Bispos comentam novas orientações colocadas pela Assembleia da CNBB 2017

Esta sexta-feira, 5, marcou o encerramento da 55ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, que aconteceu em Aparecida (SP), entre os dias 26 de abril e 5 de maio. O evento contou com a participação de cerca de 370 bispos que debateram temas que envolvem a Igreja e todo Brasil.
A imprensa também participou do evento, todos os dias, principalmente os veículos de expressão católica. Segundo o Arcebispo de Diamantina (MG) e Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação, Dom Darci José Nicioli, a comunicação comprometida com o Evangelho, auxilia ainda mais a Assembleia dos Bispos.
Dom Darci Niciolli / Foto: Wesley Almeida
“O evento não tem outro interesse se não encontrar caminhos para uma evangelização mais eficaz. O quão importante e eficaz foi o trabalho de todos aqueles que estão comprometidos, muito particularmente os meios de comunicação de inspiração católica.”
O bispo disse ainda que diante de todo debate ocorrido na Assembleia, nasceram novas orientações e também um novo ânimo, com novos métodos, porque os bispos partilham suas experiências, trazendo as “diversas, variadas e bonitas” realidades do Brasil e, ao partilhar, todos os outros aprendem.
“Levamos tudo isso como orientação para as nossas Igrejas particulares. Toda Igreja no Brasil, com certeza, ganha muito. Além dos assuntos que são próprios da Igreja pensamos no Brasil e demos orientações muito concretas no sentido de um chamamento a participação ao diálogo. O brasileiro não pode ficar alheio a toda situação calamitosa e isso demanda uma responsabilidade cidadã e cristã”.
“Nós precisamos estar preocupados e interagirmos para que construamos uma casa comum onde ninguém fique excluído e à margem. O Brasil é nosso, então, é nossa responsabilidade mudarmos este Brasil. Foi a palavra dos bispos e isso certamente toca o coração dos brasileiros, cristãos católicos ou não, mas todos homens e mulheres de boa vontade”, acrescentou.

Amoris Laetitia

Dom Pedro Cipollini / Foto: Wesley Almeida
Um dos assuntos mais trabalhados, foi a Exortação Apostólica do Papa Francisco para as famílias, Amoris Laetitia, que de acordo com o Bispo de Santo André (SP), Dom Pedro Carlos Cipollini, foi estudada e refletida. Um roteiro também foi elaborado com base nas pistas que o Pontífice deu no documento para facilitar a prática.
“Envolve a acolhida, discernimento, acompanhamento de todos os casais de famílias cristãs, principalmente aquelas que estão em situações mais difíceis.”
A partir de toda análise feita, chegou-se a conclusão de que todo roteiro deve ficar sobre a responsabilidade dos bispos, para que possam aplicar em suas dioceses, juntamente com os padres, de acordo com a realidade vivida. “É como diz o Santo Padre: ‘o discernimento é muito importante, examinar, escutar, tomar conhecimento de caso por caso’. Então acho que essas pistas que o Papa dá são importantes e a aplicação depende muito das providências que cada Bispo, em sua diocese, deve tomar junto com os padres” afirma.

Documento final

Sobre o Documento Final da 55ª Assembleia, o Bispo de Itaguaí (RJ), Dom José Ubiratan Lopes, diz que o documento foi considerado para a catequese e se baseia sobre os sacramentos do Batismo, da Eucaristia e do Crisma. “Não é só para os catequistas, mas para todos os cristãos, porque são os três sacramentos básicos para nossa vivência de fé e para o seguimento de Jesus.”
Dom José Ubiratan Lopes / Foto: Wesley Almeida
O tema central não é um assunto novo para os Bispos, pois de acordo com Dom Ubiratan, desde que a Igreja é Igreja, os sacramentos existem e sempre serviram de sustento para fé e caminhada. “Mas nós precisamos vislumbrar esses sacramentos com uma nova visão, com nova dinâmica, com a fé renovada. Então é um grande presente que a Igreja estudou e que a CNBB oferece para todos nós aqui no Brasil.”
Diante destas novas diretrizes a catequese ganha novas forças e diretrizes, sustentando ainda mais a fé de todos que vivem no país. “Porque a catequese inicia-se na primeira infância mas não termina, ela avança para a adolescência, juventude e avança para a idade adulta. A catequese não termina. Somos constantemente aprendizes da Doutrina, do Evangelho, das verdades da nossa fé que a Igreja nos apresenta”, acrescenta.

Novas comunidades

Outro assunto que ganhou destaque nesta edição foram as novas comunidades. Para o Bispo de Itaguaí, o surgimento desta novas motivações é um novo sopro do Espírito Santo e a Igreja está aberta a dar novas assistências a elas.
“Então acolhemos com muita alegria as novas comunidades como motivação do Espírito Santo e cremos que é um momento muito rico. Nós bispos precisamos acompanhá-las com muito discernimento, para que de fato, essas novas comunidades sejam assistidas e que não estejam na periferia da Igreja, mas que de fato elas surjam do coração da Igreja”.

Fonte: Canção Nova