A vida do cristão é uma vida pascal, porque é vida dos que, pelo Batismo, foram sepultados com Cristo, para viverem, com Ele, uma vida nova





É Quaresma!


Recomeço! A Quaresma é um novo começo. Gosto desta definição que o papa Francisco dá à Quaresma. Ele diz também que “é uma estrada que leva a um destino seguro: a Páscoa de Ressurreição, a vitória de Cristo sobre a morte” (Papa Francisco, 18 de outubro de 2016). Neste recomeço, o cristão é chamado a voltar-se para Deus “de todo o coração” (Jl 2,12), crescendo na amizade com o Senhor. Tal crescimento pode acontecer se seguirmos o que a Igreja nos propõe: o jejum, a oração e a esmola. Motivações para este seguimento, encontramos na Palavra de Deus.
Na Quaresma ou, nos quarenta dias passados no deserto, Jesus enfrentou e venceu as ciladas do Tentador. Este é o caminho a seguir. Um verdadeiro caminho de resistência e de conversão. Resistir como? Converter-se como? Com que motivações? Podemos nos valer da Palavra de Deus que é rocha na qual nos apoiamos para nos fortalecer no jejum, na oração e no amor. 
Em Gênesis, lemos que “durante quarenta dias caiu o dilúvio sobre a terra” (Gn 7,17). O profeta Elias, depois de caminhar pelo deserto, sentou-se debaixo de uma árvore e desejou morrer, dizendo a Deus: “Chega, Senhor! Tira-me a vida. Eu não sou melhor do que meus pais”. Diz o texto: “Deitou-se debaixo da árvore e dormiu. (...) O anjo do Senhor o tocou e lhe disse: ‘Levante-se e coma, pois o caminho é superior às suas forças’. Elias se levantou, comeu, bebeu e, sustentado pela comida, caminhou quarenta dias e quarenta noites até o Horeb, a montanha de Deus" (1Rs 19,5-8). Buscou forças em Deus e caminhou quarenta dias e noites até o Horeb, onde experimentou a presença de Deus na brisa suave. Ali recebeu sua nova missão.
O Espírito conduziu Jesus ao deserto, para ser tentado. Jesus jejuou durante quarenta dias e quarenta noites, e, depois disso, sentiu fome. O Mestre foi tentado. Mas resistiu a todas as tentações após o jejum no deserto (cf. Mt 4). 
A Liturgia quaresmal, as leituras bíblicas, as homilias, a catequese, enfim, a ação litúrgica e pastoral, tudo converge para o Tríduo Pascal da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo. Desde o fim do século 4º, chama-se este tempo de Quaresma. Do latim quadragesima: 40 dias que antecedem à Páscoa, da Quarta-Feira de Cinzas até a Quinta-Feira Santa.
A espiritualidade quaresmal inspira três sinais de conversão:
1) A oração, leitura orante mais intensa da Palavra de Deus.
 2) O jejum, renúncia a tudo o que nos impede de sermos livres como filhos de Deus. 
3) A esmola, entendida como solidariedade, partilha, amor fraterno.
Neste ano de 2018, a Quaresma inicia-se no dia 14 de fevereiro, Quarta-Feira de Cinzas e vai até a Sexta-Feira da Paixão do Senhor, no dia 30 de março. A Páscoa será no dia 1º de abril.

Tríduo Pascal – Período que se abre na noite da Quinta-Feira Santa, até a noite de Domingo de Páscoa. Envolve a Quinta-Feira Santa, a Sexta-Feira Santa, o Sábado Santo. 

