhece o crime e sua inaptidão para continuar o ministério, ele pode pedir para ser dispensado. Assim, ele permanece sacerdote (o sacramento não se pode revogar ou perder), mas não mais um clérigo: ele deixa o estado clerical não por demissão, mas com um seu pedido consciente dirigido ao Santo Padre. São caminhos diferentes que alcançam o mesmo resultado no que diz respeito à condição jurídica da pessoa: um ex-clérigo que nunca mais poderá se apresentar como ministro da Igreja.


Uma última pergunta: o senhor pode nos oferecer alguns dados sobre a dimensão do fenômeno? As novas normas trazem à luz somente casos do passado ou a chaga dos abusos contra menores ainda está presente dentro da Igreja?

O fenômeno está presente em todos os continentes, e ainda se assiste o surgimento de denúncias de fatos antigos, às vezes até de muitos anos. Certamente, alguns crimes também são recentes. Mas quando esta fase de “emersão” do passado chegar ao fim, estou convencido (e todos nós esperamos que sim) de que o fenômeno que vemos hoje pode estagnar-se. Deve-se dizer, entretanto, que o caminho da verdade e da justiça é um dos caminhos de resposta da Igreja. Necessário sim, mas não suficiente. Sem uma formação adequada, um discernimento cuidadoso, uma prevenção serena, mas decisiva, ele sozinho não poderá curar esta ferida à qual hoje assistimos.

 (Leia o texto integral do Vademecum sobre alguns pontos do procedimento no tratamento dos casos de abuso sexual de menores cometidos por clérigos

Fonte- Vatican news