Pular para o conteúdo principal

A Cristandade se acabou. Viva a fé!


Este é o título do editorial de um número recente da revista Le Monde des Religions, (outubro 2010). Esta afirmação não parece confirmada quando vemos como o comércio e o consumismo tomaram conta da festa do Natal. A cultura parece ainda cristã, mas sem a profundidade que o Evangelho pede a quem crê. De fato, em um mundo individualista e competitivo, é ótimo que o Natal seja ocasião de encontro humano e confraternização das famílias e amigos. Pode ser positivo que, para muitas pessoas, esta festa não fique restrita à fé cristã. Ela nasceu no século IV de uma comemoração do solstício do inverno. Celebrada em seu início pelos seguidores da antiga religião romana, hoje se tornou uma festa mais humana do que religiosa. Entretanto, é lamentável que o seu conteúdo cristão tenha sido substituído pela febre do comércio e pelo Papai Noel das lojas e da cultura consumista.

Como qualquer pessoa pode constatar, este assunto pode ser visto, ao menos, por dois ângulos diversos. Depende do que se entende por "Cristandade" e por Cristianismo. Há quase 50 anos, durante o Concílio Vaticano II, ao ver o esforço da Igreja Católica se renovar em suas bases mais profundas, Paul Ricoeur, pastor evangélico, afirmava: "A Cristandade está morta. Viva o Evangelho!". Isso pode parecer estranho para quem não percebe que, desde muitos séculos, governos e sociedades se aproveitaram de sua ligação com a Igreja, (católica ou evangélica), para se perpetuar e se legitimar com uma aparência de fé e uma tintura de espiritualidade cristã. Já no século XIX, Soren Kierkegaard,filósofo dinamarquês e pensador cristão, refletia: "A Cristandade é o regime no qual uma sociedade faz tudo para permanecer como é, injusta e desigual em suas bases e, ao mesmo tempo, usar os aspectos exteriores e a aparência de Cristianismo para se desembaraçar da mensagem do Evangelho". Em nossos dias, durante uma palestra do padre José Comblin, um participante externou o seu descontentamento com o tipo de mundo que, durante vinte séculos, as Igrejas não conseguiram transformar para melhor. O teólogo Comblin respondeu: "É verdade. Mas, de fato, até hoje, o Cristianismo nunca foi vivido, a não ser por pouquíssimas pessoas que sempre contestaram este modelo social de mundo". O primeiro destes contestadores foi o próprio Jesus Cristo. Ele chegava a dizer aos religiosos da época: "As prostitutas e os desonestos cobradores de impostos a serviço dos romanos (odiados pelo povo judeu) participarão do reinado divino mais do que vocês" (Mt 21, 31). Ele não aceitava que a sociedade, em nome da religião e de Deus, condenasse uma mulher adúltera e nada dissesse ao homem com quem ela tinha relações. Não se pode culpabilizar apenas a parte mais frágil. É o que, nestes dias, vimos em toda esta campanha com a qual os meios de comunicação noticiaram a guerra da polícia e do governo do Rio de Janeiro contra o tráfico nas favelas. Todos concordamos em libertar os morros cariocas do domínio do crime e ficamos felizes em ver o povo se declarar contente com a ação da polícia. Mas, o que não apareceu em nenhum órgão da imprensa foi o lado oculto do sistema. Se traficantes mantinham na favela toneladas de drogas e montavam casas ricas e com piscinas é porque barões das classes mais altas sustentam e garantem o comércio. E sem dúvida, estes senhores importantes não moram no Morro do Alemão. Nem a policia, nem jornalistas fizeram menção deste elo da corrente. Sem as pessoas de classe alta que financiam o tráfico e os de classe média que compram as drogas, estas não seriam distribuídas e se acabariam por si mesmas.
A celebração do Natal vem nos recordar de que a paz nunca se fará pelas armas. Contam que uma vez alguém perguntou a São Francisco de Assis como se poderia vencer as trevas da violência e do mal. Ele respondeu: "Para que agredir as trevas? Basta acender uma luz e as trevas fogem apavoradas". De fato, a verdadeira paz é o esforço de transformar as tensões destrutivas em polaridades criativas. Isso não se constrói com soldados armados e sim com educadores/as e artistas que expressem a beleza e ajudem as pessoas a conviver melhor. Ao contrário de transformações superficiais, o verdadeiro Natal é anúncio de paz para toda pessoa a quem Deus ama. Jesus revelou a predileção divina pelos mais pobres e desprotegidos. Na noite escura do inverno do mundo, a luz divina vem iluminar nossas consciências e nossas realidades. Ela nos dá uma consciência mais crítica e a liberdade interior de colaborar sempre pela construção de uma sociedade nova. Não é um processo mecânico nem automático. Pede nossa adesão. Um antigo pastor da Igreja dizia: "De nada teria adiantado Jesus nascer em Belém se ele não renascer em nosso coração, transformando nossas pessoas e nosso modo de viver.