Quinta-Feira Santa – Quandoa quinta-feira santa celebra-se a instituição da Eucaristia e do sacerdócio ministerial. Na celebração da Ceia do Senhor, faz-se memória da instituição da Santa Eucaristia.  O lava-pés repete o grande gesto carregado de serviço e amor do Mestre para com seus discípulos. Deus se abaixa para nos lavar os pés. “Também vós deveis lavar os pés uns dos outros”, afirma Jesus em São João capítulo 13, versículo 14.
Este gesto é repetido em todas as comunidades na Quinta-Feira Santa. Em 2017, o papa Francisco lavou os pés de 12 detentos, dentre eles, de três mulheres e um muçulmano. E o papa recorda três verbos neste gesto: servir, perdoar e ajudar. Servir – Ser “servos” uns dos outros, viver o “mandamento novo”, o amor real ao próximo através do “serviço concreto”. Perdoar – O lava-pés representa o chamado de Jesus a “confessarmos os nossos pecados e a rezarmos uns pelos outros, para saber-nos perdoar de coração”. Ajudar – Há pessoas que passam a vida inteira “no serviço dos outros”. O papa Francisco resumiu duas vezes este caso declarando: “Isto é amor!”.

Sexta-Feira Santa - A Sexta-Feira Santa ou da Paixão do Senhor é o único dia do ano em que a Igreja no mundo inteiro não celebra missas e, também, nenhum sacramento. O grande gesto de amor e entrega de Jesus Cristo é lembrado em encenações, procissões e orações da Via-Sacra. Momento muito próprio para nos unir às pessoas que sofrem como imigrantes e refugiadas, condenadas injustamente à exclusão.

Sábado Santo – Quando se celebra a Ressurreição do Senhor. A luz vence as trevas e a Vida vence a Morte. Nossa esperança é renovada mais uma vez: Cristo ressuscitou e ressuscita a vida, vence a morte. Nesta celebração, realizada na véspera do dia da Páscoa, acontece a bênção do fogo novo e da água. A luz ilumina a escuridão, pois o Cristo ressuscitou. A água nos lembra o Batismo. Nele somos purificados, renascemos e nos tornamos filhos e filhas de Deus.
Tempo pascal – A palavra Páscoa significa passagem. Passagem da morte para a vida, para a ressurreição. Damos o nome de Tempo pascal aos 50 dias que vão do Domingo da Ressurreição até o Domingo de Pentecostes. Estes 50 dias receberam o nome de Pentecostes, ou cinquentena. Um espaço de alegria que envolve sete semanas ou domingos de Páscoa e termina com Pentecostes ou a vinda do Espírito Santo.
 
Vida pascal - A vida do cristão é uma vida pascal, porque é vida dos que, pelo Batismo, foram sepultados com Cristo, para viverem, com Ele, uma vida nova, como se exprime o presidente da assembleia, na Vigília, antes da renovação das promessas do Batismo. Essa vida nova é a vida de Cristo ressuscitado (Cf. Fl 2,11). Vida pascal é vida com Cristo em Deus, é ainda uma vida escondida, vivida na fé e na esperança, vivificada pelo Espírito, que é Amor. Essa novidade de vida em Cristo é uma das notas mais realçadas nos textos da liturgia do Tempo da Páscoa.
 
Recomeçar, tudo novo, vida nova – São Paulo, utilizando a imagem do pão ázimo, próprio da Páscoa judaica, pede aos seus leitores que, purificados do fermento velho, sejam uma nova massa, para celebrarem a festa pascal. 
A  liturgia pede que, na Páscoa, todos os sinais, dos mais importantes aos mais simples, sejam a partir de elementos novos: a água e os santos óleos para o Batismo; o pão para a Eucaristia, para que não venha a ser necessário recorrer ao pão consagrado guardado no sacrário desde antes do Tríduo Pascal; a luz que há de acender o Círio e iluminar a celebração durante a noite de Vigília; a ornamentação do altar, que foi desnudado antes da celebração; e, mais que tudo, o coração, a vida e as obras. 
Tudo seja novo, para que, “renovados pelo vosso Espírito, ressuscitemos para a luz da vida” como reza a coleta do Domingo da Ressurreição. O dia da Páscoa cristã, de acordo com o decreto Inter Gravissimas do papa Gregório XIII (1502-1585), é o primeiro domingo depois da lua cheia que ocorre em ou logo após 21 de março, data fixada para o equinócio de primavera no Hemisfério Norte. Seguindo a lua cheia, a Páscoa surge sempre nova, como sempre nova é a vida imortal do Senhor Ressuscitado. 
Fonte: Revista Família Cristã