Eleições: Alegres por causa da Esperança ( Rm 12,12)




             
         Meus irmãos e minhas irmãs, estamos nos aproximando de um momento importante em nosso país, que interfere diretamente na vida pessoal e coletiva de toda a sociedade brasileira, as eleições para os cargos majoritários no executivo e legislativo. Sabemos todos da grave crise ética que assola o país, ameaçando a democracia, fragilizando as instituições, gerando assim um descrédito generalizado na política e nos políticos.  Como consequência danosa percebemos um divórcio entre o mundo político e a sociedade brasileira.
         Diante da grave situação em que nos encontramos, precisamos, como cristãos, agir de maneira consciente por meio de uma participação efetiva não apenas no período eleitoral, mas cotidianamente. Um autêntico cristão é, por sua vez, um autêntico cidadão, agente da transformação social, comprometido com o reto progresso da nação, considerando que o Evangelho tem implicações sociais e, como nos diz S. Tiago, " a fé sem obras é morta" (Tg 2, 14-26).  As implicações políticas da fé não podem ser negligenciadas sob o risco de pecarmos por omissão, não cooperando com Deus na edificação do seu Reino, por meio de uma participação ativa na vida política. Devemos assumir, cada um ao modo próprio de sua vida, o "protagonismo das mudanças que o Brasil precisa".  No documento de Aparecida n° 395, vemos que a Igreja se sente "chamada a ser advogada da justiça e defensora dos pobres, diante das intoleráveis desigualdades sociais e econômicas, que clamam ao céu". Ainda nos adverte o Papa Francisco:  "como é possível que os católicos sejam bastante irrelevantes no cenário político ou até equiparados com uma lógica mundana?" (Papa Francisco aos políticos latino-americanos - 2017).  Eis então, irmãos e irmãs, a importância neste momento de um "voto consciente", como consequência de um discernimento crítico da nossa consciência frente ao desafio de sermos protagonistas neste processo. 
         Desafiados a uma participação crítica no processo eleitoral por meio de um voto consciente, lúcido, não deixemos passar a oportunidade de fazer valer a força de nossa fé no sentido de sermos um sinal de esperança e cooperadores das transformações sociais necessárias em vista de uma sociedade justa, pacífica e solidária. Somos "alegres por causa da esperança" e nesta esperança saiamos de casa para exercer nossa cidadania e tornar nossa fé ativa e consequente.
Dom Mariano Manzana
Bispo Diocesano
Jornal A Luz/outubro/2018