Corpus Christi: Sustento e Remédio



Na Eucaristia celebramos o mistério da morte e ressurreição do Senhor. Nela atualizamos o sacrifício do calvário de maneira incruenta e proclamamos a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte com a sua ressurreição. O Senhor Jesus quis estar entre nós de maneira acessível, por isso ao instituir a eucaristia na quinta-feira santa igualmente instituiu o sacerdócio para que a Igreja, por meio de tão excelso sacramento, perpetuasse sua presença na história da humanidade. “Fazei isto em memória de mim”, disse o Senhor, ordenando os apóstolos, à Igreja como continuadora de sua missão salvífica. Ele quis não apenas estar entre nós, mas em nós: “Desejei ardentemente comer convosco esta páscoa”. Este desejo ardente do Senhor revela sua solicitude, compaixão e misericórdia por uma humanidade desfalecida e carente de amparo, ferida por tantas ilusões e muitas vezes desnorteada, sem perspectiva de um futuro mais justo e digno. A Eucaristia abre para nós um horizonte novo de possibilidades. É neste sentido que entendemos a oração que afirma a Eucaristia como “sustento e remédio”. Sustento para que os desafios da caminhada não nos façam desfalecer e remédio para os males que ferem a nossa dignidade de filhos e filhas de Deus. A comunhão estabelece entre nós e Deus um vínculo de amor, que nos encoraja, fortalece e cura as feridas da alma, alma esta que, no dizer do salmista, revela: “minh´alma tem sede de Deus, pelo Deus vivo anseia com ardor”. O desejo ardente do Senhor, ao encontrar-se com o nosso, eleva nossa dignidade e faz-nos participar de sua vida, viver no tempo e no espaço como antegozo do céu, vida em abundância.

Padre Ricardo Rubens