Missa em memória à Beata Lindalva Justo de Oliveira será celebrada em Assu- RN

 



A Diocese de Mossoró faz memória à Beata Lindalva Justo de Oliveira, assassinada no dia 09 de abril de 1992, no Abrigo Dom Pedro II, em Salvador- BA. Para marcar a data, será celebrada Missa às 18h, na Matriz da Paróquia Beata Lindalva e São Cristovão, em Assu- RN.
Irmã Lindalva foi morta pelo interno do Abrigo, Augusto da Silva Peixoto, com 44 facadas, no dia 09 de abril, uma Sexta-Feira Santa. Ela resistiu ao assédio de Augusto, o que motivou o crime. Ele foi condenado e cumpriu dez anos de pena em um manicômio penitenciário, em Salvador- BA.

Uma história de amor e entrega ao serviço de Deus

A Beata Lindalva Justo de Oliveira, nascida em 20 de outubro de 1953, no povoado Sítio da Areia, no Rio Grande do Norte, no município de Assu. Lindalva foi a sexta filha de uma família formada por 14 irmãos e, ainda jovem, recebeu dos pais os ensinamentos da doutrina e da fé cristã. Com o pai, João Justo da Fé, Lindalva estudava as Sagradas Escrituras e participava da Santa Missa.  Com a mãe, Maria Lúcia da Fé, aprendeu a cuidar de crianças, ajudar os pobres e realizar as tarefas da casa, sem deixar de lado os estudos.

O amor aos pobres e sua dedicação pela Igreja sempre foram notados por aqueles que conviviam com a jovem. Lindalva foi batizada em 7 de janeiro de 1954 e recebeu a Primeira Eucaristia aos 12 anos. Ao finalizar o Ensino Fundamental, Lindalva trabalhou como babá e, em 1971, mudou-se para Natal, no Rio Grande do Norte, para morar com a família de um de seus irmãos.

Vida Religiosa

Na adolescência, Lindalva participava de atividades na Igreja, mas ainda não havia decidido pela Vida Religiosa, que foi despertada quando ela ainda morava em Natal, através do convite de uma amiga chamada Conceição. “Lindalva não conhecia as Filhas da Caridade. Eu participava dos encontros abertos, e a Irmã que me acompanhava pediu para que quem participasse do encontro convidasse uma jovem para ir ao próximo. Disse à Irmã que não tinha certeza se a jovem que eu conhecia queria, mas ela me disse: ‘convide assim mesmo’”, relatou a amiga, Irmã Maria Conceição.

 

“Eu disse: Lindalva, vai ter o encontro vocacional, um encontro de jovens lá no Dom Marcolino. Se você quiser ir, passa lá em casa e iremos juntas. E assim foi. A primeira apresentação dela às Filhas da Caridade aconteceu em um domingo pela manhã, quando ela foi apresentada à Irmã Djanira. Ela passou a ficar muito entusiasmada em participar dos encontros, passava lá em casa e íamos juntas para a Missa, depois, íamos visitar o abrigo Jovino Barreto”, concluiu.

Irmã Lindalva foi admitida à Congregação no dia 16 de julho de 1989, em uma Missa celebrada por Dom Hélder Câmara. Um mês depois, ela escreveu uma carta para a amiga Conceição com as seguintes palavras: “Eu estou muito feliz, é como se eu tivesse sempre morado aqui; O meu destino está nas mãos de Deus, mas desejo de todo coração servir sempre com humildade, no amor de Cristo”. Após concluir a segunda etapa do postulado, ingressou no noviciado.

A conclusão do Noviciado foi em 26 de janeiro de 1991. Como de costume, ao término deste período, as Irmãs são enviadas para missão: Irmã Lindalva foi enviada para o abrigo Dom Pedro II, em Salvador, na Bahia, onde assumiu o ofício de coordenadora do pavilhão de idosos.

Martírio e Beatificação

No Dom Pedro II, em Salvador (BA), a Irmã cuidava dos idosos com muito amor, dedicação e alegria, sempre cantando e rezando o Terço com eles. Suas ações de caridade não se restringiam apenas ao abrigo, ela também participou do Movimento Voluntárias da Caridade, do núcleo da Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem, onde visitava idosos e doentes nas periferias.

Em janeiro de 1993, uma recomendação política permitiu que Augusto da Silva Peixoto, aos 46 anos, conseguisse ter comida e moradia no abrigo, no qual era necessário ter uma declaração de abandono, por parte da assistência social, e uma idade mínima de 66 anos. Augusto se apaixonou pela Irmã Lindalva, que sempre deixou claro que não poderia corresponder aos sentimentos dele. Mesmo assim, os assédios prosseguiram.

“Prefiro que meu sangue se derrame, do que ir embora”, respondeu Irmã Lindalva, quando lhe perguntaram por que não deixava o abrigo.  A Irmã procurou a diretora do setor social e pediu que chamasse atenção do homem, mas, sem contar sobre suas indiretas indecentes, apenas sobre seus comportamentos inadequados em relação às regras do abrigo, acreditando que isso seria suficiente para fazê-lo parar. Mas, ao contrário do que era esperado, só fez aumentar o ressentimento dele, por não ser correspondido.

O martírio aconteceu no dia 9 de abril de 1993. Era Sexta-feira Santa, e a Irmã havia participado da Via Sacra, que teve início às 4h30. Em seguida, voltou ao abrigo para servir o café aos idosos. Quando estava atrás do balcão onde ficavam os alimentos, foi surpreendida com um toque nas costas. Ao virar, recebeu uma facada mortal na clavícula esquerda. Mesmo caída, continuou tendo o seu corpo perfurado por Augusto. Foram 44 perfurações. O assassino permaneceu no local esperando que a polícia chegasse, e, em depoimento, declarou que havia cometido o crime porque a Irmã Lindalva nunca cedeu aos seus desejos.

No dia 2 de dezembro de 2007, a Irmã Lindalva foi beatificada em cerimônia presidida pelo então Arcebispo de Salvador, Cardeal Dom Geraldo Majella Agnelo – atualmente Arcebispo Emérito -, no estádio do Barradão. Mais de 25 mil fiéis participaram deste importante momento, além dos irmãos e da mãe da bem-aventurada, na época com 85 anos de vida. Por conta do martírio, não foi necessária a comprovação dos três milagres para que se tornasse beata, por isso, o processo foi considerado um dos mais rápidos da história. Mas, para a canonização, é necessária a comprovação de um milagre que tenha acontecido após a beatificação. No caso da beata Lindalva, já existe um episódio sendo analisado pelo Vaticano. O dia da Beata Lindalva é comemorado em 7 de janeiro, data em que foi batizada.