Marcelo Barros é monge beneditino e escritor

Fonte: http://www.cebi.org.br/noticia.php?secaoId=8&noticiaId=1657

Postagens mais visitadas deste blog

Horários de Missas nas Paróquias de Mossoró

  As missas presenciais na Catedral de Santa Luzia em Mossoró serão retomadas a partir do próximo domingo, dia 16 de agosto. . A partir deste domingo, os fiéis terão 05 horários disponíveis de missa: às 6h, 9h, 11h, 17h (novo) e 19h. As celebrações de segunda a sexta-feira permanecem às 17h. . Não haverá marcação prévia de lugares, sendo o acesso por ordem de chegada, respeitando o limite de 30% de  ocupação, neste mês de agosto. Em setembro, segundo Decreto Municipal, sobe para 50%. Uma Equipe de Acolhida da Catedral vai estar na porta orientando a entrada. . O Decreto da Província Eclesiástica do RN prevê que crianças menores de 10 anos, adultos maiores de 60 e pessoas do grupo de risco devem aguardar mais um pouco, acompanhando pelas redes sociais. A reabertura da Catedral segue o Plano de Reabertura Gradual das Igrejas Católicas no RN com respeito às normas de segurança em prevenção ao Coronavírus. Paróquia São Paulo Paróquia Sagrada Família no Trinta de Setembro em Mossor...

Comissão para a Juventude lança pesquisa nacional sobre a evangelização da juventude brasileira

  A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), através da Comissão Episcopal para a Juventude, convida os jovens de todo o Brasil a participarem, de forma voluntária, da pesquisa “Evangelização da Juventude no Brasil”. Os dados coletados servirão de base para a atualização do Documento 85 da CNBB — Evangelização da Juventude —, referência essencial para a ação evangelizadora da Igreja junto às novas gerações. A pesquisa é realizada por meio de parceria com a Cátedra UNESCO de Juventude, Educação e Sociedade e o Observatório Juventudes PUCRS/Rede Marista. O público alvo da pesquisa são os jovens de 18 a 29 anos que podem responder livremente à pesquisa. Já os adolescentes, de 12 e 17 anos, também são convidados a participar, mas com um cuidado especial: é necessário o consentimento do responsável legal. Após o envio, o acesso à pesquisa será liberado. A participação consiste em responder um questionário online, com duração estimada de 20 minutos, abordando temas como con...

Programação da Festa de Santa Luzia 2024

DIOCESE DE SANTA LUZIA DE MOSSORÓ PARÓQUIA DE SANTA LUZIA DE MOSSORÓ   Festa de Santa Luzia 2024 01 a 13 de DEZEMBRO Tema: “ Oração: luz no caminho da fé”.   PROGRAMAÇÃO                 XVIII CALVAGADA DA LUZ 23/11 – 15h Saída: Área Pastoral São João Paulo II Chegada: Parque Brasil III CORRIDA DA LUZ KIDS 30/11 – 16h30 Local: Praça Pastor Manoel Nunes da Paz, em frente ao Museu Lauro da Escóssia. VII CAMINHONEIROS DA LUZ 30/11 – 15h Saída: Posto Domingos BR em frente a EBS Chegada: Catedral CRIANÇAS DA LUZ 30/11 – 18h Saída: Colégio Sagrado Coração de Maria (Colégio das Irmãs) Chegada: Catedral de Santa Luzia   LOJINHA DE SANTA LUZIA 10/11 a 13/12 Local: Largo Monsenhor Huberto Bruening (lateral da Catedral) 11/11 a 29/11 – 08h/11h30 às 13h30/17h30 (segunda à sexta)             ...